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2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 4

08:00 O FERRY DA MANHÃ

Foi bem cedo que hoje acordámos e saímos de casa pois, devido às mudanças drásticas do tempo que ontem se previam, e hoje se concretizaram, tivemos de modificar o plano desta viagem e assim apanhar o primeiro ferry do dia para outra ilha: a ilha de São Jorge.

Os ferrys partem de um terminal situado mesmo no porto da Horta e ligam esta cidade várias vezes por dia às ilhas de São Jorge e do Pico. Por causa do mau tempo que se vai fazer sentir hoje e amanhã, decidimos ir hoje à ilha de São Jorge e amanhã à ilha do Pico.

Assim foi a nossa manhã, acordar, tomar um pequeno almoço reforçado e ir para este novo terminal para uma travessia calma de 1h40m até à verdejante ilha de São Jorge.

11:00 A PONTA DOS ROSAIS

Depois de desembarcarmos na maior povoação da Ilha de São Jorge, a vila de Velas, dirigimos-nos logo para o nosso primeiro ponto de visita desta nossa estadia na ilha: a Ponta dos Rosais.

Situada na ponta ocidental da ilha, esta ponta tem no seu farol, novamente em ruínas o seu ponto forte de interesse.

Mas por causa do mau tempo que se fez sentir hoje durante o dia em toda a ilha de São Jorge, o caminho até esta ponta da ilha foi ligeiramente difícil ... ou pelo menos pensávamos nós, pois mais à frente no dia, iríamos perceber que estas condições que encontrámos na ponta ocidental - ventos super fortes e rajadas de chuva - seriam as melhores do dia.





13:00 NO MEIO DAS NUVENS A CAMINHO DA TABERNA

Quando saímos da Ponta dos Rosais não adivinhávamos que a caminho do nosso almoço, iríamos circular exactamente no meio de uma constante nuvem. Sim, leram bem, no meio de uma nuvem.

Depois de cruzarmos o desvio da estrada que cruza a ilha para Velas, começamos a subir ao topo da ilha e assim que lá chegamos o nevoeiro, a chuva e os ventos tornam-se bastante fortes, ao ponto de nos fazer diminuir a nossa velocidade ao ponto de demorar mais do dobro do tempo que tínhamos previsto para chegar ao nosso local de almoço.

A visibilidade da estrada estava reduzida a menos de 5 m, os ventos eram tão fortes que a própria nuvem em que estávamos envoltos se transformava em remoinhos à nossa volta, a chuva batia tão forte nos vidros do carro que pareciam pequenas pedras de granizo (mas eram apenas gotas de chuva aceleradas pelo vento) e o carro abanava todo e fugia na estrada sinuosa.

Sim chegar à Taberna Águeda foi uma aventura, mas depois de descermos do topo da ilha até à Fajã de São João, o tempo melhorou significativamente, pois apenas tínhamos uma leve chuva, e nada nem de vento, nem de nevoeiro. Foi neste contexto que descemos por uma sinuosa estrada até à nossa primeira Fajã do dia, e que percebemos a beleza destes locais mágicos da ilha de São Jorge.

Uma nota merecida para a simpatia e a qualidade da comida na humilde, mas muito acolhedora e autêntica Taberna Águeda, onde comemos uma bifana temperada em vinha de alhos e uma linguiça picante deliciosas.



14:30 AS DELÍCIAS DA ILHA VERDE

Depois de um delicioso e reparador almoço na autêntica Taberna Águeda da Fajã de São João, voltamos a subir para a nuvem que ainda estava instalada no topo da ilha, e dirigimos-nos para uma das principais cooperativas de lacticínios da ilha para conseguir comprar o famoso Queijo da Ilha: a Cooperativa de Lacticínios de Lourais. Claro que aqui chegados não resistimos e trazemos queijos de todas as curas existentes na loja, pois são todos absolutamente irresistíveis.

