ROTA DOS MAHARAJAS EM DIRETO | DIA 6


03.00 De Partida Novamente

Ainda ontem chegámos a Delhi e ao surpreendente Bloomrooms Low Cost Hotel e já estamos de partida de novo ... e logo a uma hora da madrugada imprópria para quem esteja de férias. Mas não havendo alternativa, não há como evitar acordar tão cedo de madrugada para continuarmos a nossa Rota dos Maharajas em busta de mais um tipo de Maharajas: os Maharajas Celestiais.

Assim que chegamos ao Novíssimo Terminal 3 do Aeroporto Internacional Indira Gandhi, deparamo-nos com uma multidão de pessoas que vai viajar para todos os cantos da ìndia, também a esta hora.

Demora cerca de 45 minutos a fazer o check in, com tanta gente que vai apanhar os voos internos que partem às 5 e 6 da manhã, mais uma meia hora a passar a segurança e mais outra meia hora para fazer umas compras (nomeadamente de café ... essencial a esta hora do dia) e percorrer os corredores infindáveis de portas de embarque até à porta correcta.

Não levantar cedo e não sair do hotel de madrugada não é uma opção quando se tem um voo tão cedo na Índia!


06.35 O Voo para Leh

Este é um dos voos que mais temos curiosidade. Não pelo avião em si, mas pela população dos passageiros que vai levar, pela paisagem ao longo do caminho e essencialmente pelo destino onde nos levará: Leh, a capital da região de Ladack, do famoso e politicamente conturbado estado de Caxemira.

Quando chegados à porta de embarque satisfazemos a primeira das curiosidades: apesar de irmos voar para uma das regiões mais isoladas do globo, a frequência deste avião é bastante normal. Composta por alguuns turistas ocidentais (essencialmente em modo Backpacking), alguns homens que vão claramente em negócios, alguns militares, mas essencialmente famílias indianas que viajam até à terra ou em turismo interno. Toda a expectativa de exotismo logo à entrada do avião foi totalmente gorada ...

Durante a viagem, pudemos conferir se a nossa expectativa sobre a espectacularidade da paisagem se verificava ... e confirma-se: é um daqueles voos em que vale a pena ir à janela. A paisagem dos Himalaias vista de cima, e a aproximarem-se cada vez mais do próprio do avião, é um cenário verdadeiramente grandioso. À medida que nos aproximamos de Leh, também os Himalaias se aproximam do avião.

Apenas para registo de todos os nossos leitores, aqui fica uma nota: a aterragem no aeroporto de Leh é tão difícil que os aviões têm de entrar num desfiladeiro entre montanhas e descer em direção à pista de aterragem. Esta manobra tem de ser feita manualmente, o que implica pilotos com um mínimo de 20 anos de experiência ... e assim aterramos em Leh!


07.45 Aeroporto do Teto do Mundo

Ainda quando estamos na aproximação à pista somos prevenidos pelo pessoal de bordo que é proíbido tirar fotos durante a aterragem e depois no próprio do aeroporto. Quando aterramos percebemos: estamos num aeroporto militar, numa das zonas de maior sensibilidade politica e militar do mundo.

O pessoal do aeroporto é todo militar, somos recebidos por militares armados com metralhadoras, e encaminham-nos para uns autocarros absolutamente dignos de qualquer filme aopcaliptico, que nos levam a um barracão onde esperamos pelas nossas bagagens ... que chegaram.

Preenchemos o pedido de entrada formal no estado de Caxemira e saímos para o nosso carro que já estava à espera. A paisagem com que nos deparamos é de uma base militar ultra militarizada, no meio de uma paisagem de deserto imponentemente montanhoso e rochoso, com uma dimensão avassaladora e que não deixa ninguém indiferente.


08.50 A Chegada ao Hotel

A caminho do Hotel começamos a perceber que Leh não é uma cidade rica, nem grande, mas também não tem a pobreza que se vê nas grandes cidades indianas .. e tem uma mais valia importante e única: está encaixada num vale entre os picos dos Himalaias, criando um cenário natural bastante forte.

Escolhemos ficar alojados no Thongsal Resort de Leh ... com a noção de que a palavra resort, aqui aplicada, nada tem a ver com a mesma definição que existe nas caraíbas ... mas quando chegámos percebemos que para as baixas expectativas que tínhamos à partida, até nem está mal.

