MARRAQUEXE | A EXÓTICA SENHORA ÁRABE - DIA 2


Conforme sabem os nossos seguidores de Instagram, estivemos recentemente em Marraquexe, e como sempre o fazemos, trazemos aqui todos os detalhes para que as nossas boas experiências possam ser vividas pelos nossos leitores também.

Se ontem nos dedicámos ao nosso alojamento e a como sair do Aeroporto para a cidade, hoje (conforme anunciámos ontem) vamos-nos dedicar aos locais a visitar e aos restaurantes onde comer.


Marraquexe é como uma velha e enigmática mulher, que nos fascina na sua sofisticação e na sua beleza estranha e rara. Foi unânime dizer que esta cidade era como uma Exótica Senhora Árabe, pois a cidade combina história e actualidade de uma forma subtil mas segura, sem descurar a sua forte cultura árabe, mas não esquecendo a sofisticação da mesma.

Se Marraquexe é sinónimo de alguma coisa é de lugares belos e repletos de histórias fascinantes para contar. Assim a escolha de o que visitar não é fácil. Não só pela diversidade, mas essencialmente porque estando a maior parte dos locais de visita localizados na Medina ou nas suas imediações, orientar-nos pela media é um exercício digno dos melhores peritos em orientação e navegação urbanas.

Deixamos um conselho: dispensem os guias que vos vão abordar várias vezes antes de entrarem em cada um dos locais, pois as informações que vos dão nem sempre são interessantes e o único objetivo deles é conseguirem dinheiro ... que uma vez pago, nunca chega. Além de que Marraquexe, sendo uma cidade turística e árabe, não tem um nível de criminalidade muito alta, pois os turistas são o seu ganha pão ... assim assaltos ou mesmo agressões são coisa rara por estas paragens.


Se há momento imperdível na cidade é a Praça Jemaa El Fna. Local onde tradicionalmente se efetuavam as trocas comerciais entre as caravanas berberes (povos nómadas do deserto) e os árabes de Marrocos, esta imensa praça tem na sua alma a essência de uma babel de usos e costumes todos eles bastante fascinantes.

Contadores de Histórias (que não percebemos, mas que acompanhamos o entusiasmo com que estes as contam e com que a assistência as segue), encantadores de serpentes, vendedores de todo tipo de souvenirs e artigos, bancas de comida e de sumos naturais, animadores com jogos, amestradores de macacos, aguadeiros, tatuadoras de hena ou leitores de mãos e de sina, músicos, bruxos e curandeiros ... todos convivem nesta praça, transformandoa numa verdadeira amostra viva de duas épocas da cultura árabe - a tradicional e a contemporânea.

Se a dimensão ajuda, a diversidade completa esta ideia de que aqui na Praça Jemaa El Fna pode-se encontrar de tudo ... e tudo pode acontecer ... ou não estivéssemos a falar de uma praça que é classificada como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, pela sua diversidade cultural e riqueza linguística.


Mas mesmo perto da Praça (como todos lhe chamam, como se mais nenhuma praça existisse na cidade) estão mais dois pontos de visita e paragem essenciais numa visita a Marraquexe: o Palácio El Badiî e o Palácio Bahia.

A pouco mais de 300 metros da Praça e a uma distância de 200m um do outro estes dois complexos são o coração do poder ancestral desta cidade (mantendo-se ainda nas imediações o palácio real actual de Marraquexe ... não sendo este visitável).

Comecemos pelo mais antigo. O Palácio Badiî, data do século XV e está atualmente em ruínas. Mas a dimensão do seu pátio central, a proporção das suas grossas e majestosas paredes, a cor das mesmas, os antigos mosaicos, fazem desta uma visita absolutamente esmagadora e incontornável.


Mas se a visita ao Badiî é esmagadora pela dimensão do mesmo, a visita ao Palácio Bahia é deslumbrante pela beleza do mesmo.

Com uma construção bastante mais recente (no sec. XIX), este palácio encontra-se verdadeiramete bem conservado. Assim os seus tetos de madeira trabalhada e pintada, as suas paredes de estuques esculpidos e pintados e os seus inúmeros pátios e jardins, numa organização labiríntica única e enigmática, fazem deste palácio um dos melhores e mais bem conservados exemplares dos famosos palácios árabes de todo o mundo.

Percam-se entre salas e pátios, não tenham medo de explorar passagens ou escadarias, e deslumbrem-se com todos os detalhes únicos e magníficos que em cada canto vão encontrar ... porque assim é a riqueza deste local ... e só assim se entranha a beleza da mesma em cada visitante.


Ainda no capítulo dos locais históricos há outro que se revela incontornável: a Madrassa Ben Yousesef.

Localizada bem no coração da Medina (o que quer dizer que podem demorar algum tempo a conseguir encontrar ... o que não faz mal, pois pelo caminho vão encontrar muitas situações fascinantes também), esta escola corâmica cujas origens remontam ao sec. XIV, é a maior de todo o reino de Marrocos, e pode ser visitada (parte dela, pois outra parte ainda funciona como escola).

O contraste entre a decoração profusa e exuberante do pátio, as cores vibrantes da piscina central, os trabalhos minuciosos e incrivelmente detalhados das portas e portadas de madeira deste, e a simplicidade minimal dos interiores, a ausência total e completa de qualquer decoração nos mesmo e a luz coada e indireta, fazem deste um edifício que nos faz lembrar os mosteiros medievais europeus, numa versão exótica e árabe, mas com um estranho paralelo, que nos inquieta, mas ao mesmo tempo nos tranquiliza de tanta identificação que sentimos.


Mas se Marraquexe é sinónimo de grandes monumentos históricos, também é sinónimo de locais de cultura, de encontro de culturas e de fusão e encontro da civilização árabe e europeia.

Assim uma visita a Marraquexe não fica completa sem uma passagem pela muito bela e elegante Maison de la Photographie. Instituição privada, aberta ao público em 2009, esta pequena casa da Medina, mostra aos seus visitantes, em exposições temporárias pequenas mas muito bem montadas, um espólio fotográfico digno dos melhores museus internacionais ... mas sempre centrada em Marrocos e na sua diversidade e na atração que este país sempre exerceu sobre os fotógrafos europeus e americanos.

É um verdadeiro oásis de cultura, bom gosto, requinte e sofisticação. Calmo, sereno e subtil, este é talvez o único museu que não convém falhar.


Mas no meio de tantas visitas, há uma que também é obrigatória e que ainda não referimos (deixámos para o final): os jardins e a Ville Majorelle.

Famosa residência do icónico Yves Saint Laurent em Marrauqexe, este autêntico paraíso de cor e bom gosto situa-se (já fora da Medina) na cidade nova, no bairro de Gueliz. Com uma manutenção irrepreensível, umas cores perfeitas, uns jardins tão icónicos quanto o seu antigo proprietário, esta visita revela-nos o verdadeiro fascínio e a intensidade cultural que esta cidade tem. Exótica, culta e muito exuberante, a visita aos jardins e à Ville Majorelle traz-nos de volta ao nosso ponto inicial: Marraquexe é como uma Exótica e Senhora Árabe, de quem não nos cansamos e por quem temos um fascínio infindável e mágico.

Mas se visitar Marraquexe é visitar estes locais é também sentir a sua gastronomia e mergulhar numa gruta de Ali Babá de compras chamada Souks. Mas disso falaremos amanhã ...

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