Mas a viagem gourmet pela ilha de São Jorge não acabou por aqui, pois a próxima paragem foi no café Nunes, em plena Fajá dos Vimes. Aqui ficamos a conhecer não só o mítico café, como os seus donos e aquilo que o torna tão especial: a sua plantação de café, que é a mais antiga da Europa ainda em actividade. Todas as explicações são-nos dadas pela dona da casa, enquanto o simpático Sr. Nunes nos serve deliciosos e muito especiais expressos a acompanhar umas das últimas especialidades da casa: as deliciosas queijadas de Café e de Inhame, feitas com os produtos cultivados na propriedade do próprio café.

Esta experiência é absolutamente única, pois ficamos a perceber não só a história da plantação (com pés de café centenários e com mais de 5 m de altura), mas também toda a história do próprio café, bem como alguns dos novos projetos que a família Nunes está a criar para potenciar toda a economia da fajá e da ilha.

Mas a volta gastronómica não acaba aqui, pois um pouco mais acima e mais perto de Velas, chegamos à nossa próxima paragem: a Dulçores. Esta padaria é um dos segredos mais bem guardados, mas tem uns biscoitos e uns bolos feitos com especiarias que são absolutamente deliciosos: chama-se as espécies. Estas delicias de São Jorge são um dos elementos que deveriam ser obrigatórios provar para todos os apreciadores de biscoitos tradicionais e desconhecidos, pois são absolutamente únicos e incrivelmente bem feitos.


23:00 DE VOLTA A VELAS E O JANTAR ANTES DO REGRESSO

Depois de uma tarde inteira a descobrir as delicias desconhecidas e absolutamente únicas da gastronomia da ilha de São Jorge, regressámos ao nosso ponto de partida nesta ilha: a vila de Velas.

Na sua quietude e pacatez, esta é a principal povoação da ilha e é um misto de pituresca e ponto de passagem turístico. Alguns dos seus pontos mais interessantes são o Jardim da República com o seu coreto absolutamente digno que qualquer cenário de um filme ou série de televisão, e a Igreja da Sé. Tirando estes dois espaços, é o cenário da ilha verde alta e imponente que cria todo um cenário absolutamente deslumbrante, tal como o fez ao longo de todo o dia, quer na severidade do seu clima, quer na magnitude do espectáculo visual que proporciona.

Porque ainda hoje regressámos ao Faial antes de voltarmos ao ferry, decidimos ir até ao central restaurante Açor e provar algumas das suas propostas no menú ... e que bem que fizemos. As lapas grelhadas eram ainda melhores que as do Genuíno da véspera, a tábua de queijos e enchidos era absolutamente perfeita, quer em qualidade, quer em variedade, quer em quantidade, e o bife da vazia que veio, foi a rendição final a um restaurante simples, mas com uma cozinha autêntica e forte, que merece toda a nossa atenção, destaque e aplauso.

Para último, ficou a última emoção do dia: a turbulenta viagem de ferry de volta ao Faial. Durante 1h40m, entre Velas e a Horta, foi uma aventura entre o ferry e as ondas, que mais parecia uma luta entre o barco e os elementos marítimos, tendo algumas delas conseguido subir acima do barco e molhar tudo e todos os que se encontravam no deck 3 (o mais alto do barco onde estivemos durante toda a viagem). Foi uma volta ao Faial com aventura e alguma adrenalina, mas que nos mostrou que, mesmo em pleno verão, estamos no centro do Oceano Atlântico, com toda a sua fúria e potência.

Assim, meio molhados, voltamos a esse secreto recanto de bom gosto, sofisticação simples e e tranquilidade que são os apartamentos  Porto Pim Bay e prontos para descansar até voltamos ao ferry amanhã de manhã, para rumarmos a uma nova ilha ... o Pico.

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 3

10:00 ADEUS TERCEIRA

Acordámos eram 7 da manhã, tomamos duche e hoje o pequeno almoço estava à nossa espera na sala de refeições, pois estávamos a levantar-nos tão cedo que permitiram-nos ter a sala de refeições só para nós.

