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VIAGEM DE VERÃO EM DIRETO 2019 | NOS TRILHOS DE VERA CRUZ - DIA 06




O ACORDAR DO PANTANAL

Se ontem começámos o nosso dia com a percepção do acordar de uma fazenda pantaneira, hoje levantámo-nos ainda a fazenda dormia. Acordados e preparados, às 05 da manhã partimos para a nossa primeira aventura do dia: uma caminhada pelo Pantanal até à torre mais alta da fazenda, para aí assistir ao Nascer do sol.

Liberados pelo nosso simpático e sempre animado guia Tadeu, lá fomos passadeiras de madeira fora, em direção ao mato. Desta vez a caminhada foi toda sobre água (e algumas vezes com água por cima do tornozelo) e por isso todo o percurso foi feito por passadeiras de madeira elevadas. No entanto, e porque estamos no Pantanal, todo o cuidado foi pouco e assim foi com algum cuidado e muita adrenalina que passamos a poucos centímetros de jacarés (que estavam na água ao nível dos nossos pés (de vagar e sem fazer barulho, com indicações precisas e cuidadosas do nosso cicerone). Foi uma caminhada pelo escuro absoluto, onde apenas se ouvia os nossos passos e pouco mais.

Ao fim de uma caminhada de pouco mais de 25 min chegamos à torre (desta vez de metal e moderna) e subimos os seus lances de degraus íngremes até à plataforma do topo. Assim que chegamos percebemos que estamos muito alto, bem acima de qualquer copa de árvore e que o espectáculo do nascer do sol estava prestes a começar.

Em silêncio esperamos pela alvorada, e assim que os primeiros raios de sol se vêem, começa uma sinfonia de cânticos, ruídos e sons, que nos indicam que o Pantanal está a despertar. Ficamos nesta torre pouco mais de meia hora, e neste pequeno tempo o sol nasce e todos os sons da selva despertam e tornam-se fortes e impressionantes.

A vista é deslumbrante, a beleza estonteante e o momento perfeito!







A CAVALGADA NO PANTANAL

Depois de descermos da torre, de voltarmos para a fazenda e de tomarmos um excepcional pequeno almoço (que hoje tinha pastel de carne e tarte de legumes, e sumo de tangerina absolutamente deliciosos), vamos a pé até ao local onde vamos começar a nossa próxima aventura: o Passeio a Cavalgada no Pantanal.

Depois das apresentações feitas, entre nós e o peão Paulo, depois das regras explicadas (o cavalo que vai sempre à frente é o do Paulo e em terra mais seca podemos andar lado a lado, mas em terra mais húmida, convém ir um cavalo atrás do outro por causa das cobras e dos jacarés que existem nas águas ... umas regras que nos dão bem a noção da aventura que estamos a começar) lá saímos da zona dos estábulos e vamos todos em direção ao Pantanal.

O que se seguiu nas próximas três foi absolutamente mágico. A cavalo pelo pantanal dentro as paisagens ganham outro impacto e a adrenalina começa a subir. Primeiro estamos em terreno seco, mas depois começamos a entrar na água. Das primeiras vezes que entramos na água a sensação de maravilha com toda a situação, cenário e vivência é arrebatadora, mas mais à frente, quando o cavalo fica mergulhado em água até à sua cabeça e nós até à nossa cintura, torna-se verdadeiramente uma cena de um filme, que estamos a viver ao vivo e sem qualquer subterfúgio ou artificialismo.

Esta cavalgada pelo Pantanal foi absolutamente indescritível, pois teve momentos de grande adrenalina, nomeadamente quando todos rodeamos com os cavalos um Papa Formigas (um dos maiores animais do Pantanal, e extremamente difícil de ver, mas que tivemos a sorte de o encontrarmos e de ele se deixar ver), teve momentos de absoluta surpresa, como quando o Paulo chama os bois com uns sons que nos parecem estranhos, e logo de seguida começamos a ouvir o som de animais a andar na água e minutos depois surgem dezenas de bois que vêm até nós, mas também momentos de absoluta maravilha, como quando cavalgámos nos vastos pântanos da região, apenas acompanhados por árvores, flores e pássaros.

Foi uma das mais incríveis sensações que tivemos na vida, e que, seguramente nunca esqueceremos. O verdadeiro Pantanal só se consegue ver e viver de uma maneira: em cima de um cavalo pantaneiro!




O ÚLTIMO ALMOÇO E A PARTIDA

Foi encharcados da cintura para baixo, com as nossas botas de borracha cheias de água, mas absolutamente em êxtase que regressamos à Pousada e nos preparamos para o último almoço antes de partirmos.

Este almoço teve uma novidade: um bolo de Coco e Doce de Leite com chocolate, que nos deixou rendidos e simplesmente conquistados com esta gastronomia simples, mas muito deliciosa.

Esta foi uma curta estadia na Fazenda Araras, marcada por paisagens incríveis, um pôr do Sol e um nascer do Sol, deslumbrantes, um passeio de canoa belo e uma cavalgada inesquecível.

Mais do que tudo há que ressaltar a excepcional simpatia e disponibilidade de todo o staff da pousada, mas especialmente do nosso guia Tadeu. Foi graças a ele que vimos muitos dos animais (alguns verdadeiramente raros), foi graças a ele que toda a nossa estadia teve actividades organizadas num crescendo de emoção e foi graças a ele que ficámos a conhecer o espírito desta região brasileira, ainda bastante virgem, mas sem dúvida com uma beleza rara, única e absolutamente marcante.

