VIAGEM DE VERÃO EM DIRETO 2019 | NOS TRILHOS DE VERA CRUZ - DIA 15


O DESPERTAR COM OS SOL DA SELVA

Por causa do calor que se faz sentir durante o dia, o acordar na Amazónia é feito com os primeiros raios de sol.

Mas há outra razão, é que durante o nosso pequeno almoço damo-nos conta também do despertar da selva diurna. A sinfonia selvagem nocturna silencia-se, e dá lugar a outra música e outros bichos. Macacos, araras, lagartos são os reis das atenções matutinas.

A Selva Amazónica tem dois ciclos muito diferentes, e verdadeiramente complementares. O nocturno de sons altos e harmoniosos, e o diurno onde as cores e as texturas compõem uma pintura absolutamente sublime.

Todo o nosso imaginário do que é a Selva Amazónica é absolutamente correspondido!



O BANHO MATINAL COM OS BOTOS

Porque nós acrescentámos passeios ao nosso programa, este nosso segundo dia de Selva Amazónica é passado numa lancha rápida privativa e que nos vai conduzir o resto do dia.

A nossa primeira paragem é a pouco mais de meia hora de viagem do nosso Eco Resort, para podermos nadar no meio dos famosos golfinhos do Amazonas: os Botos.

Dão-nos os coletes flutuantes obrigatórios, fazem-nos descer a uma plataforma com um tratador e peixe para os alimentar, explicam-nos que não lhes podemos tocar (devemos deixar serem eles a tocar-nos) e é então que a magia começa.

Atraídos por um chamamento muito particular do tratador, os Botos aparecem entre nós. Lindos, enormes, gentis e muito dóceis, estes enormes e inteligentes animais percebem que é hora de comer e de interagir com os visitantes ... e é isso mesmo que fazem.

São mais de uma dezena junta, e nós, que começámos com uma grande adrenalina sobre este encontro mágico, relaxamos e passamos a próxima hora a nadar com estes animais mágicos e com uma energia única e muito positiva.

Este banho em pleno Rio Negro é difícil de explicar e tem uma dimensão metafísica muito grande. É revigorados que voltamos ao nosso barco e rumamos ao nosso próximo destino.


POR FIM O AMAZONAS

Depois de nos secarmos nos "balneários" improvisados, voltamos à nossa lancha rápida e voamos sobre as águas do Rio Negro durante uma boa hora, até chegarmos a um dos momentos obrigatórios numa visita à Amazónia: o Encontro das Águas.

Num local, longe de tudo, rodeados apenas de água, e sem conseguir vislumbrar as margens de um lado ou do outro, o Rio Negro e o Rio Solimões juntam-se, um com a água negra e o outro com a água amarela.

A diferença de cores das águas é bastante visível e deve-se a um fenómeno de diferença de acidez, temperatura e densidade das duas águas, que faz com que seja um fenómeno natural bastante espectacular.

Aqui paramos, pomos a mão na água e comparamos as temperaturas das duas águas, e quando passamos com a mão a linha que separa as duas águas, esta muda incrivelmente de temperatura.

A água quente do Rio Negro, e a água fresca do Rio Solimões não se misturam de facto e são claramente diferentes, quer em textura (a do rio negro com menos sedimentos e terra, e a amarela com bastantes sedimentos e mais barrenta).

É uma experiência divertida e única que ainda bem que a vivemos.





A ALDEIA INDÍGENA

Quando marcámos a visita seguinte, pensámos que iríamos ver algo absolutamente artificial e feito apenas para turistas, e portanto sem grande interesse. Não fora a insistência do staff da recepção do hotel, não o teríamos feito ... e teríamos perdido um momento incrível.

Como fomos em lancha rápida privada, estivemos a sós com uma comunidade indígena que se mudou para mais perto de Manaus para poder ter uma qualidade de vida mais perto da nossa, mas que não deixa a sua cultura.

Assim sendo esta comunidade não só permite a visita de turistas, mas também explica um pouco das tradições e hábitos culturais. Mas eles vivem mesmo na aldeia que visitámos. Assim há crianças a correr, galos, galinhas e cães a passear, casas de madeira e folhas de palmeira, uma cozinha comunitária (onde estavam a assar uns peixes para o almoço) onde nos ensinam a abrir as castanhas de caju com os seus instrumentos, e um hall cerimonial onde nos recebem e nos dão a conhecer um pouco das duas danças e dos seus instrumentos, língua, hábitos e cultura.