É assim que deixamos a cidade de Angra do Heroísmo e rumamos ao aeroporto. Sim, estas estadia na Ilha Terceira foi curta, mas intensa, mas está na hora de saltarmos de ilha, e portanto vamos com a Azores Airlines (a linha regional da SATA) para a próxima ilha. O avião ia quase cheio, mas tudo com a maior das seguranças, e o conforto do voo, foi assegurado, não só pela perícia do piloto e simpatia do pessoal de cabine, mas também pela qualidade do avião, que tinha espaço para cada um dos lugares e uma cabine espaçosa e com um nível de ruído bastante atenuado. O nosso destino foi a ilha do Faial.

Ao chegarmos ao aeroporto percebemos que este está absolutamente vazio, e que, apesar de esta ilha também ainda não ter tido um caso de COVID19 registado, tomou todas as medidas necessárias para não os vir a ter. Tudo no aeroporto transmite segurança e cuidado com os passageiros. Mesmo que aqui se note já mais turistas estrangeiros que n Terceira, a quantidade de pessoas é diminuta e mais do que controlada para garantir as distâncias de segurança e os cuidados específicos desta situação que estamos a viver.

10:30 OS APARTAMENTOS PORTO PIM BAY

Como dissemos no início desta viagem, decidimos ao longo desta viagem escolher alojamentos de formatos mais alternativos, e como vamos ficar várias noites a dormir aqui no Faial, decidimos escolher um apartamento situado numa das localizações mais cool da cidade da Horta: Mesmo junto à paria de Porto Pim: os apartamentos Porto Pim Bay.

Este pequeno complexo de 7 apartamentos é um autêntico oásis de boa arquitetura moderna, toda feita à boa moda das antigas casas de madeira dos pescadores da zona, mas com um design e uma sofisticação que não são visíveis de quem passa na rua, mas que quando se entra mistura, madeira à cor natural, betão aparente envernizado e aço pintado de vermelho.

Tudo está desenhado de forma cuidada, e é assim que nos damos conta que chegámos a um dos principais alojamentos desta muito trendy localização na ilha do Faial.

11:30 O ÚLTIMO VULCÃO DE PORTUGAL

A principal atração da ilha é nada mais nada menos do que o último vulcção que entrou em erupção em Portugal: o Vulcão dos Capelinhos.

Situado na ponta da ilha, este fenómeno natural acrescentou mais território à ilha, mas acrescentou-lhe também uma paisagem absolutamente árida e digna de qualquer imaginário lunar. Com as suas cores ocres e de múltiplos castanhos, que contrastam com o azul do Atlântico, este local é impactante.

Sentem-se os momentos difíceis que assolaram e destruiram grande parte da ilha, e graças ao centro de interpretação que existe no local, tomamos conhecimento por fotografias da época (1957/1958, pois a sua erupção durou quase um ano) da magnitude de todo este fenómeno natural que mudou radicalmente a identidade desta ilha.

13:30 ALMOÇO NA PRAIA DO NORTE

Depois de uma visita extensiva ao Vulcão dos Capelinhos rumámos ao restaurante Rumar na Praia do Norte.

Quem o vê por fora, não é mais do que uma moradia, sem nada de especial, e que não causa impacto, já quando se entra há logo algo que sobressai: a incrível vista que se tem da zona de refeições. Apesar de não haver casos de COVID19 registados na ilha, este (e imaginamos que todos os restaurantes) reduziu a sua capacidade para menos de metade, o que faz com que se já era um dos mais populares do lado norte da ilha, agora ou se tem reserva, ou é absolutamente impossível de lá comer.

Mas como tínhamos reservado conseguimos provar algumas das iguarias mais interessantes da casa. Desde o pão de massa sovada absolutamente divinal (tão bom que comprámos para ter no apartamento para os nossos pequenos almoços), à grelhada mista de morcela, linguiça e entrecosto (que aqui chama de torrermo) acompanhada por batata doce cozida e ilhame grelhado, até à levíssima mousse de maracujá, a refeição inteira foi digna de nota.

Este é um dos restaurantes mais populares da ilha, e percebe-se porquê. 

14:30 O FAROL DA PONTA DA RIBEIRINHA

Depois de almoço continuámos estrada fora até ao lado oposto da ilha, onde está o abandonado, Farol da Ribeirinha.