Como disse o nosso motorista de regresso ao aeroporto de Cuiabá "vocês tiveram muita sorte, pois o Tadeu é um dos melhores guias que vocês poderiam ter!"

Mas se a nossa estadia na Pousada Araras foi especial graças à simpatia de todos, os nossos percursos entre Cuiabá e a Fazenda Araras e de regresso, não foi menos ... tudo graças ao simpático, simples e muito conversador Claudemil.

Ele é um apaixonado confesso do Pantanal, ao ponto de quando tem férias, apesar de trabalhar diariamente com turistas no Pantanal, prefere ir passear com a sua mulher para esta região do Mato Grosso. A sua beleza é algo que o fascina e sabe todas as histórias sobre a região, os seus animais e os seus costumes. Explica-nos tudo sobre as cidades que passamos, bem como a importância do Garimpo de Ouro na região (explicando que, apesar de já não ser tão poluente como era no início dos tempos de quando veio do Pará há mais de 15 anos atrás, continua sem gostar de ver esta actividade a existir no seu amado Pantanal ... "porque se há tanta terra amontoada, tem de vir de um buraco igualmente grande! É ou não é?" explica-nos na sua simplicidade apaixonante.

É graças a ele que as mais de duas horas de estrada picada se transformam num prazer, e é graças a ele, à sua simplicidade e à sua simpatia que, logo assim que chegamos ao aeroporto, já temos saudades deste Brasil, incrível, profundo, autêntico e muito hospitaleiro.

Mas novos Trilhos de Vera Cruz nos espera, e assim sendo, despedimo-nos com um abraço do nosso incrível Claudemil e entramos no aeroporto de Cuiabáe para rumar até ao próximo destino.



CHEGAMOS À CIDADE HISTÓRICA DE SALVADOR

Dois voos depois (um dos quais da GOL, mas desta vez sem incidentes de maior), uma apressada e atribulada escala em São Paulo - Guarulhos 8pois como voamos em duas companhias diferentes temos de, em apenas duas horas recolher as bagagens, dar a volta das chegadas para as partidas, fazer o check in no novo voo e voltar a despachar as bagagens para o novo voo da Lam), chegamos às duas da manhã à capital do estado da Bahia: a histórica cidade de Salvador.

Como já é bastante tarde, a nossa prioridade é chegar ao hotel (o que não foi tarefa fácil, pois o acesso de carro à zona histórica é bastante complicado e limitado), descansar e preparar-nos par mais um destino único e especial neste Brasil contemporâneo.

Depois da grande e moderna metrópole de São Paulo, e depois do território virgem do Pantanal, chegamos à histórica Salvador e ao incrível hotel Vila Bahia.

Situado em pleno centro histórico da cidade, este hotel é uma autêntica casa senhorial antiga, agora transformada em hotel de charme, que nos deslumbra por uma decoração bem cuidada e nos conquista logo à chegada por um serviço atento e simpático.

Chegámos à cidade histórica de Salvador!

VIAGEM DE VERÃO EM DIRETO 2019 | NOS TRILHOS DE VERA CRUZ - DIA 05


O DESPERTAR DE UMA FAZENDA

A vida numa fazenda começa com o nascer do Sol. Assim foi com poucas horas de sono que acordámos no Pantanal.

O sol tinha acabado de se levantar, ainda a temperatura estava amena (uns 30º C) e os pássaros davam os primeiros sons da manhã, quando deixámos o nosso imenso quarto e nos dirigimos para um telheiro para tomar o primeiro "café da manhã" pantaneiro.

Pão de frango, sucos de fruta e pão de queijo, são apenas algumas das iguarias que se podem degustar logo às primeiras horas da manhã. O despertar na Fazenda é algo tranquilo, rodeado por uma natureza absolutamente luxuriante e que conta com uma arara de estimação da fazenda.

Tranquilo e absolutamente sereno foi o sentimento dos nossos primeiros momentos no Pantanal.


A SUBIDA DO RIO

Logo a seguir ao pequeno almoço, o nosso guia, o Tadeu, apresentou-se e levou-nos de pick up para o nosso primeiro programa do dia: subir o rio em canoa.

Após um curto passeio chegamos ao sitio dos caseiros onde estão já as canoas à nossa espera. Coletes vestidos e saltamos lá para dentro ... e começamos a remar rui acima. A sensação de tranquilidade é então maior do que nunca. À medida que nos afastamos do sítio, a natureza começa a ser mais luxuriante, mais presente e a vida selvagem começa a ser ainda mais presente.

Milhares de pássaros, de dezenas de espécies são a presença mais constante, mas claro que não faltam os macacos e os jacarés. Mas é o silêncio absoluto que se apodera do ambiente que é mais impressionante. O calor começa a apertar, a humidade a subir e ninguém fala. O peso da paisagem, das cores de verde e azul da vegetação e do céu e as cores vivas dos milhares de pássaros apoderam-se dos nossos sentidos.

É uma sensação única e muito impressionante a que se vive na subida deste rio da Fazenda Araras. Ficamos absolutamente rendidos à natureza poderosa do Pantanal.



