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2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 9

10:30 DESPERTAR NA "NOSSA" CASA

Graças a uma recepção exemplar do nosso anfitrião e amigo Henrique, pernoitar na casa dele em São Brás, na costa Norte da ilha de São Miguel é um prazer imenso.

Do silêncio, ao entorno, da decoração clássica da casa aos pequenos almoços caseiros, da tranquilidade do ritmo matinal aos espectaculares quartos que temos, tudo contribui para que os nossos dias aqui em São Miguel, nos Açores estejam a a começar sempre da melhor forma.

Mas como este é o último dia na ilha, e hoje é sábado, temos programa repleto de actividades, e acompanhados pelo Henrique, para nos mostrar a ilha de forma mais próxima.


11:30 A CAMINHADA ATÉ À LAGOA DO COMBRO

Depois de um pequeno e rápido percurso de carro, chegamos ao nosso primeiro ponto de paragem do dia: a Lagoa do Combro.

No entanto, e se há alguma actividade que é quase obrigatório fazer numa visita aos Açores é uma caminhada por um trilho, e é o que é necessário fazer para se chegar da estrada até à lagoa em si. O trilho de acesso à lagoa não é mais de 20 minutos a descer por um trilho de dificuldade mediana pela floresta dentro.

Simples de fazer vale muito a pena, não só pela maravilhosa lagoa no final, mas essencialmente porque o verde da floresta, as suas plantas, os seus líquenes, as suas borboletas e pássaros, fazem parte de uma experiência de imersão única e muito relaxante. Perfeita para começar o nosso dia!




14:30 O ILHÉU DA VILA E O ALMOÇO NO PRAIA CAFÉ

Depois de um tempo passado na lagoa a apreciar a beleza natural e intocada da paisagem (pois aparte do caminho que fazemos, não há vestígio de presença humana até onde alcança o nosso olhar), voltamos até ao carro e seguimos para outra maravilha natural desta ilha de São Miguel: o Ilhéu da Vila.

Esta pequena ilha situa-se mesmo em frente à conhecida Vila Franca do Campo, e é tudo o que que promete. Quase deserta (pois o número de pessoas na ilha é altamente controlado e limitado), esta ilha é um paraíso atlântico com uma vegetação menos exuberante do que a ilha de São Miguel, mas com uma lagoa de água salgada de um azul único e magnético e repleta de peixes de todas as cores, na qual se pode mergulhar e assim fruir este local incrível.

É neste contexto rodeados de penhascos altos e junto a uma lagoa única que passamos o final da nossa manhã, antes de voltarmos à ilha principal para almoçarmos junto à praia de Vila Franca do Campo, no Praia Café. O almoço foram petiscos, mas em verão praia misturada com a sempre segura opção regional. Muito boa escolha de local e de menu. Depois dos mergulhos no paraíso esta foi a refeição perfeita!


15:00 AS QUEIJADAS DE VILA FRANCA DO CAMPO

Mas qualquer visita a Vila Franca do Campo fica incompleta sem uma passagem pela mítica fábrica das queijada de Vila Franca.

Estas queijadas são feitas exactamente com a receita original delas, e são únicas no país, pois o seu processo de fabrico depende única e exclusivamente da transformação do leite em queijo (daqui o nome, e não da sua forma como muitos pensam) e da sua mistura deliciosa com ovos e açúcar.

A simplicidade da receita é a mestria destes doces, super leves e deliciosos, que foram obviamente a nossa sobremesa do almoço que tivemos junto à praia.

16:00 A LAGOA DO FOGO

Depois de um almoço delicioso e de uma doçaria tradicional ainda mais pecaminosamente saborosa, voltamos à estrada e vamos até mais uma das lagoas míticas da ilha: a Lagoa do Fogo.

Conjuntamente com as Sete Cidades, esta é a segunda lagoa mais icónica de São Miguel e dos Açores, e a sua fama advém da sua situação tão próxima do mar. Sim esta caldeira está verdadeiramente perto da costa, pelo que nos dias de tempo limpo, consegue-se ver a lagoa e o mar por entre as montanhas que a rodeiam.

O cenário natural é espetacular e se vimos a lagoa das Sete Cidades com um tempo nublado, hoje vemos a Lagoa do Fogo com um sol resplandecente, o que torna todas as cores muito mais fortes e vibrantes e a paisagem absolutamente deslumbrante.


18:00 O CENTRO ARQUIPELAGO

Passada a Lagoa do Fogo, chegamos de novo à costa Norte, desta vez para uma visita totalmente diferente: o Centro de Artes Arquipélago.

Localizado na Ribeira Grande, este centro de artes plásticas e performativas, aproveitou uma antiga fábrica de seca de folha de tabaco e com um intervenção de arquitetura contemporânea absolutamente sublime, criou um espaço de calibre internacional.