Localizado num promontório no final da ilha, com vistas para a vizinha ilha do Pico, este farol encontra-se em absoluta ruína e rodeado de um cenário natural impressionante e que vale bem a pena todo o caminho de estrada de terra que tivemos de fazer para lá chegar.

Este é um local que corresponde exactamente ao nosso estereotipo de um farol em ruínas na ponta de uma ilha. É lindíssimo, poético e sublime.

18:00 O REGRESSO ATRIBULADO À CIDADE DA HORTA

No nosso regresso do Farol, já em direção à cidade da Horta, recebemos uma mensagem que nos deixa em sobressalto: a nossa subida ao Pico, que estava agendada para o dia seguinte foi cancelada, devido a condições climatéricas adversas.

Este facto fez com que investigássemos a fundo a meteorologia dos próximos dias e percebessemos que se estava a aproximar uma tempestade do grupo central onde nos encontramos e que vai tornar os próximos dois dias de dilúvio e que impossibilitam fazer os percursos a pé que tínhamos programado.

Esta mudança de planos fez com que, além das compras de supermercado para os nossos próximos pequenos almoços, fossemos também prolongar o aluguer do carro por mais dois dias, e fossemos à gare marítima para incluir o carro nas travessias de barco que tínhamos reservadas ... e aqui começou a complicação: é que para os dias que tínhamos marcado já não haviam lugares para carros disponíveis nos ferrys entre a Horta e o Pico/Madalena ou São Jorge/Velas. 

Depois de alguma ginástica de horários e de alterações de programa, com a incansável disponibilidade do funcionário da Atlânticolines, lá conseguimos recriar um vislumbre de planeamento que se adaptasse ao que queríamos fazer, e ao mesmo tempo se encaixasse com as possibilidades de fazer a travessia do ferry com um carro que nos permitisse não ter dois dias completos à chuva.

É assim que chegamos à Horta, e é com esta introdução que partimos para uma volta à principal cidade da ilha do Faial, que termina num dos seus maiores símbolos.

19:00 O GIN DO PETER CAFE SPORT

Eram já perto das 19h quando chegámos ao Peter Cafe Sport e nos sentámos numa das suas mesas de madeira do interior (pois a chuva já tinha chegado, inviabilizando a permanência na esplanada sobre a marina) e pedimos três gins tónicos.

Este café é a mais conhecida instituição da ilha, e isto fica a dever-se a dois factores: o primeiro por ser o mais importante ponto de distribuição de correio no meio do Atlântico Norte; e o segundo é o seu mítico gin tónico, tão famoso entre os marinheiros também.

Ora se a primeira razão a nós não nos serviu de muito, já segunda serviu-nos pelo menos duas vezes seguidas ... e assim conseguimos um excelente fim de dia na cidade da Horta.

23:00 UM JANTAR GENUÍNO

Mesmo em frente à porta do nosso apartamento (para onde voltámos a seguir à sessão de aperitivos, para pousar todas as coisas do dia e nos prepararmos para o jantar) fica o restaurante Genuíno.

Este é talvez o mais famoso restaurante da Horta e de toda a ilha do Faial, e foi exactamente aqui que reservámos mesa para o jantar de hoje. Claro que esta fama deriva, não só de um serviço impecável e muito simpático (talvez a única falha tenha sido a demora no serviço dos pratos), mas de uma cozinha absolutamente irrepreensível.

Na carta encontramos não só os pratos mais famosos da gastronomia faialense, mas também alguns clássicos reinventados, como sejam as almôndegas de atum com puré de batata doce (absolutamente a não perder) ou os chicharrinhos fritos com arroz de tomate (que são uma autêntica iguaria gourmet). Pena é que esta qualidade, depois não se prolongue para as sobremesas. Mas entre as lapas de entrada, e estes pratos maravilhosos, acompanhados por vinho da ilha, ficámos muito bem jantados.

Pior foi chegar ao nosso apartamento e não haver eletricidade para podermos instalar e preparar para o dia seguinte. Este problema, depois de conseguirmos reportar à dona do Porto Pim Bay (que de imediato se deslocou ao local, e simpaticamente ter-nos acalmado e ouvido), foi resolvido prontamente e não passou de um sobressalto.

