VIAGEM DE INVERNO 2020 EM DIRETO | GIRO AL NORTE - DIA 4



A SÁBIA BOLOGNA

Desepertámos nium quarto bom, num hotel que correspondeu totalmente às nossas expectativas (e tem uma excelente relaçao preço qualidade) e que, essencialmente, tem um serviço muito atento e muito simpático. Mas só no dia seguinte a chegarmos (ou seja hoje de manhã) descobrimos a sua grande vantagem: está situado em pleno centro histórico da cidade de Bologna.

Esta cidade, de origens medievais tem nas suas intrincadas ruas e nos seus muito antigos edifícios monumentais, o seu principal trunfo. é uma cidade onde se sente a história, o peso da longevidade da sua cultura e essencialmente, a sabedoria da sua universidade. Para quem não saiba, a Universidade de Bologna (ou Alma Mater, como lhe  chamam por aqui) é a mais antiga da Europa e do Mundo, tendo sido fundada no início do século XI.


Mas há outra xaracterística desta medieval metrópole contemporâ - as suas torres. Por todo o centro histórico existem torres altíssimas que marcam o skyline da cidade medieval. São impressionantemente altas, elegantemente esguias, e misteriosamente soberbas, mas dão a esta cidade (já ela própria cheia de torrs sineiras pela multiplicidade de igrejas que tem, como acontece em qualquer cidade italiana) uma nota de exotismo ou de mistério adicional, que lhe fica verdadeiramente bem!

No nosso passeio matinal fizemos a Via Maggiore (onde ficava o nosso hotel), a Piazza Maggiore onde entrámos na Basílica de San Petronio, visitámos a catedral, entrámos no Palazzo de Regione (antiga sede da Universidade de Bologna) e na sua muito conhecida Biblioteca da Salaborsa, visitámos o Mercato in Mezzo (onde vimos as famosas bancas de pasta fresca e as maravilhosas bancas de beixe fresco e passeámo-nos pelas ruas deste centro magnífico até à hora de almoço, aproveitando o sol matinal que, pela primeira vez nesta viagem, limpou o céu de núvens e faz com que este dia em Bologna tenha sido absolutamente perfeito.


O CLÁSSICO DONATELLO

Mas não podíamos deixar a cidade sem entrar numa das suas instituições gastronómicas. A nossa escolhida (por recomendação do nosso amigo e guia da véspera) recaiu no muito charmoso e famoso Donatello.

Situado entre o Teatro de Ópera e o Teatro Nacional, este restaurante é conhecido por ter sido e ainda ser o local de paragem de muitos dos artistas que passaram pelos principais palcos da cidade (como atestam as centenas de fotos nas altas paredes). Mas é também conhecido por ter um serviço excepcional e uma cozinha clássica de Bologna muito boa. E nós provámos, atestamos e recomendamos.

No menú não há grandes invenções modernas, mas estão lá todos os clássicos e foi a esses que nos dedicámos, pois foi por eles que viemos. Assim, claro que veio uma Lasagna Bolognese, uns Raviolis em Caldo (dois na realidade, pois somos quatro nesta viagem) e um Filetto Bolognese ... tudo terminado com um Tiramisú do melhor que se pode provar na vida. A regar a refeição tivemos o clássico da região de Bologna San Giovese tinto, que aqui neste país tão rico em vinho, cada cidade/zona tem o seu vinho especial. É assim que terminamos a nossa curta, mas intensa e excepcional estadia em Bologna. Estava na hora de voltar à estrada e seguir para o nosso próximo destino.

VENEZA A MAGNÍFICA

Ao fim de pouco mais de duas horas de caminho deixámos o nosso carro alugado na rent a car (que não ficava no aeroporto Marco Polo, mas perto e preparamos-nos para próxima etapa da viagem, toda ela sem carro. Graças à simpatia do rapaz do transfer da rent a car, que nos devia levar ao aeroporto, e graças ao nosso italiano (que apesar de macarrónico, já se começa a entender), ele ao perceber que vamos para a cidade de Veneza e não apanhar um voo, recomenda-nos ficar na paragem de autocarro ali mesmo na estrada e seguirmos na carreira normal (é mais rápido e mais barato, pois o preço do bilhete até Veneza é de 1 e não de 8 euros por pessoa). E assim fazemos, ficamos na berma de uma estrada à espera da carreira, que em menos de três chega, pagamos os bilhetes e seguimos até Veneza como qualquer veneziano. Só que as nossas caras maravilhadas com a aproximação à cidade pela moderna ponte que a liga ao continente, e obviamente as nossas malas, denunciam-nos.