A PESCARIA EM CASA DA SANDRA

Depois de mais de duas horas a subir e a descer o rio, voltamos ao ponto de partida e é aqui que conhecemos a dona da casa grande: a Sandra.

É ela que nos dá as canas (verdadeiramente canas naturais) com que passaremos a próxima hora. Numa ponte de madeira próxima instalamo-nos e com as canas em riste e carne de búfalo no anzol, esperamos tempos infindáveis por que um peixe morda o isco. E ao fim de mais de uma hora, é isso mesmo que acontece: um pequeno peixe dragão morde o anzol e toda a serenidade e calma que reinaram até aí se transformam em excitação e alegria.

O peixe é desprendido do anzol e devolvido ao rio ... e enquanto os restantes continuam a tentar a sua sorte, eu volto em direção à casa e entro na cozinha da Sandra, onde ela prepara o almoço dos Peões: um entrecosto de búfalo feito em forno de lenha. Começo a falar com ela e ela explica que esse forno é muito potente, por isso é que a carne fica muito tostada por fora e tenra e suculenta por dentro. Peço para provar e prontamente pega numa faca e dá-me uma lasca dessa carne.

Tenra, rica em sabor e meio salgada (usa sal refinado, explica ela), mas muito suculenta e ainda melhor quando abre uma lima e espreme o sumo para cima do segundo pedaço que me dá a provar. Não podia haver melhor momento pré almoço ... foi tudo absolutamente perfeito!



O ALMOÇO E A HORA DA SESTA

Depois de ter provado o entrecosto de búfalo (criação da fazenda) voltamos todos para a pousada da fazenda e temos já tudo preparado para um almoço com iguarias da região.

Pergunto aos empregados qual escolheriam, e indicam-me carne de vaca estufada com banana pão acompanhado com aboborinha assada e arroz. Tudo regado com uma cerveja de cuiabá aromatizada com coentros. É absolutamente perfeito e é o início da tarde.

Mas antes de qualquer programa, porque o calor é muito, regressamos aos nossos quartos e temos tempo para uma sesta. Há quem prefira as redes espalhadas pela pousada ... enfim, é tempo de relaxar e deixar o tempo passar a um ritmo próprio e lanzeiro. É tempo de descansar antes do programa do final de tarde.





A CAMINHADA PELO MEIO DO PANTANAL

Acordados, tomamos um café servido no meio das árvores, calçamos umas borracha  e partimos a pé para o meio do Pantanal.

Esta caminhada, para quem gosta de mergulhar no meio da selva pantaneira, é perfeita: os trilhos são isso mesmo, pequenos caminhos no meio de uma vegetação frondosa e que tudo invade e muda, atravessamos zonas de água rasteira e caminhamos pelo meio do mato. Ao longo do caminho conseguimos ver alguns animais, como capivaras, veados, javalis, macacos, tatus, muitos pássaros, uma rara tartaruga pantaneira e claro muito gado e cavalos pantaneiros.

Mas são as libelinhas, borboletas, frutos e ninhos de térmitas (gigantes por sinal) que nos acompanham de forma mais constante. São umas horas a andar pelo meio do mato, que culminam na subida a uma torre de observação, que nos leva até acima da copa das árvores e nos permite ter uma visão 360º sobre a mata frondosa que nos rodeia.

No final está guardado o melhor momento: no retorno para a fazenda, passamos por uma zona de pântano larga que nos permite ver um pôr do Sol incrível e absolutamente deslumbrante: é o ponto alto do dia, unanimente classificado como um momento poético e inesquecível.



A FOCAGEM NOCTURNA

Depois de voltar para  fazenda, segue-se mais um momento de pausa, antes de um jantar com pratos da região. O nosso destaque vai para o peixe frito pescado no rio que subimos, e para a vaca estufada ambos acompanhados com um delicioso jiló assado. A rematar uma mousse de lima e doce de leite, absolutamente deliciosa.

Mas logo a seguir ao jantar subimos num camião e vamos fazer a última actividade do dia: uma focagem nocturna para ver os animais nocturnos. Aqui o passeio é mais misterioso e não fora o olhar de "jaguar" do nosso guia Tadeu e não tínhamos visto um Osselote à caça ou uma Tarantula gigante. Foi um passeio pautado pelos barulhos nocturnos do Pantanal e encerrou o dia com a emoção de ver estes dois raros animais. Assim terminou o nosso dia de descoberta do Pantanal, uma das regiões mais virgens de todo o Brasil e que, nem de propósito é feita no dia em que se comemora a chegada de Pedro Álvares de Cabral ao Brasil: a 22 de Abril de 1500 Pedro Alvares de Cabral descobre oficialmente o Brasil, e a 22 de Abril de 2019, nós descobrimos os Trilhos Pantaneiros!

VIAGEM DE VERÃO EM DIRETO 2019 | NOS TRILHOS DE VERA CRUZ - DIA 04


A DESPEDIDA DE PINHEIROS

O segundo dia de São Paulo foi intenso, recheado e diverso, que nos fez ainda mais apaixonar por esta metrópole, e acordar pela última vez na nossa Casa de Pinheiros, fez-nos ainda mais ter a certeza, que esta é uma cidade onde se vive muito bem e a qualidade é uma exigência do dia a dia.