Esta é uma tribo que é composta por índios de várias etnias e que aqui se juntaram, permitindo a visita de turistas apenas dois dias por semana. É uma experiência culturalmente enriquecedora, que apesar de ter uma dimensão turística muito forte, se torna autêntica pelas próprias pessoas com que contactamos.

Os seus sorrisos são genuínos, as suas histórias interessantes e o diálogo cultural, apesar de ser por breves momentos apenas, estabelece-se de facto!






O ALMOÇO NA CASA FLUTUANTE E AS VITÓRIAS RÉGIAS

Porque nos demorámos um pouco mais na tribo indígena, quando chegámos ao restaurante flutuante (sim fazia parte de uma das comunidades vivem em pequenos povoados flutuantes no Amazonas), já todos os outros turistas estavam de saída, e a comida que degustámos foi expressamente feita para nós.

Foi assim que conseguimos provar mais algumas iguarias do Amazonas, tão frescas e exóticas quanto deliciosas e interessantes. A mistura de frutos com peixes ou carnes, o uso das farinhas de mandioca e de tapioca como elementos de textura e de sabor, o tempero exótico com o coco e o dendê, fazem deste almoço uma lição de gastronomia amazónica muito boa.

Mas para encerrar o nosso dia na Amazónia, faltava um passeio. A partir de plataformas elevadas sobre as águas do Amazonas, e que serpenteiam toscamente entre a luxuriante vegetação da selva aquática, percorremos várias centenas de metros até um imenso lago repleto da famosa Vitória Régia Amazónica.

Esta planta aquática gigantesca é absolutamente majestática e impressiona pela sua dimensão. A visão que temos desde o miradouro da plataforma elevada, é absolutamente de cortar a respiração, pois o imenso lago está coberto destas impressionantes plantas e de um fino e sensível tapete de musgo aquático que tinha uma cor grená vibrante e muito contrastante.

Foi um final de visita à Amazónia repleto de beleza, solenidade e serenidade.



A RICA E CONTRASTANTE MANAUS

Mas se a nossa visita e estadia na Selva terminou com a vitória régia, o nosso dia não ficou por aí.

De lancha rápida, foi em cerca de uma hora que nos pusemos no movimentado terminal de barcos do centro da cidade de Manaus.

Aqui passamos do Barco para o carro onde já estão todas as nossas bagagens e que nos irá conduzir o resto do dia e noite, até nos deixar no aeroporto para o nosso voo de hoje à noite.

Assim que nos aproximamos de Manaus, percebemos que estamos numa grande cidade, mas muito especial. É que Manaus foi durante vários séculos apelidada como a cidade mais rica da América do Sul, e portanto os edifícios, anteriormente faustosos, estão hoje bastante decadentes, degradados e, alguns até, votados ao abandono.

No meio disto tudo, a informalidade construtiva e urbana que tão característica é das cidades brasileiras, tornou um centro antigo em algo absolutamente orgânico e vivo.

Aqui em Manaus, os contrastes logo à primeira vista são enormes e ainda mais exacerbados do que é costume neste Brasil contemporâneo!



OS DOIS MERCADOS

Mesmo junto ao porto estão dois mercados bastante diferentes: o Antigo Mercado Municipal do Centro, hoje dedicado a turistas e os diversos produtos procurados por estes (artesanato e alguns frutos típicos da selva) e mesmo ao lado o Mercado Popular, este sim já abastecedor dos habitantes de Manaus.

Se a entrada no primeiro é obrigatória pela beleza da arquitectura de ferro do edifício, muito bem recuperado e portanto de uma beleza incrível, já no segundo esta é só para quem não se importe com o caos de cheiros, texturas e pessoas.

Mas é no Mercado Popular que descobrimos os diversos peixes do Amazonas consumidos aqui, as muitas frutas que a selva providencia, bem como os seus diferentes sub produtos (polpas, sumos, conservas, compotas e pickles), as carnes e os condimentos, as farinhas e os legumes, os óleos e os tipos de pão diferentes.