Foi assim que terminámos este dia no Faial, e nos deitámos para descansarmos para o dia de amanhã, que vamos passar noutra ilha! 

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 2

09:30 O PEQUENO ALMOÇO NA CAMA

Por causa do COVID19, nesta ilha que ainda não teve um caso registado, neste Angra Bed & Breakfast onde ficámos, tomaram medidas severas quando aos pequenos almoços. Assim, ontem, antes de dormir, enviámos uma mensagem à simpática Ana, a pedir o serviço do pequeno almoço no quarto.

Claro que à hora marcada, tocaram à porta do quarto e era a Ana com um tabuleiro com este simples, mas completo pequeno almoço, que nos deixou ficar na cama mais um pouco de manhã, o que sabe mesmo bem.

Este é o primeiro momento de verdadeiras férias que temos e é autenticamente um luxo!


11:30 O PASSEIO PELA ILHA ATÉ AO OUTRO LADO

Todos nós já ouvimos a máxima de que num dia faz as quatro estações, e só vindo cá é que se percebe que é mesmo assim. De facto, ao atravessarmos a ilha até à freguesia dos Biscoitos, tivemos de subir um dos picos centrais da ilha, e passámos por zonas com céu nublado, uma chuva ligeira, nevoeiro e sol radiante. tudo num espaço de uma hora de caminho.

Fora esta particularidade, esta ilha é uma verdadeira surpresa, pois do nosso imaginário colectivo estão os campos verdes e muitas vacas a pastar, tudo cercado com muros de pedra de basalto e manchas enormes de hortênsias. Ora disto, aqui na terceira, só os muros e as hortênsias estão presentes, porque de resto tem uma enorme mancha florestal e as culturas dos campos são bem mais variadas, destacando-se o milho, o que altera substancialmente a paisagem.

Mas nesta travessia da ilha há outro destaque a fazer: os Impérios do Espírito Santo. Estas pequenas capelas existem em todas as povoações da ilha, e são espaços que estão junto à igreja da terra, dedicados em exclusivo ao culto do Divino Espírito Santo. Aqui destacam-se as suas cores, e a sua arquitetura muito popular e pitoresca, tornando estas construções uma das mais interessantes do interior da ilha.


13:00 AS PISCINAS NATURAIS DOS BISCOITOS

Nós atravessámos a ilha, com o objetivo de irmos passar o final da manhã nas muito populares Piscinas Naturais dos Biscoitos, e quando chegámos percebemos porquê serem tão famosas: são enormes e absolutamente espectaculares.

Com excelentes condições para os muitos frequentadores, estas piscinas beneficiam de uma paisagem de rochas basálticas negras e que criam um entorno absolutamente dramático para estas piscinas naturais atlânticas.

Claro que o sol radiante, o céu azul, o mar de temperatura perfeita e encontrar uma boa amiga (que já não víamos há alguns meses, ajudaram a que este final de manhã fosse absolutamente perfeito!

15:00 OS SABORES DO CHEF 

Depois de irmos a banhos, que nos soube maravilhosamente, rumámos até à Praia da Vitória, e em pleno porto, encontrámos o restaurante Sabores do Chef.

Com uma cozinha simples, a nossa escolha foi provar o maravilhoso e muito especial queijo fresco açoreano, e dois pratos de peixe: um grelhado simples, mas muito bem feito, e uma cataplana absolutamente especial e diferente do que se faz no continente.

Foi um almoço tranquilo, num espaço interessante, e que foi um bom começo para esta volta gastronómica ao universo da cozinha açoreana.


17:00 A HISTÓRICA ANGRA DO HEROÍSMO

Foi uma das primeiras zonas de Portugal a ser classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, e o centro de Angra do Heroísmo merece ainda esta classificação pelo ambiente especial que tem.

Num misto de arquitetura portuguesa nobre e antiga, com uns traços de cor e de vegetação típicos do estilo de arquitetura portuguesa colonial tropical, esta cidade apresenta-se espalhada em duas colinas que fazem o entorno de uma baía.