Depois de refazermos as nossas malas, rumamos à cozinha, escolhemos o nosso café da manhã caseiro e instalamo-nos no páteo interno da casa. Deleitamo-nos com esta tranquilidade da Urban Guest House, pela última vez, e preparamo-nos para umas últimas horas frenéticas, nesta metrópole brasileira.

Fazemos o check out, chamamos o Uber rumamos ao maior ícone da cidade: a Avenida Paulista


A AVENIDA PAULISTA

A mítica avenida de São Paulo, aos domingos, encontra-se fechada ao trânsito automóvel. Só assim nos foi possível perceber a beleza única que esta artéria icónica tem.

Ladeada por torres de escritórios, a avenida tem um equilíbrio entre arquitetura moderna, arquitetura de betão, jardins e arvores frondosas e torres de telecomunicações, indescritível e que a transformam numa avenida bela.

Tem boas obras de arquitetura, nestes domingos pedonais, transforma-se num meeting point de artistas de rua que lhe transformam o ambiente de executivo e financeiro para ecléctico e curioso, mas são as pessoas e o ambiente sofisticado, mas relaxado que se vive, que realmente a transformam numa das mais cosmopolistas avenidas do mundo.

É sem dúvida um dos momentos mais marcantes desta passagem por São Paulo, e merece toda a fama que tem, como destino turistico em Sampa.



O MASP

Ora se estamos na Avenida Paulista, é inevitável uma visita ao seu expoente máximo: o Museu de Arte de São Paulo.

O icónico edifício, desenhado pela genial arquiteta modernista brasileira Lina Bo Bardi, é de uma espetacularidade e de uma simplididade arquitetónica deslumbrantes.

Depois de mais uma hora de fila, entramos e deparamo-nos com uma exposição de arte permanente desenhada pela própria arquiteta, e que nos deixa absolutamente rendidos à sua beleza minimal. Todos os quadros e esculturas flutuam no ar, numa única nave, em cavaletes de vidro elegantes e subtis. A exposição permanente do MASP é um autêntico exercício de bom gosto, e de design modernista minimal, que cia uma comunhão das obras de arte com o edifício sublime e entusiasmante, difícil de esquecer.

É um dos locais de passagem obrigatória em São Paulo. Assim dizem os roteiros e assim reiteramos nós!



OS PASTEIS DO KYOTO E A JAPAN HOUSE

Um dos petiscos mais populares de São Paulo são os famosos pastéis ... e é em plena Avenida Paulista que está o melhor Pastel da Cidade: no Quiosque dos Pastéis Kyoto.

Com uma dimensão generosa, esta street food é autêntica e genuina e é o encerramento perfeito para a viagem gastronómica que fizemos por São Paulo ... mas não foi o ponto final da nossa visita à cidade.

Mesmo ao lado destes Pastéis divinos, está a Japan House de São Paulo. Aqui toda a qualidade da arquitetura e da arte e tradições do "país do sol nascente", deslumbra todos os que lá vão. Aqui sim decidimos encerrar a nossa visita a São Paulo, chamando um Uber para nos levar ao hotel, para apanharmos as malas e seguirmos para o aeroporto para rumarmos ao nosso próximo trilho de Vera Cruz.


O PRIMEIRO VOO INTERNO ... E O PRIMEIRO PERCALÇO

Depois de uma viagem de mais de 1h no trânsito (e sendo fim-de-semana de páscoa, a cidade estava vazia, segundo nos disseram todos), chegamos ao terminal 2 do aeroporto de Guarulhos.

Seguimos para o Check In eletrónico da GOL, vamos para as filas das máquinas, chega a nossa vez, e tentamos fazer o check in sem sucesso. Aqui uma assistente de terra informa-nos que essa máquina está a dar erro, mudamos de máquina e esperamos na fila ... e quando chega a nossa vez, dá um erro, pois temos de comprar as malas adicionais ao nosso bilhete, e isso afinal as máquinas não estão a permitir (informa-nos a mesma assistente, que apesar de nos ver com três malões gigantescos só nos diz isso agora). Vamos para a fila do balcão de assistência para irmos pagar as malas (conforme nos indicou) e quando chega a nossa vez, por termos cartões de crédito internacionais (e não brasileiros) informam-nos que afinal temos de ir pagar as malas adicionais à loja da companhia. Já meio irritados, acedemos e atravessamos o terminal e vamos até à loja, onde fazemos fila outra vez e pagamos as malas. Pedimos os cartões de embrarque, mas a funcionária informa-nos, que agora sim temos de ir para as máquinas de check in para fazermos o check in. Mais uma fila, mais uma máquina estragada, e mais uma tentativa numa máquina que afinal funciona, mas que diz que não nos pode designar lugar. Já exasperados com a situaçãoq que dura demasiado tempo, vamos diretos ao balcão de assistência das máquinas que nos informa que também não consegue resolver a questão, mas que o melhor é irmos ao drop off das malas e pedir à assistente que lá está no balcão de check in para nos forçar o check in. Assim o fazemos e dirigimo-nos rapidamente para a segurança e finalmente para a porta de embarque. Faltam apenas 30 minutos para a partida do avião e corremos para a porta de embarque ... que quando lá chegamos se encontra fechada ... e nós ficamos em terra.