Estes dois mercados não poderiam ser mais diferentes ou de visita mais essencial para que se possa ver e viver a dicotomia que a cidade de Manaus vive hoje em dia, entre um passado rico e faustoso e um presente orgânico, dinâmico e ligado à natureza.



O TEATRO DE ÓPERA

Mas se há ponto de passagem obrigatório na cidade de Manaus, ele é o Teatro Amazonas.

Construído no final do século XVII, este foi o primeiro Teatro de Ópera da América do Sul, e só foi possível a sua construção devido a todo o dinheiro que advinha do comércio da borracha.

Impecavelmente mantido, este é um teatro de estrutura italiana, tendo na sua sala de espectáculo e no salão nobre os seus expoentes máximos. Se a primeira não pudemos visitar por causa de estarem a decorrer ensaios de uma ópera, já o segundo e a varanda monumental são absolutamente deslumbrantes e repletos de obras primas. De frescos e pinturas nas paredes e tecto, até espelhos com molduras de ouro maciço, passando por vasos de porcelana da china ou altos relevos e diversos bustos, a extravagância do barroco tardio assume aqui o seu expoente máximo.

Mas há outro elemento bastante interessante: o seu sistema de ventilação natural. Como estamos em plena zona tropical e as temperaturas e a humidade são elevadíssimas, o arquitecto italiano que desenhou e construiu o teatro criou um sistemas de janelas escondidas e de condutas de ventilação dos espaços, que funcionam ainda actualmente sem qualquer recurso a meios mecânicos ou forçados.

O expoente máximo desse sistema de ventilação é a famosa e imponente cúpula de telhas cerâmicas e janelas de vitais que encima o edifício e o torna tão distinto de todos os teatros de ópera do mundo.

É um exemplo de arquitectura inteligente, que remonta a dois séculos atrás, e com o qual aprendemos bastante durante a visita.



O JANTAR SOFISTICADO DE MANAUS

Depois de visitar o Teatro e de ver o pôr do sol , fomos com o nosso motorista dar uma volta por duas das melhores zonas da cidade. Assim saímos do centro e rumámos aos dois extremos da cidade junto ao Amazonas.

Foram umas horas entre trânsito e passeio de carro por ruas muito distintas do centro. Condomínios, restaurantes com bom aspecto e lojas sofisticadas e modernas, contrastam em absoluto com um centro antigo decadente de abandono e nostálgico de uma era dourada que, definitivamente, já passou!

Mas é no centro que decidimos jantar, e por isso dirigimo-nos à praça do Teatro Amazonas e escolhemos o sofisticado restaurante Tambaqui de Banda para estes nossos últimos momentos antes do voo nocturno que temos hoje.

Aqui, num edifício de arquitetura modernista povera, bem recuperada e muito sofisticadamente mobilada com objectos retro e com um estilo de design a fazer lembrar ligeiramente o movimento de design tropical, deliciamo-nos com uma muito bem construída ementa de iguarias amazónicas.

Desde um gnochi de tapioca com camarão e molho de palmito e manga, até uma sardinha (sim um dos mais populares peixes do Amazonas) frita de forma a que as suas múltiplas espinhas se dissolvam, ficando apenas com a espinha central, passando por uma muquequinha de peixes do amazonas com banana da terra e arroz de coco, tudo estava absolutamente delicioso e sublime.

Se juntarmos a isto que o jantar nos foi servido numa varanda com vista directa para o belo Teatro Amazonas e uma música de chourinho e samba de fundo oriunda de um bar do outro lado da praça, tudo foi absolutamente perfeito.


ADEUS AMAZÓNIA

Estes momentos finais na Amazónia e em Manaus foram perfeitos, sem um detalhe que alterássemos e com um crescendo de sofisticação que nos deixa simplesmente rendidos a toda esta cidade e região do Brasil.

Sim a Amazónia é o Pulmão do Mundo, mas o coração brasileiro!

Mas um último voo interno espera-nos esta noite e portanto rumamos ao simpático aeroporto, cuja escala é humana e nos permite, pela primeira vez, uma partida tranquila na brasileira GOL.

Este voo nocturno vai-nos conduzir ao nosso trilho final de Vera Cruz: o Rio de Janeiro.

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