ROTA DOS MAHARAJAS EM DIRETO | DIA 14


09:00 O Despertar no Deserto

Depois de uma noite bem passada (apesar da existênsia de muita fauna exterior), acordámos no Deserto do Thar, numa tenda e com o calor do deserto a fazer-se sentir no exterior desta.

Levantámo-nos, limpámos a Casa de banho respectiva da bicharada que por lá passeava (pois apesar de não entrar na tenda, no WC, como este é exterior, os bichos entram) e preparámo-nos para um pequeno almoço.

Mais uma vez constatámos que eramos os unicos ocidentais que estávamos alojados neste hotel ... por isso a nossa experiência de Índia profunda começou logo de manhã bem cedo!


10.30 O Lago Gadisagar

Depois de uma hora de estrada até chegarmos a Jaisalmer, dirigimo-nos para o nosso primeiro destino do dia: o Lago Gadisagar.

Construído no sec. XIV, para ser o grande reservatório de água de fornecimento da cidade de Jaisalmer, este lago alimentado apenas pelas águas das chuvas, é hoje um dos locais mais sossegados e bucólicos de toda a cidade.

Longe do trânsito das ruas, do boliço das pessoas e dos mercados, do caos urbano destas cidades indianas do Rajastão, este Lago Gadisagar, foi o momento ideal para começarmos o dia de exploração da cidade Raínha do Deserto.

Todo rodeado de construções de pequenos templos, casas e terraços, construídos em arenito e adobe trabalhados, este local torna-se mágico, pela serenidade das águas, pela cor dourada das construções e pelo silêncio que se ouve ... apenas interrompida por um velho músico que toca uma citara rudimentar para tentar atrair o punhado de turistas que por este território imenso se passeia.

Foi um tempo de calma e tranquilidade ... e que, depois do final da noite de ontem, nos fez apaixonar por esta cidade "Raínha do Deserto".


12.30 A Subida até ao Forte de Jaisalmer

Tal como noutros monumentos anteriormente (no Taj Mahal, ou em Fatehpur Sikri, como explicámos nesse dia), também aqui os carros não podem aproximar-se do Forte.

Por isso, desta vez, e porque estava verdadeiramente muito calor, decidimos não subir tudo a pé e negociar um Tuc-Tuc para nos levar até à praça principal do forte.

A aventura de andar de Tuc-Tuc é igual em qualquer parte do mundo ... menos na Índia!

Os buracos da estrada, o caos do trânsito (neste caso apenas de motas, vacas, pessoas e outros Tuc-Tucs) e o constante comércio que os indianos fazem à beira da estrada, fizeram desta subida ao Forte de Jaisalmer um momento digno de recordar.


13.00 O Forte de Jaisalmer

Se Jaipur é conhecida como a cidade cor de rosa, se Jodhpur é conhecida como a cidade azul ... Jaisalmer é conhecida como a cidade dourada!

Chegados à Praça Principal do Forte de Jaisalmer (a Dussehra Chowk), demo-nos conta porquê: o facto de todos os edifícios dentro do forte serem feitas de arenito amarelo .... que com o Sol ganham uma côr dourada.

A praça é impressionantemente bonita, pois não só conserva o seu desenho medieval, como também todos os edifícios são profunda e exuberantemente trabalhados.

Decidimos nesse momento que esta cidade é digna de nos apaixonarmos por ela!


13.15 Os Templos Jainas

Sendo quase duas horas (fecho dos templos a turistas em Jaisalmer) decidimos seguir diretamente para os famosos templos Jainas de dentro do forte.

Estes templos, construídos entre o sec. XV e XVI, são um conjunto de sete templos, todos eles com lgações entre eles, dedicados a vários deuses ... todos eles importantes para os hindús da corrente Jaina.

O impressionante trabalhado do seu exterior, prolonga-se ainda de forma mais detalhada para os seus interiores. A pedra dourada torna-se ainda mais impressionante, quando observada de perto. A sua textura de areia compactada é tão evidente e delicada, que todos os trabalhos de escultura de alto relevo e de pintura destes, tornam-se em momentos de espanto para qualquer visitante.

mais impressionante ainda é a forma labiríntica e quase de sobreposição de como os templos se ligam uns aos outros. Por portas, escadas, pátios ou corredores, passamos de uns para os outros, sem nos darmos conta de que estamos num templo diferente ... a não ser quando realmente entramos.

É uma visita interessante e artisticamente muito rica!


14.30 O Complexo Real

Voltando à Praça Principal da cidade muralhada, decidimos antes de ir almoçar, de ir visitar o complexo Real.

Este edifício do sec XVI, foi crescendo, conforme as necessidades, até o sec XIX. É por esta razão que o antigo palácio real, passou a ser um complexo de edifícios, que se amontoam uns em cima dos outros (por causa da falta de espaço que existe na cidade muralhada) e que contam, não só com o palácio do Maharaja, mas também das suas esposas, do seu exército e do seu governo.

Assim o conjunto de edifícios que se situam dentro do Complexo Real é bastante diverso e labirintico ... mas belíssimo!


15.30 O Almoço no Forte

Depois de sairmos da visita ao Complexo Real, decidimos que (com o calor a apertar) era hora de almoçarmos ... e vagueámos pelas apertadas e labirínticas ruas desta cidade muralhada em busca de um local para o nosso almoço.

Ao fim de quase uma hora a andarmos perdidos à procura de um bom restaurante (e de não o encontrarmos), decidimos subir a um dos terraços do topo dos edifícios, que nos foi recomendado por um dos muitos vendedores de rua. Foi uma tentativa falhada!