Com a inoperacionalidade brasileira no seu auge nesta companhia GOL, perdemos o primeiro voo interno, pois apesar de termos chegado 1h e 25min antes da hora do voo, todo o tempo foi desperdiçado em incompetência e falhas das assistentes de terra da companhia e erros nas máqionas de check in da companhia. Nenhum destes argumentos foi válido para a mesma assistente que nos vendeu as malas para os nossos bilhetes de avião, e assim tivemos de pagar uma taxa de reemissão de bilhetes para podermos ir no voo das 20:50, que consequentemente parte com mais de 30 minutos de atraso, sem qualquer explicação aos passageiros e sem qualquer pedido de desculpas.

Infelizmente o nosso primeiro voo interno foi com a GOL e foi assim que tivemos o primeiro precalço da nossa viagem. mas embarcámos e voámos do trilho de São Paulo para um novo estado e um novo ícone do Brasil contemporâneo: o Mato Grosso e o Pantanal.


A CHEGADA NOCTURNA AO MATO GROSSO

Depois de cerca de duas horas de voo, chegamos ao aeroporto da capital do estado de Mato Grosso: Cuiabá.

à nossa espera está o Nelson, que simpaticamente nos aguarda com um sorriso aberto e nos explica que vamos viajar praticamente durante mais duas horas por estrada até ao nosso destino final: a Fazenda Araras, em pleno Pantanal.

Depois de sairmos da zona urbana, o escuro é total, e a nossa viagem pela transpantaneira é dominada pelo cansaço e pelo negro de uma paisagem que não se revela aos viajantes ncturnos desta estrada icónica do Brasil contemporâneo.

É assim que chegamos ao nosso destino final de hoje, e já depois da meia noite, vamos dormir, porque amanhã o cenário muda e da "Selva de Pedra" de São Paulo, passaremos à paisagem pantanosa e verde do famoso e misterioso e icónico Pantanal.

VIAGEM DE VERÃO EM DIRETO 2019 | NOS TRILHOS DE VERA CRUZ - DIA 03


O ACORDAR DE PINHEIROS

Neste segundo dia de São Paulo, percebemos a tranquilidade que reina na Urban Guest House de Pinheiros.

A simplicidade da casa é contrabalançada com qualidade da sua decoração, a serenidade do ambiente que se vive no pequeno almoço (tomado na cozinha da casa que se abre para o páteo e jardim interno da casa) transformam-na no local perfeito para acordar na frenética e nervosa metrópole de Sampa (como lhe chamam os locais)

Foi assim que acordámos ppela primeira vez em São Paulo e nos preparámos para mais um dia recheado de grandes momentos. Se no dia anterior nos dedicámos a conhecer os locais icónicos da cidade - monumentos, mercado e restaurantes ou bares de samba - hoje o programa reserva-nos uma volta por esta que é a capital da arte no Brasil e na América do Sul.


UM MUSEU BRASILEIRO

Depois do acordar tranquilo rumamos ao nosso primeiro ponto do programa - a Casa de Vidro de Lina Bo Bardi. Infelizmente, esta casa icónica do modernismo brasileiro estava encerrada (por ser fim de semana de Páscoa) e assim rumamos diretamente ao nosso segundo ponto no programa: a Pinacoteca de São Paulo.

Se a primeira fica no chic e elitista bairro de Paraisopolis, a segunda fica mesmo no centro, e quando chegamos deparamo-nos novamente com uma fila gigante para entrarmos. Mas se esta fila era grande, o motivo era porque neste sábado de aleluia a entrada era gratuita ara todos.

Quando entramos (depois de cerca de 45min de fila) encontramos um edifício do princípio do século totalmente intervencionado por um traço arquitetónico contemporâneo, invadido por obras que vão desde o início do século XIX à mais contemporânea arte interativa brasileira.

Foi uma manhã bem passada e recheada de bons momentos. Mas havia mais arte para o programa de hoje ... e para isso, chamámos um Uber (com muita dificuldade, diga-se pois os WiFis que deviam funcionar, são tudo menos regulares e de qualidade, pelo que esta simples tarefa leva um tempo infindável) e rumamos ao nosso ponto seguinte: o almoço



O RIO PAULISTA

Para almoço escolhemos um bar muito popular, com estilo e cozinha do rio de janeiro, mas em pleno coração do bairro paulista de jardins: o Piraja de Brigadeiro Faria de Lima.

Depois da cerimónia de darmos o nome e de esperarmos pela nossa mesa, voltamos a encontrar-nos num espaço absolutamente energizante, recheado de pessoas estimulantes e com um "cardápio" absolutamente incrível.

Assim, depois de nos deliciarmos com uns croquetes de carne (novamente irrepreensíveis), uns pasteis de carne deliciosos e uns bolinhos de arroz com recheio de camarão divinais, veio um Picadinho do Leblon e uma Carne Seca de Panela que não deixaram ninguém indiferentes, mas foi novamente nas sobremesas que tudo se tornou absolutamente mágico, com um pudim de caipirinha negra, que nos levou ao céu gastronómico com sabores brasileiros. A textura, o equilóbrio dos sabores e a presença discreta mas essencial da cachaça polverizada em vapor em plena mesa, fizeram desta uma sobremesa incontronável nesta nossa passagem por este popular, mas reconhecido bar de gastronomia carioca, em pleno coração paulista.