Neste passeio passámos pelo Museu de Angra de Heroísmo, pelo Palácio dos Capitães Generais, pela Sé e pela Igreja da Misericórdia. Neste percurso percebemos a história da cidade, a quantidade de património arquitetónico que esta cidade concentra e o porquê de continuar a ser um local único. 

Toda a atmosfera é especial, a cidade está incrivelmente recuperada, e todos os espaços verdes estão incrivelmente cuidados, tornando toda a cidade e um passeio pela mesma um verdadeiro programa de sábado à tarde perfeito!

19:00 COM A ILHA AOS NOSSOS PÉS

Para terminar o dia, rumámos a um dos miradouros mais importantes da ilha: o Miradouro da Serra do Cume.

Aqui, do alto de uma das principais cristas da ilha, gozamos de uma visão absolutamente espetacular sobre todo o interior da caldeira da cratera do antigo vulcão que deu origem a esta ilha.

Sim todas as ilhas dos Açores têm origem vulcânica, e esta não é excepção. Por isso subir a esta crista da antiga cratera e vislumbrar campos cultivados que se estendem até ao mar, num patchwork de verde magnético e impressionante foi o terminar do dia perfeito para primeiro dia desta nossa viagem de verão em direto 2020.




23:00 A TASCA DAS TIAS

Mas não podíamos deixar que o dia que terminasse sem irmos até um dos restaurantes mais conhecidos de Angra do Heroísmo: a Tasca das Tias.

Aqui a cozinha terceirense assume-se com um misto de tradição e inovação, sem a pretensão de ser ter a assinatura de um chef, mas apenas a responsabilidade de ser bem feita. E consegue-o, pois o que nos foi servido foi das entradas às sobremesas, sabores equilibrados, técnicas tradicionais com abordagens novas, e misturas bem conseguidas.

Claro que virmos aos Açores implica provar uma das maiores iguarias destas ilhas: as Cracas. Foi esta uma das iguarias que pedimos para esta noite... e estavam bem feitas, de forma tradicional, mas tinham a vantagem de serem absolutamente frescas e deliciosas.

Gostámos deste nosso dia na ilha Terceira, e sendo este o primeiro desta viagem, e tendo ele corrido tão bem, tudo augura que vá ser uma vez mais uma viagem inesquecível e espectacular!

Agora é dormir, que amanhã de manhã temos um avião para apanhar para mudarmos de ilha ... não percam!

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 1

 

20.00 O MUITO ESTRANHO AEROPORTO DE LISBOA

Chegámos ao aeroporto de Lisboa e tudo está como antes ... só que nem parece o mesmo.

Além do expectável uso da máscara generalizado e do distânciamento social que se agradece (e são raras as excepções que não o respeitam), o aeroporto está totalmente vazio e meio fechado.

Ao fim de tantos anos e de tantas viagens, esta é uma visão que não esperávamos ter. A sensação de andar pelo aeroporto de Lisboa é muito estranha. Os anteriormente agitados e movimentados corredores, halls e lounges do aeroporto, agora está totalmente vazio, com muito pouca gente e uma quantidade significativa de lojas fechadas.

Se algo nos causava apreensão nesta viagem, seria o tempo que vamos passar em aeroportos e aviões, mas para já o primeiro dos aeroportos está tão tranquilo e vazio, que mais seguro é impossível.

23:40 CHEGÁMOS AO MEIO DO ATLÂNTICO

Foi com um pouco de atraso que o voo da TAP saiu de Lisboa, e portanto chegámos ligeiramente mais tarde ao aeroporto da Terceira, mais conhecido pela base militar americana, conhecida como Base das Lages.

Assim que aterrámos, percebemos as novas medidas de controlo dos passageiros que entram no arquipélago. Todos os que chegam a este aeroporto são separados em dois grupos: os que chegam com um teste ao COVID19 feito; e aqueles que o fazem no aeroporto.

Como tínhamos já feito o teste em Lisboa (numa clínica privada indicada pelo governo regional e paga por este) e tinha dado negativo (por isso pudemos embarcar), os procedimentos que tivemos de cumprir foram mais simples. No entanto, mesmo à hora tardia a que chegámos, ainda demorou um pouco.