Mais do que a pequena coleção de artes plásticas (que é boa e está bem exposta), é o próprio edifício e a sua arquitetura de excepção que são a grande atração deste centro de artes contemporâneas. Como amantes da boa arquitetura contemporânea, deleitámo-nos com esta visita, claro.

21:00 O BIFE DA ASSOCIAÇÃO

A terminar o dia, para além de passarmos pelo supermercado para fazer umas compras que necessitávamos para o dia de amanhã, e de passar por casa para deixar essas mesmas compras, fomos depois e sem demoras para a famosa Associação Agrícola de São Miguel.

Aqui encontra-se um dos melhores e mais afamados restaurantes de toda a ilha, e o seu prato icónico: o famoso Bife da Associação. Tudo o que se possa dizer da excepcional qualidade da carne de vaca nos Açores é pouco, mas a sumidade desta carne é servida em bife neste restaurante. A carne é autêntica manteiga, está cozinhada de forma perfeita e temperada de forma simples, mas incrível. Foi um jantar perfeito!

Este é o final perfeito da nossa estadia nos Açores, que tanto adorámos, e que tanto recomendamos, mas não o final da nossa viagem, como já sabem... por isso recolhemos-nos a casa cedo e deitamos-nos cedíssimo pois o despertar é perto das 3:30 da manhã, para começarmos a nossa longa viagem até às próximas ilhas: as Ilhas Gregas!

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 8

10:30 UM ACORDAR CLÁSSICO

Mia um dia que dormimos bem nesta nossa casa micaelense.

Situada em plena costa Norte, bem junto à povoação de São Brás, esta casa de família do nosso amigo Henrique, está situada num terreno mais alto da povoação e envolta num luxuriante jardim de plantas açorianas.

Por dentro a casa está toda mobilada com mobília antiga de qualidade, e tudo é uma memória, mas não tão personalizada assim que nos faça lembrar que a casa não é nossa. Será por isso que acordamos todos os dias a pensar que estamos mesmo em casa?


11:30 O CHÁ GORREANA

O primeiro destino de hoje é a muito clássica Fábrica de Chá Gorreana.

Aqui a viagem no tempo continua, pois estas secular fábrica ainda hoje funciona com as máquinas originais (quase todas são, e as que foram substituídas foram-no por motivos ambientais). Como o nosso amigo Henrique é da família proprietária da fábrica e ainda por cima guia turístico, tem a simpatia de nos fazer uma visita guiada a estas instalações fabris, com todos os detalhes e segredos. E ficamos conquistados.

No final, temos uma prova de chá "como manda o figurino". Assim provamos um dos clássicos chás verdes da fábrica (pois esta fabrica apenas chás verdes e pretos) e um dos blends novos, que junta chá preto, ananás e canela. Claro que depois desta prova, não resistimos a comprar metade da gama dos chás que existem na loja... mas é que são de facto muito bons!



14:30 O ALMOÇO "NA LAGOA AZUL"

Depois de um começo repleto de "bom gosto", seguimos passeio até ao nosso próximo destino de visita: a Lagoa das Sete Cidades.

Ora como se sabe, o tempo nos Açores é mais do que maniento, e hoje até está um dia cinzento, o que nos fez temer o pior, mas depois de subirmos aos picos que rodeiam a famosa caldeira e passarmos o famoso miradoro do Rei (que estava todo envolto em nuvem, começarmos a descer e passamos rapidamente para baixo da grande nuvem e damos de frente com a deslumbrante vista das duas lagoas gémeas das sete cidades.

A vista, por mais que não haja sol, céu azul ou já se conheçam os postais turísticos, é absolutamente impressionante e deslumbrante, quer pela dimensão, quer pela beleza e equilíbrio de toda a caldeira e de toda a sua vegetação em torno destas duas enormes lagoas. É junto à lagoa azul que escolhemos um restaurante par almoçar, pois já era hora disso e o cenário é lindíssimo. O almoço, esse não tem grande história, mas o local é imperdível ... por isso valeu mesmo a pena pararmos aqui!


16:30 AS TERMAS DA FERRARIA

Numa pequena vertente da lagoa das sete cidades, mas junto à costa Sul da ilha, estão as pequenas termas da Ferraria. É aqui que nos dirigimos logo depois de almoço.

Se as termas em si têm uma piscina natural com águas das nascentes naturais, balneários e um café e também lotação limitada, já as piscinas naturais junto às mesmas, nem por isso ... mas também têm os balneários, WCs e chuveiros exteriores, bem como um acesso fácil e dois nadadoras salvadoras muito simpáticas. A simpatia delas é essencial, pois o acesso às piscinas pelas rochas não é do mais fácil que vimos aqui nos Açores, mas elas muito prestavelmente, ajudam todos a chegar às piscinas e fruir este local absolutamente maravilhoso.