O WALTER E A LIÇÃO SOBRE ARTE INDÍGENA

Depois do maravilhoso almoço, voltamos para o nosso  bairro de Pinheiros e vamos até à única Amoa Konoya.

Esta é uma loja dedicada exclusivamente a arte indígena do brasil, que tem à frente um dos personagens mais incríveis que se pode conhecer: o inigualável Walter.

No meio desta autêntica "gruta do ali-bá-bá" recheada de obras de arte indígena, ficámos a conhecer um conjunto de tradições, técnicas e histórias das tribos brasileiras. Durante mais de duas horas e meia tivemos uma conversa pessoal e intransmissível com um dos maiores conhecedores mundiais de arte indígena, tendo provado um guaraná caseiro absolutamente delicioso, e tendo também ficado maravilhados com os absolutos desouros que recheavam esta pequena loja familiar de duas salas.

Foi mais um momento alto desta nossa viagem, que nunca iremos esquecer, pelas histórias que ouvimos, pelas obras de arte que vimos e pelas sensações que sentimos. Foi uma tarde enriquecedora a falar sobre arte e identidade brasileira que nos encerrou este dia e nos preparou para o momento seguinte ...




UM DOS MELHORES RESTAURANTES DO MUNDO

Voltados à nossa Casa em São Paulo, relaxados e já preparados saimos então para jantar no restaurante mais famoso de São Paulo: o D.O.M.

Orientado pelo conceituado Alex Atala, este restaurante do bairro de Jardins, especializou-se em recuperar tradições, ingredientes e técnicas de cozinha indígena trazendo-as para a alta cozinha brasileira. Num ambiente absolutamente exclusivo (ainda para mais que ficámos na sala privada do restaurante) sucedeu-se um menu de degustação que nos faz provar formiga tropical em bala de cachaça e ao natural, peixes do amazonas, ou mandioca feita em mais de 5 maneiras, ou até folhas amazónicas que nos alteram os sabores.

Este é um menu de uma mestria técnica e de uma pureza conceptual difícil para palatos menos habituados, mas que não deixa de ser unanimente aceite como um momento alto e especial para qualquer apreciador da alta gastronomia contemporânea.

Sim o D.O.M está classificado entre os 50 melhores restaurantes mundiais ... e não sendo consensual a sua abordagem gastronómica, é consensual o seu mérito e a sua qualidade!


O BECO DAS ARTES

Depois da alta cozinha paulista, juntámo-nos novamente ao nosso paulista preferido Marcelo Andrade, e fomos até um dos locais mais icónicos da cidade: o Beco do Batman.

Em São Paulo, a arte urbana tem uma presença muito grande, e a sua qualidade é indubitável. Embora esteja espalhada um pouco por toda a cidade, é no Beco do Batman que ela atinge o seu expoente máximo. Em pouco mais de 200m de rua secundária, os grafittis tornam-se na verdadeira arte efémera urbana que são.

Assim, foi de noite, com morcegos a voar sobre as nossas cabeças (literalmente) que fomos visitar este local tão misterioso quanto fascinante. Ainda bem que fomos à noite, pois estando bem iluminado permitiu ver bem as verdadeiras obras de arte que cobrem os muros traseiros das casas, mas ao mesmo tempo o escuro da noite acentuou o mistério e o fascínio deste beco tão peculiar e particular.

A arte urbana brasileira no seu apogeu também marcou presença neste dia que dedicámos às artes de São Paulo e em São Paulo.



O DESIGN DAS NOVAS CATACUMBAS

Mas a noite não poderia acabar sem irmos até um bar, dos mais recentes da cidade, e com uma arquitetura e design contemporâneos únicos: o Bar dos Arcos.

Situado nas caves do fabuloso Teatro Municipal de São Paulo, este bar tem na sua sala e nas suas mesas de luz um dos seus trunfos mais espectaculares. O espaço é absolutamente mágico, o mobiliário é de uma dimensão artistica inquestionável mas é na sofisticada carta de cocktails, no mais contemporâneo jazz brasileiro e internacional que está a chave do successo desta casa.

Depois de um dia dedicado a momentos artisticos tão diferentes (as artes plásticas na Pinacoteca, as artes indígenas na Amoa Konoya e as artes gastronómicas no D.O.M. e as artes urbanas do Beco do Batman), este foi o pináculo da sofisticação perfeito para encerrar um dia artistico na capital da arte da America do Sul.

VIAGEM DE VERÃO EM DIRETO 2019 | NOS TRILHOS DE VERA CRUZ - DIA 02


JÁ CHEGÁMOS A SÃO PAULO ... MAS FOI DIFÍCIL

Depois de uma noite tranquila a bordo de um dos novíssimos A330 da TAP, chegamos ao aeroporto de Guarulhos de São Paulo.

O primeiro impacto da nossa chegada é a fronteira: uma sala enorme, com filas ainda maiores, e apenas três ou quatro guardas de policia a fazer o controlo de passaportes. E claro, quando mudou o turno, alguns não chegaram a horas, mas os que estavam a trabalhar sairam na hora certa.

O caos ficou instalado com milhares de pessoas a chegar e todas a serem controladas individualmente, por muito poucos guardas (devido à hora matinal, explicavam os brasileiros da fila). Foram duas horas para sair do aeroporto ... e ainda não tinha acabado a nossa aventura para rumar a São Paulo.

A próxima aventura foi uma que nos custou mais uma meia hora (pelo menos): chamar um Uber. Se estão a pensar que o problema era não haver carros, desenganem-se: foi mesmo haver muita gente a querer apanhar tanto uber e os carros irem buscar os passageiros das chegadas no piso das partidas e vice versa. Ora como um piso e outro têm estradas sobrepostas, a confusão era" Mas nós estamos aqui", "pois eu também" ... mas na realidade, cada um estava no seu piso do viaduto, e os motoristas não sabiam dizer que estavam nas partidas e não nas chegadas. Ora primeiro que nós, acabados de chegar nos apercebessemos dissso, demorou algum tempo e vários Ubers cancelados pelos próprios motoristas, pois achavam que estávamos a gozar com eles. Tudo se resolveu com um motorista que perguntou se era para nos apanhar nas partidas ou nas chegadas. Aí encontrámos o nosso carro e rumámos ao nosso hotel em São Paulo.

Custou, mas foi: chegámos a São Paulo!


A URBAN GUEST HOUSE DE PINHEIROS

Para a nossa estadia nesta que é a maior metrópole da américa do sul, escolhemos uma típica casa do muito trendy bairro de Pinheiros.

Este bairro fica muito perto do centro histórico da cidade e é composto por um conjunto de pequenas casas e pequenos edifícios habitacionais, tradicionalmente casas familiares dos a primeira metade do século XX, que hoje estão transformadas em casas da classe média, lojas e pequenos escritórios.

É numa destas casas, transformada em Guest House (com apenas 10 quartos) que nós vamos ficar alojados em São Paulo: a Urban Guest House de Pinheiros.

Esta casa está muito bem recuperada, com uma decoraçao mderna, mas recheada de elementos vintage, com todo o charme de uma pequena casa burguesa familiar, mas com todas as comodidades de um alojamento de design e muito personalizado.

Este é o nosso primeiro contacto com a cidade, e é bastante positivo!


O PRIMEIRO CAFÉ DA MANHÃ NO BRASIL FOI NO GIRONDINO

O pequeno-almoço no Brasil (ou café da manhã, como chamam por aqui) é uma religião. Assim sendo, decidimos que o nosso primeiro tinha de ser especial e, depois de simpaticamente nos deixarem entrar bem antes da hora do check in oficial (que era às 15h e nós entrámos às 8h da manhã) no nosso quarto, tomarmos um duche, e mudarmos de roupa, rumamos a um dos cafés mais tradicionais da cidade de São Paulo: o Girondino.

Aqui, empregados impecavelmente fardados, atendem-nos com uma simpatia invulgar, num ritmo, apesar de tudo relaxado, e com uma bonomia que nos relembra onde estamos. No Brasil o serviço é sempre mais tranquilo e calmo, mas invariavelmente simpático. Mesmo no centro de São Paulo, cidade cosmopolita e onde a alta finança está instalada, tudo é feito com simpatia e com um ritmo muito especial.

Assim sendo, relaxamos e pedimos um café da manhã muito brasileiro: pão de queijo (divinal), um misto quente (que não é mais do que uma tosta mista) e sucos, acabando com um brigadeiro.

Foi um café da manhã digno de ser o primeiro, e marcar um alto standard para o resto da viagem, com tudo o que o Brasil tem de bom ... e com a qualidade de um café histórico da cidade paulista.


... E DEPOIS FOMOS AO MERCADÃO

A cidade de São Paulo, nesta quadra da páscoa está meio vazia, mas no centro, há sempre gente. Ainda para mais no fim-de-semana, pois é dia de Mercadão.

Assim seguimos as muitas pessoas que se movimentam todas numa direção e entre ruas e vielas, chegamos ao muito concorrido Mercado Municipal de São Paulo: o Mercadão.

Aqui a babilónia instala-se: pessoas de todas as cores e estilos movimentam-se em todas as direções, frutas absolutamente enebriantes perfumam o ar de um aroma único e indescritivel, um ruidoso mezanino de restaurantes serve os pratos tradicionais feitos com os produtos que se vendem em baixo, e carnes, picles, fumados, queijos, peixes, mariscos ou especiarias compõem um mosaico colorido e sensorial que nos assalta durante toda a visita.

Este é um local absolutamente indescritível e que nos causa uma primeira grande impressão: são paulo tem tudo e é o ponto de encontro de tudo o que é o brasil ... e no Mercadão, vende-se todos os ingredientes de todo o Brasil.




O CENTRO, A HISTÓRIA E A MODERNIDADE

Ainda embriagados por toda a loucura de cores aromas e sons que caracterizam o Mercadão, saímos de novo para as ruas e passeamos pelo centro de São Paulo.

Aqui percebemos que esta é uma zona em plena transformação. Existem já vários prédios recuperados, mas outros estão bastante degradados. É aqui que a cidade se encontra, com os pobres e os ricos num mesmo território mas sem conviverem. Mas o ambiente que se vive não é pesado ou hostil, é apenas frenético e surpreendente.

As cores dos prédios e das roupas das pessoas, o verde das árvores e dos jardins e canteiros, o céu azul e o relevo super acidentado desta cidade, fazem desta paisagem de torres de betão uma verdadeira selva. Os nossos olhos tão depressa apreciam monumentos históricos como o Páteo do Colégio, a Sé Catedral, o Mosteiro de São Bento ou o Teatro Municipal, como também se deleita com arte urbana ou torres de betão como os incríveis edifícios Copan (de Oscar Niemeyer) ou o edifício Eifel.

Esta é uma cidade de contrastes, vibrante, com uma luz e uma cor cativantes e que surpreende por essa energia que toda esta mistura transmite.

Sim São Paulo conquistou-nos por esta riqueza de diversidade e de contrastes exacerbados e entusiasmantes.


O BAR DA DONA ONÇA

Justamente no centro e em baixo de um desses edifícios icónicos do centro da cidade (o edifício Copan) está um dos locais mais in de toda a cidade: o Bar da Dona Onça.

Foi exactamente aqui que escolhemos almoçar ... mas mal sabíamos nós que outra surpresa nos aguardava: uma espera de mais de uma hora para comer. Aqui em São Paulo faz-se fila para tudo e tudo leva tempo a acontecer. Nos bons restaurantes, nos bons bares, as filas são algo absolutamente normal, e esperar faz parte do sistema. Do mais famoso ao mais popular, todos os restaurantes têm um sistema de inscrição do nome quando se chega e um SMS enviado quando a mesa está pronta. Aqui é assim e só depois é que se entra no local.

Esperámos, desesperámos e exasperámos, mas finalmente entrámos. E quando se entra o local está cheio, frenético de actividade, mas tudo funciona sobre rodas. A espera é de facto algo longo e a que não estamos habituados, mas quando acaba, tudo funciona na perfeição.

Então para que conste comemos um conjunto de petiscos muito brasileiros: coxinhas de carne, croquete de carne de panela (absolutamente incríveis), bolinhos de espinafres, pastéis de carne, chipes de jiló (muito interessantes) e para terminar foi um cheesecake de goiaba (também ele muito bom). A espera valeu a pena, pois foi longa mas o serviço foi inpecável, a comida boa, o ambiente sofisticado e o almoço foi um bom começo para a gastronomia brasileira.



O ARTURITO

Depois de almoço (que acabou já eram quase 16:30), decidimos ir descansar ao hotel e dormir uma pequena sesta, antes de nos começarmos a preparar para encontrar um amigo e jantarmos no primeiro templo gastronómico da cidade: o Arturito.

Este restaurante tem na sua cozinha uma das maiores maestrinas da gastronomia brasileira contemporânea: Paola Carosella. Foi aqui que nos encontrámos com os nossos amigos e que começámos a perceber a profundidade da cozinha contemporânea brasileira.

A herança de sabores tradicionais, no Arturito, está misturada com uma sofisticação da cozinha internacional, tendo uma grande influência italiana. É assim que nos deliciámos com um robalo fresquíssimo e muito bem confeccionado, umas lulas com linguiça artesanal de porco montau acompanhadas couscous libanês maravilhosas e uma beringela recheada com lentilhas irrepreensível. Tudo acompanhado com um vinho chileno mineral e muito bem aconselhado pelo escansão da casa.

Mas a grande surpresa estava guardada para o final: as sobremesas. Se o tiramisú estava excepcional, já o gelado de doce de leite era simplesmente perfeito, mas foi a panacota com um xarope de jabuticaba que nos conquistou a todos e fez com que todos concordássemos: era o prato da noite e entrou diretamente para a galeria dos sabores e inesquecíveis da nossa vida!


DEPOIS DA SINFONIA DE SABORES, VEIO O SAMBA DE RODA

Mas se o jantar foi uma autêntica sinfonia de sabores, cuja mestria de Paola Carosella, a elevou a um nível absolutamente surpreendente (e com um ambiente incrível, um espaço lindíssimo e um preço verdadeiramente correcto), o que se seguiu foi ainda mais incrível.

Guiados pelo nosso amigo Marcelo Andrade, cruzámos ruas e (depois de uma paragem rápida em sua casa para tomarmos um café delicioso e provar uma cachaça produzida pela família dele) acabámos em dois locais que não esqueceremos facilmente: o Pau Brasil e o Ó do Borogodó.

Estes dois bares, situados em Vila Madalena, são dois pequenos locais, que a qualquer desconhecedor passam absolutamente despercebidos, mas que dentro encerram duas maravilhas: duas rodas de samba, populares, alimentadas por músicos locais, que fazem destes bares muito especiais.

Se no Pau Brasil estavam cantores e músicos que se juntavam organicamente perante os nossos olhos, porque lhes apetecia tocar ou cantar, e nos encantaram com uma sessão infindável de um samba intimista e absulitamente mágico, já no Ó do Borogodó, estava uma verdadeira roda de samba, toda ela formada por homens de várias idades, que tocaram e cantaram um samba mais do sul do brasil, misturando referências do forró com ritmos de samba, num resultado hipnotizante e que não deixou ninguem parado. Todos demos um sambinha no pé, pois foi absolutamente impossível ficar parado com tal energia e tais ritmos.

Aqui o ambiente foi autêntico e único, inesquecível de tão forte e especial que foi. Tudo foi perfeito e São Paulo que já nos tinha conquistado, passou a encantar. Foi o final de noite perfeito e que nos preparou para o dia seguinte ... mas disso falamos amanhã!