Não se pode dizer que seja um bom hotel, mas dado o local onde estamos, dado o preço bastante acessível, e a extrema simpatia do staff, esta torna-se uma chegada das boas ... até porque nos vai permitir descansar um pouco antes de sairmos.


12.00 O Centro de Leh

Depois de descansarmos um pouco nos quartos, decidimos dirigir-nos ao centro de Leh para começarmos a sentir um pouco a cidade e toda esta nova cultura de caxemira.

O centro da cidade tem uma malha orgânica de estreitas ruas bordejadas de lojas de produtos regionais e restaurantes ... tudo dedicado a turistas, mas com um ar e um ambiente relaxado e em que não se nota a vontade de explorar o estrangeiro.

Mais ainda, a imagem de toda a cidade está marcada por um elemento omnipresente: as montanhas. Sempre as montanhas presentes e dominantes. Decidimos ir almoçar.


13.00 O Difícil Almoço

Tendo feito boas pequisas na internet, conseguimos reconhecer alguns dos nomes dos restaurantes e locais por onde passamos no centro e escolhemos o Gesmo Restaurant .

Situado num colorido avançado de uma pequena casa, sobre uma das principis ruas do centro, este pequeno estabelecimento está especializado em cozinha ocidental e cozinha cachemiri.

Sentamo-nos numa mesa junto a uma janela e pedimos ... e começamos a notar que os efeitos da altitude estão a intensificar-se novamente. Nós que pensámos que os sintomas que tínhamos sentido à chegada fossem devido a uma falta de descanso e de comida, agora começamos a perceber que subestimamos os avisos de cuidado com a Doença da Altitude.

Na realidade todo o almoço foi passado e dominado pelo agravamento das nossas condições físicas. Uns con náuseas, outros com dores de cabeça, outros com tonturas, mas todos tivemos sintomas ... e decidimos voltar ao hotel e tentar controlar estes sintomas ...


15.00 A Adaptação à Altitude

Chegados ao Hotel, decidimos alterar os nossos planos e passar o resto da tarde no hotel, por forma a seguir todas as recomendações (inclusive do dono do hotel que nos recebeu muito simpaticamente à chegada) e assim garantir que a adaptação se dá nos prazos normais: as primeiras 24h.

Assim hoje temos de descansar fisicamente, não beber muita água (mesmo que desidratemos um pouco, mas é preferível pois a água com a pressão da altitude, pode entrar nos pulmões), sair do calor e do sol ... e concentrar todas as atenções e energias do nosso organismo em adaptar-se a estas novas situações. De facto, passar em horas de Delhi com uma altitude normal, uma temperatura de perto de 40º (28º estavam às 3 da manhã) e uma humidade grande, para mais de 3.000 metros de altitude e com uma pressão atosféria altíssima, o organismo, obviamente que demora tempo a readaptar-se.

Toda a tarde foi assim passada nos jardins do Tonghsal Resort a acabar algumas pesquisas de internet (que aqui, obviamente não funciona a grande velocidade) e a preparar os últimos detalhes dos próximos dois dias de visitas. Sempre acompanhados por um simpático grupo de indianos de Delhi que garantiu que a nossa tarde tivesse como banda sonora Bob Dylan, The Doors ou Eddie Veder ... foi uma tarde bem passada!

20.00 O Primeiro Jantar nos Himalaias

Foi já mais recuperados que rumámos até ao Yama Café House para podermos então ter o nosso primeiro jantar em plenos himalaias. Foi uma refeição calma, ainda sem se assumir grandes riscos em termos gastronómicos (pois o picante da cozinha indiana atrasa a adaptação às alturas), mas mais uma vez reforçou esta ideia de que Leh tem uma filosofia de vida muito diferente do resto da Índia, mais calma e menos caótica.

Ainda não estamos totalmente recuperados deos sintomas da "Doença das Alturas", mas tudo já está a recompor-se. Nada que com uma noite de sono não aconteça!

Assim sendo, jantamos, damos uma volta pelas lojas de produtos tradicionais à volta e voltamos para o Hotel ... porque amanhã o dia vai ser longo, com viagens de mais de 7 horas de carro.

0 Reality Comments: