ROTA DOS MAHARAJAS EM DIRETO | DIA 8


06.00 O Despertar Madrugador

Tal como tínhamos anunciado ontem, hoje madrugámos para um dia recheado de aventuras e visitas impressionantes.

Depois de acordarmos bem cedo, metemo-nos à estrada em direção a Nascente (ontem rumamos a Poente), e deparamo-nos com uma assimetria completa entre os dois lados da cidade de Leh.

Se para Poente encontramos instalações militares a perder de vista (entre as quais o aeroporto), para Nascente, encontramos uma zona povoada, com casas e pequenas vilas e aldeias, mas sempre em contexto bastante verde e quase de oásis. É uma zona que, imaginamos nós, faz o papel de subúrbio de Leh, mas com uma abundância de água bastante grande ... o que dá origem a zonas de cultivo grandes e jardins e bosques cerrados (nos padrões dos Himalaias, claro).


08.00 O Pequeno Almoço na Estrada

Estamos a meio desta estrada que se dirige para Poente de Leh, quando o nosso muito simpático motorista, nos pergunta se queremos tomar o pequeno almoço. Antes de continuarmos este relato há que fazer aqui um agradecimento público à Delhi Destination India Travel Center, que foi quem nos conseguiu não só este guia, como também uma fórmula de movimentação em Caxemira livre e sem constrangimentos. Neste estado, qualquer movimentação de um turista ou cidadão estrangeiro tem de ser autorizada previamente pelo estado de Caxemira. Ora pretendendo nós não ter um itenerário fixo e adaptá-lo à nossa vontade, conform fosse correndo cada dia, foi difícil conseguir esta liberdade de movimentos ... por isso se justifica bastante esta nota: o motorista era excelente, e o serviço prestado foi irrepreensível!

Voltanto ao convite do nosso motorista para um pequeno almoço, nós agradecemos, e dizemos que já comemos algo no hotel, mas ele insiste em que tomemos pelo menos um chá ... e explica que ele não tomou ainda nada, e assim fazíamos-lhe companhia. Acedemos ao convite então.

Paramos numa pequena povoação, ele entra num restaurante que não ousaríamos entrar, diz-nos para entrar, e sentamo-nos à espera do chá preto simples. O ambiente é humilde, simples e o nível de higiene aparente é o que imaginamos por fora. Por simpatia para com o nosso simpático motorista ficamos e provamos do chá ... mas não conseguimos acabar, influenciados por toda a envolvente.

Enquanto termina o seu pequeno-almoço, decidimos ir ver as lojas ao lado. Quando acaba, insiste em pagar-nos os chás e voltamos à estrada.


09.00 A Estrada Rumo à Altitude Máxima

Se ontem tínhamos achado a estrada difícil hoje o dia mostrou-nos que a estrada de ontem era um luxo!

O nosso destino de hoje é o famoso Lago Pang-gong (para o qual tivemos de ter a autorização especial do governo da cidade, a qual tratámos ontem de manhã, comforme aqui referimos), e para lá chegar temos um percurso de mais de 4 horas, por uma estrada que vai subir ao ponto mais alto de todo o estado de Caxemira (acessível por carro) e depois vai descer do outro lado até ao Lago.

Ora a questão aqui é não só o estado da estrada em si, que é verdadeiramente miserável (muitas vezes roçando o inexistente, mesmo), mas também a sua inclinação, o seu traçado e o seu trânsito impressionante (para um "carreiro" tão estreito). Esta é uma viagem duríssima do ponto de vista físico, emocional e até sensorial. Físico, porque por mais perícia que o motorista tenha, ou qualidade de suspensão que o carro tenha, os solavancos e encontrões são constantes e fortes, do ponto de vista emocional, porque o traçado da estrada não deixa ninguém indiferente aos abismos que estão a menos de 10 cm dos peneus e sensorial , porque a paisagem envolvente torna-se um espectáculo visual único, sobrepondo-se a todas as vertigens, sustos ou enjoos que se possam ter nesta interminável subida.

As cores, a escala e a imensidão são incrivelmente avassaladoras, tornando esta viagem algo único, memorável e impossivel de descrever em toda a sua plenitudem, nestas poucas linhas.


09.30 A Altitude Máxima

Ao longo de todo o caminho fomos vendo alguns cumes das montanhas dos Himalaias com neve, mas nunca pensámos lá chegar ... mas chegámos!

Quando chegámos ao cimo da estrada vertiginosa que subimos durante horas, raparamos que estamos exactamente num dos picos mais altos que sempre vimos ao longo de todo o caminho. Estamos a 5.360 m de altitude!

Alertados pelo nosso motorista que a paragem não podería ser superior a 5 minutos, por causa da falta de oxigénio a estas alturas, apressamo-nos a sair, ver as vistas, tirar as fotografias que queremos e em menos de três minutos começamos a sentir os efeitos da falta de óxigénio no ar que respiramos.

Como já tínhamos tido todos os sintomas de privação de oxigénio quando chegámos a Leh (há dois dias atrás), e estes tinham sido fortes o suficiente, para nos impedirem de fazer parte do programa que tinhamos preparado, rapidamente decidimos entrar no carro e começar a descer em direcção ao lago.

Não sem antes experimentarmos tonturas e dores de cabeça que surgiram de forma relâmpago em menos de três minutos


11.30 O Lago Pang-gong

Ao final de várias horas de viagem, depois de subirmos ao cimo de montanhas e de atravessarmos vales maravilhosos, finalmente chegamos ao destino de hoje: o Lago Pang-gong.

Situado a cerca de 4.420 m de altitude, este espectacular lago azul turquesa, serve de fronteira entre a Índia e o Tibete. Rodeado em toda a sua extensão (pelo menos até onde a vista alcança) de montanhas dos Himalaias, este lago, é uma das principais áreas naturais de todo o parque natural do Santuário do Deserto Frio de Changthang.

Com uma fauna de aves que migram para este lago durante o Verão importante e única em toda a cordilheira, esta espectacular massa de água encontra-se verdadeiramente isolada de qualquer sinal da civilização humana. A sua beleza é inquestionável ... tanto quanto o azul turquesa das suas águas cristalinas!


13.00 O Almoço no Acampamento

Porque a viagem até ao Lago Pang-gong levou tanto tempo, e foi tão dura, do ponto de vista físico e emocional, decidimos rumar até ao acampamento informal que estava na sua margem e buscar uma tenda para almoçarmos.

Decidimos por aquele que anunciava (falsamente, viemos a constatar mais tarde) ter casa de banho à ocidental.

Sentados numa mesa (que partilhávamos com uma família indiana), com vista para o lago, decidimos pedir algumas das especialidades que essa mesma família indiana estava a comer ... e que nos informou que não eram picantes (já se sabe que o que para indiano não é picante, para nós é ... mas é algo que nos habituamos aqui ao fim dos dois primeiros dias).

Para grande surpresa nossa a comida que veio para a mesa era, não só verdadeiramente apetitosa, como também muito pouco picante, tornando-se assim o complemento ideal para este almoço, em pleno acampamento nos himalaias, com vista direta para o espectacular Lago Pang-gong!


14.00 Os Vales dos Altos Himalaias

Tanto à vinda, como à ida, um dos momentos mais impressionantes de todo o percurso de hoje foram os vales dos Altos Himalaias.

Estes vales, rodeados de montanhas dignas de um cenário lunar, tinham pequenos riachos que serpenteavam entre prados verdejantes, ora repletos de cavalos selvagens, ora de vacas e pastores, ora de yaks.

O nível de beleza destas paisagens, as flores, os pássaros, os animais e os cheiros desta natureza em puro estado selvagem, deram-nos momentos de beleza natural que, unianimemente, entram para as melhores alguma vez vistos na nossa vida.

Estes vales são magníficos e verdadeiramente mágicos!


16.30 O Mosteiro de Chemrey

Depois de percorrermos todo o caminho de volta ao vale da cidade de Leh, começamos então a nossa etapa final deste dia e que nos vai levar a visitar três dos mais emblemáticos mosteiros desta região. O primeiro a que nos dirigimos é o Mosteiro de Chemrey.

Fundado em 1640, este mosteiro tem uma localização espectacular. No topo de uma colina, com a aldeia de suporte a desenvolver-se nas vertentes rochosas da mesma, este mosteiro é uma pérola da arquitetura tradicional budista nepalesa, tornando-se assim numa jóia museológica de visita obrigatória.

Como todos os mosteiros budistas nesta região de Ladack, também este se encontra ainda em funcionamento, albergando mais de uma centena de monges, que circulam discretamente pelas instalações do mesmo e dando-nos a hipótese de perceber um pouco dos seus hábitos e costumes.

Foi uma excelente primeira visita monumental de hoje ... mas porque nos esperam mais duas, voltamos à estrada!


17.30 O Mosteiro de Hemis

A cerca de meia hora de caminho, e depois de subirmos meia montanha, chegamos ao maior e mais importante mosteiro da actualidade em Caxemira: o Mosteiro de Hemis.

Fundado em 1630, este rico mosteiro foi sendo sempre benificiado pelos reis de Ladack, pelo que a riqueza da sua arquitetura, a monumentalidade das suas pinturas de ouro e esmalte e a dimensão do seu templo principal, não têm paralelo com os outros mosteiros. Uma das suas principais atrações é uma sala de assembleia (e não um templo) onde está uma gigantesca imagem de buda sentado, toda dourada. Esta sala é verdadeiramente espetacular e estava a ser limpa por um monge, que o ver-nos entrar, sorriu, e continuou nos seus afazeres, como se nada se tivesse passado.

Tal como em todos os mosteiros anteriores, também aqui somos os únicos ocidentais (e quase os únicos turistas) a visitar estes mosteiros. Esta particularidade de estarmos apenas nós e os monges, não só permite uma maior fruição dos mosteiros em si, como também permite-nos perceber melhor a mecânica dos mosteiros, sem estes estarem formatados para a recepção de turistas. Aparentemente, aqui na região de Ladack, os mosteiros funcionam normalmente ... apenas abrem as suas portas à visita de turistas ... mas em nada alteram as suas rotinas.


18.30 O Mosteiro de Tikse

Já depois da hora de fecho dos mosteiros aos turistas (que fecham todos às 18.00h), chegamos ao terceiro e último mosteiro de hoje: o Mosteiro de Tikse.

Situado a pouco mais de 15 km de Leh, este rico mosteiro tem na sua arquitetura monástica e colorida e na biblioteca os seus pontos fortes.

Se por um lado, a biblioteca já se encontrava de portas fechadas, a arquitetura essa está totalmente disponível para ser visitada. Assim subimos o equivalente a cerca de 9 andares de um piso de apartamentos e chegamos ao pátio principal do mosteiro de onde todos os caminhos, todas as escadas e todos os edifícios partem. Demoramos cerca de uma hora a explorar todas as passagens, terraços, corredores e pátios e a admirar as vistas inacreditavelemte belas de toda a envolvente.

Este é o último monumento que visitamos antes de partirmos de Caxemira em direção de novo a Nova Deli ... e foi uma excelente forma de encerrarmos esta visita a um dos estados mais desconhecidos da Índia.


21.00 As Últimas Compras e o Último Jantar

Depois de sairmos de Tkse, voltamos a Leh e decidimos ficar pelo centro da cidade para fazermos umas últmas compras nas centenas de lojas que esta cidade tem com produtos da região.

Escolhemos, regateamos e compramos ... e este cerimonial repete-se várias vezes ao longo das ruas. É uma cidade que vale a pena conhecer. É mágica única e magnética. Não podemos terminar esta visita sem um jantar num dos característicos e muito populares restaurantes jardim, que pontuam todo o centro. A nossa estcolha recai sobre o World Garden Café, e a escolha de menú não podería deixar de ser a cozinha tradicional de Caxemira.

Foi um final de noite em grande, num espaço que só por si vale a pena a visita, pelo descontraído, pelo autêntico e pelo agradável que é.

Assim encerramos o dia de hoje ... mas com uma certeza: depois de visitarmos tantos mosteiros, de percebermos um pouco mais da vida dos monjes que vivem neles, de viajarmos por paisagens naturais no seu estado puro e por vivermos sensações únicas e tão fortes ... encontrámos mais uns marajás - os marajás celestiais!

Mas como a Rota dos Maharajas não fica por aqui ... amanhã partimos de volta a Delhi, para vermos os maharajas da Politica!

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