O autocarro deixa-nos em plena Porta Roma e daqui decidimos comprar um passe de 48h para todos os vaporettos (que são os autocarros cá da cidade, mas só que são obviamente barcos) da cidade para podermos ter liberdade de movimentos sem pensar no preço (já que cada viagem de Vaporetto são 7,5 euros, e o passe de 48h fica a 30 euros, sai bastante mais barato). Daqui fazemos então todo o Gran Canal até à icónica Piazza de San Marco.

Este é um passeio maravilhoso e a melhor forma de entrar na cidade, pois percebe-se de facto o quão magnífica, especial, mágica e delicada é esta cidade. A cada edifício que vemos temos um momento de deleite visual indescritível. A cada vista que temos só nos apetece tirar tantas fotografias, que ficamos com a sensação que "o  rolo da máquina fotográfica não vai aguentar esta cidade" (piada que fazemos bastantes vezes nesta primeira viagem de vaporetto). A cada momento desta travessia de ponta a ponta do Gran Canal (o mais largo e espetacular da cidade de Veneza) sentimo-nos dentro de um filme de época digno de um romance de Casanova ou do uma cena do Mercador de Veneza. Esta é uma cidade magnífica, que ao se desenbarcar na Piazza de San Marco, se torna avassaladoramente bonita!


O NOSSO PALAZZO E O DOS DOGES

Assim que desembarcamos e nos habituamos à magnificência que está perante os nossos olhos, dirigimo-nos ao nosso Hotel San Moisé. Situado a pouco mais de 5 min a pé da Piazza di San Marco, este pequeno hotel fica num antigo Palazzo do sec XIX, onde abundam tetos altos e os restetivos lustres e arte e mobiliário antigo. É um verdadeiro Palazzo veneziano, digno dos melhores roteiros turisticos da cidade, mas só que é uma jóia do low cost ainda não descoberta pelas multidões, e que aqui deixamos como uma das nossas grandes descobertas nesta viagem.

Fazemos o Check in, deixamos as malas no quarto (deslumbrante por sinal) e voltamos rapidamente a sair, pois já são 17.20h e temos que ir visitar o grande monumento da cidade: o Palácio dos Doges. Este é o grande edifício da cidade e o seu principal monumento, e visitámo-lo (graças a estarmos em época baixa) sem fila alguma e praticamente sozinhos no palácio. Isto é um Luxo!

Mas luxo verdadeiro é este palácio. Se o seu exterior já impressiona pela riqueza do  trabalhado de mármore das suas imensas fachadas, os seus interiores são absolutamente de cortar a respiração. A cada sala surge um novo tecto trabalhado, ainda mais impressionante que o anterior, a cada sala surge um espaço ainda maior do que o anterior e a cada sala as pinturas de paredes e teto são ainda mais incríveis do que a anterior. Aqui percebe-se a riqueza que a república de Veneza teve, e a sua influência no mundo das artes e do imaginário colectivo de todos. É que aqui tudo era em bom ... aliás em Muito Grande e em Muito Bom!

É esmagador visitar este palácio sozinhos e é uma visita digna de ser classificada entre os melhores e mais faustosos espaços do mundo, pelo que (com filas e multidões, ou sozinhos e à vontade) é absolutamente a não perder!




O JANTAR NA HOSTERIA E OS COCKTAILS DE VENEZA

Saímos do Palazzo Ducal e já estavamos na hora de jantar, pelo que seguimos até ao nosso restaurante eleito de hoje: a Hosteria Osottoosopra.

Este restaurante encontra-se fora do principal circuito turístico da cidade, e o seu acesso só é possível ou acompanhado por um local, ou pelo google maps ... no nosso caso foi o segundo.

É um local pequeno, discreto, sem brilhos ou chamarizes, mas com um serviço tão simpático e descontraído e com uma cozinha tipicamente veneziana e tão sofisticada, quanto a própria cidade merece. De Cicchetti de Bacalhau, de Polvo e de Sardinha a Sépia Nera com Polenta, passando pelo óbvio Prosseco, o jantar foi absolutamente perfeito. Mais ainda, quando a conta acompanhou a perfeição do repasto exemplarmente veneziano.

Ora para rematar a noite, e já um pouco ébrios (como bons casanovas contemporaneos, ou não estivéssemos em Veneza) das duas garrafas de prosseco que bebebos ao jantar, vamos até ao clássico bar da cidade beber a sua bebida oficial: o Harry's e os seus Bellinis. Foi uma chegada a Veneza em grande, com tudo o que temos direito e que nos deixa bastante inspirados para o dia que se segue ... porque nestas altas horas da noite, só nos resta vaguear pelas ruas apertadas da cidade até ao nosso hotel palazzo e dormir num quarto com um lustre de murano e tetos trabalhados ... como o fazemos!


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