Tendo nós diferentes padrões de higiene alimentar dos praticados aqui na Índia, julgamos os locais por dois parâmetros: a existência e qualidade do wi-fi (indicador que têm preocupação suficiente com o serviço que prestam ao turista); e higiene das casas-de-banho (indicador de nível de higiene dos seus proprietários e funcionários). Não estando nós à espera de um nível de higiene aprovado pelas normas europeias ... há mínimos a cumprir ... e este primeiro local não os cumpria. Bebemos uma coca-cola (sempre uma bebida segura nestas condições) e saímos.

Voltamos às ruas ... e decidimos que desta vez o melhor será julgarmos nós próprios o aspecto do local que escolhemos (e esquecermos as recomendações dos vendedores de rua) ... e entramos num segundo local. A casa-de-banho era aceitável ... e o wi-fi existia (depois de meia-hora ... existiu mesmo e funcionou muito bem). Escolhemos três pratos da ementa que não sabíamos o que eram ... e esperámos!

Uma hora depois lá surgiu o nosso almoço e foi uma surpresa: estávamos perante autênticos pratos populares da Índia profunda! Aquelas comidas que vemos na rua e que os vemos a comer, foram desta vez feitos para nós, com a maior dedicação, humildade e simpatia ... apesar dos nossos receios, mas perante o olhar expectante dos nossos anfitriões, decidimos provar ... qual não foi a nossa surpresa ao perceber que não só não estavam picantes (conforme tínhamos pedido), como ainda eram deliciosos!

Dissemos que gostávamos ... e de volta ganhámos um sorriso e, no final da nossa refeição, o direito a escrevermos no livro de honra da casa (um caderno de capa dura de linhas) a nossa opinião sobre os mesmos!

O terraço tinha vista para o Complexo Real, a comida era deliciosa (não sabíamos se nos faria mal ... mas estávamos deliciados) e a aragem quente de vento do deserto, com a música tradicional rajastani que escolheram propositadamente para nós, fez com que esta fosse uma refeição e principio de tarde muito bem passados.


17.00 A Volta pelo Bazar

Depois de almoço, já com todos os monumentos fechados (e com os poucos turistas que encontrámos ao longo do dia loge do forte) decidimos ir dar uma volta pelas ruas desta lindíssima cidade dourada e explorar melhor as centenas de pequenas lojas que existem.

O passeio é digno de se fazer, não só porque se descobrem terraços com canhões sobre as muralhas que têm vistas impressionantes sobre a cidade nova, como também porque a simpatia destas gentes é muito grande.

O convite à compra, sendo nós ocidentais é ainda pior, mas aqui é feito de forma simpática e pouco intrusiva. Desde oferecerem-se para nos ajudarem a gastar o nosso dinheiro, até dizerem que fazer compras faz bem à saúde ... ouvimos de tudo um pouco. E claro está que não pudemos deixar de sorrir, perante tão divertidos convites e provocações.


19.00 O Sunset no Deserto

Conseguindo resistir às compras no Bazar do Forte de Jaisalmer, voltámos ao nosso carro e viajámos mais 30 minutos para oeste de Jaisalmer (em direção à fronteira com o Paquistão, que fica a menos de 60 quilómetros, segundo nos explicou o nosso motorista) para termos o nosso pôr-do-sol no deserto.

Desta vez decidimos fazer um programa totalmente turistico: passeio de camelo até às dunas de Sam Sand e jantar no deserto.

A ideia pareceu-nos muito turistica, mas divertida, por isso arriscámos e ainda bem!

Subimos aos nossos camelos e andámos (conduzidos por dois miúdos) deserto dentro. Os primeiros minutos levamos a adaptar-nos ao ritmo dos camelos ... mas depois a paisagem e o pôr do sol apoderam-se de nós.

Quando chegamos a Sam Sand, percebemos que como nós muitos estão, cada um com o seu camelo, a fazer o mesmo programa ... mas são todos indianos!

É um momento divertido, em que tiramos fotos com os camelos, fotos com os indianos e fotos com o Pôr do Sol. Assim sim! Valeu a pena arriscar!


20.30 O Jantar no Deserto

Depois do Sol se pôr, voltamos a montar os respectivos camelos e rumamos para o nosso local de jantar. Aguarda-nos uma grande roda de cadeiras, em volta de um círculo de cimento no meio do deserto. Sentamo-nos e reparamos que aqui já não somos os únicos turistas ocidentais, mas quase ... pois apenas está um grupo de seis espanhóis também nesta grande roda. Todo o resto da audiência é indiana!

Minutos depois de chegarmos começam então a tocar e a cantar músicas típicas dos povos nómadas do deserto e duas bailarinas dançam as danças tradicionais desta região afastada do Rajastão. Enquanto isto vão-nos servindo chá e um arroz com açafrão. O programa prolonga-se durante mais uma hora ... e quando nós e o grupo de espanhóis somos encaminhados para umas mesas (que entretanto surgiram fora do círculo), percebemos que grande parte dos indianos se levantam e começam a dançar essas mesmas cnções. A festa está instalada ... com músicas pedidas e tudo!

É mais um momento em que conseguimos estar no meio da Índia profunda ... e sobe um céu com tantas estrelas que mais parece um teto compacto de pontos de luz de diferentes intensidades. O momento é fantástico e é o final perfeito para este dia em que explorámos a cidade "Raínha do Deserto".

Saímos (ainda com a festa a dar os últimos acordes) e voltamos às nossas tendas para descansar para mais um dia de estrada amanhã.

Porque a Rota dos Maharajas não vai ficar por aqui!

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