O mais complicado foi mesmo marcar um teste para o sexto dia a seguir à data da realização do teste oficial, e a coordenação do horário deste com o nosso programa de viagem. Mas lá conseguimos, em diálogo com o delegado de saúde pública que nos atendeu no aeroporto. Depois foi levantar o carro que tínhamos reservado e rumar ao nosso belo alojamento em Angra do Heroísmo.

02:20 BED AND BREAKFAST DE ANGRA

Situada mesmo junto ao centro histórico classificado como Património Mundial pela UNESCO, está uma moderna e muito bem decorada casa, que é o nosso alojamento nesta nossa curta estadia na ilha Açoreana da Terceira: o Angra Bed & Breakfast.

Sim ao longo desta viagem vamos evitar os hotéis, e vamos ficar em muito tipo de alojamentos diferentes, e em Angra do Heroísmo, escolhemos uma muito tradicional casa histórica, totalmente remodelada, e com toques clássicos na sua decoração, que está transformada num simpático Bed & Breakfast.

Bem decorado, bem localizado e com estacionamento privado à porta ... e com um serviço de acolhimento e de comunicação prévia com o cliente (que nos permitiu fazer um check in prévio e assim não perder tempo à chegada com formalidades) ao nível dos melhores hotéis em que temos ficado.

Gostámos deste primeiro alojamento, mas agora vamos dormir, pois amanhã temos toda uma ilha para explorar!

VIAGEM DE VERÃO EM DIRECTO 2020 | O GRANDE STRESS DA GRANDE MUDANÇA

 


Pois neste contexto actual em que viajar é algo raro, um dos maiores desafios que encontrámos foi exactamente uma instabilidade imensa nas regras de fronteiras. Não que passassem a proibir a entrada, mas as regras mudam constantemente.

Ora em consequência desta constante mudança das regras de entrada nos países, há um conjunto de mudanças em catadupa, que influenciam todo o mundo das viagens. Um desses efeitos é a instabilidade nas passagens aéreas ... e nós, hoje, mesmo antes da partida, fomos vítimas disso.

Para os mais atentos, já repararam que o nosso símbolo da viagem mudou, desde o fim-de-semana até hoje, e esta mudança gráfica deve-se a já não irmos à Turquia nesta viagem, mas sim a Itália. Sim a menos de 48h da partida da viagem tudo mudou e nós tivemos de aplicar às nossas muito bem planeadas viagens, a teoria do "pensa rápido".

A nossa lógica para substituição da Turquia por Iitália foi a seguinte: se não vamos à Turquia, já não temos o Império Otomano na nossa viagem, mas podemos ter o (também ele antigo) Império Romano, na nossa viagem.

Assim, depois da nossa viagem ao Norte de Itália - Giro al Norte - no início deste ano (que podem ver aqui) escolhemos um itinerário em que o Sul de Itália (zona que nenhum de nós conhece) vai ser a estrela.

Assim, da simpática Atenas, voamos diretamente para muito dramática Nápoles e é daqui que visitaremos toda a famosa Costa Amalfitana, as míticas ruinas romanas próximas (como é o caso das cidades de Pompeia e Herculano) ou a luxuosa e muito exclusiva ilha de Capri.


Por último, rumamos uns dias até à Cita Eterna, para aproveitarmos e conseguirmos ver locais que temos visitado já várias vezes  nas nossas viagens, mas desta vez sem as multidões de turistas habituais. Este foi mesmo um destino final de desejo, para conseguirmos rever o Museu do Vaticano sossegados e com tranquilidade, ver a mágica Fontana di Trevi sem os 1500 chineses à frente, ou aproveitarmos a zona do Travestere como os verdadeiros romanos.

À última hora tivemos um grande stress ao sermos obrigados a alterar o nosso destino final desta viagem (por cancelamento de 4 dos 6 voos que tínhamos com a Turkish Airlines... #notcool), mas afinal a viagem continua espetacular e trocámos um antigo império por outro, e a "Roma do Oriente" (como era conhecida Istambul, ou Constantinopla, como era chamada na antiguidade), pela "Roma do Ocidente". Agora sim ... estamos de malas feitas e amanhã encontramos-nos às 20h no aeroporto!