Ora como estávamos junto ao mar, fora da caldeira em si, e junto à costa Sul da ilha, já o sol brilhava e o céu estava azul, o que fez desta tarde, nas piscinas naturais da Ferraria uma tarde de sol e banhos muito boa!



18:00 A QUINTA DOS ANANASES

Mas porque o dia de visitas ainda não tinha acabado, saímos um pouco mais cedo das piscinas naturais e fizemos-nos à estrada, pois um final de tarde entre estufas da maior plantação de ananases de São Miguel esperava-nos.

Quando chegamos à quinta Augusto Arruda, percebemos que estamos numa propriedade agrícola antiga, com estufas de vidro, tradição no cultivo do desejado e raro fruto e um requinte na arte de bem receber, que só as grandes instituições têm.

A visita à quinta antiga baseia-se num passeio pelas antigas estufas de vidro, onde nos é explicado todo o ciclo de cultivo do Ananás, e onde descobrimos a dificuldade e a raridade deste fruto. Sabiam que para cultivar um ananás demora dois anos a cada planta para o produzir? e que cada planta produz apenas um ananás no seu ciclo de vida? e que os ananases são só cultivados em cinco locais do mundo, de tão delicada que é esta planta? Pois é, tudo isto e muito mais aprendemos neste final de tarde passado nesta bela paisagem agrícola repleta de estufas de vidro do princípio do século XX e cheia de aromas doces e de fazer água na boca.

21:00 OS PALADARES DA QUINTA

Ora continuando na senda do mundo agrícola micaelense, depois da nossa visita à Plantação de Ananases Dr. Augusto Arruda, passamos por casa para nos arranjarmos para o nosso jantar de hoje no restaurante Paladares da Quinta.

Este restaurante é localizado na quinta agrícola da ilha, que tem além de um turismo de habitação um restaurante moderno e com uma boa arquitetura contemporânea, no meio do seu jardim. Mas infelizmente a comida não está à altura de todo o cenário de design e sofisticação que aqui existe. Não é que esteja mal feita (se bem que as lapas que comemos estavam de facto mal feitas), ou não tenha variedade (aliás o menu é grande demais, mesmo), ou que o serviço seja mau (que aliás são super atenciosos e muito simpáticos, mas com tal cenário e com uma sala de vidro rodeada de um jardim verdejante e repleta de mesas e cadeiras com design moderno, espera-se algo mais sofisticado do que um mediano bacalhau com broa, ou um bife sem sabor e mal temperado (o que é difícil aqui nos Açores, pois a carne aqui é excepcional). Safou-se uma carne de alguidar que estava bem feita, e uns filetes de abrótea que estavam também muito bons. Ou seja, no meio de um menu infindável, sugerimos que fiquem pela pouca cozinha regional que lá consta.

Foi assim que terminámos o dia, com um bom vinho açoreano, uma refeição mediana, num ambiente de quinta e design, tudo acompanhado por uma excelente conversa que durou até tarde sentados à mesa do jantar, ao bom estilo português.

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 7

10:00 O ACORDAR NA CASA DA FAMÍLIA

O despertar de hoje foi bastante especial, pois acordámos numa casa repleta de história e de estórias. A sensação foi de estamos em casa da nossa avó, mas numa propriedade rural, envolta de uma vegetação luxuriante e absolutamente deslumbrante.

Claro que o pequeno almoço foi posto numa mesa enorme, com um centro de mesa feito de Hortênsias naturais e porcelana antiga, com o óbvio café com leite e sumo de laranja e claro com produtos micaelenses super delíciosos. 

É assim que se acorda e começa o dia com muito estilo bem ao melhor estilo de São Miguel ... e foi exactamente isso que fizemos!


12:20 O PARQUE TERRA NOSTRA

O mítico parque Terra Nostra abriu esta semana e obviamente que com este ícone do turismo açoriano disponível para visitas e banhos, não pudemos ignorar e deixar de ir até lá.

Assim foi exactamente por aqui que começámos a nossa visita de hoje, relaxando de forma longa e tranquila na piscina de águas termais de cor laranja. O melhor de tudo foi que não só o sol espreitou esta manhã, tornando todo o cenário lindo, ainda mais deslumbrante, mas também o facto de não haver muitas pessoas nesta mítica piscina natural, o que propiciou aproveitar o tempo de forma serena e prolongada.

Foi o início de dia perfeito, pois depois de um pequeno almoço caseiro, fomos até uma piscina de água termal num dos parques mais belos de todo o arquipélago.

14:00 O COZIDO DO TONY'S

Obviamente que chegada a hora do almoço, secámos-nos e fomos até ao conhecido, mas pouco turístico Tony's e deliciámos-nos com um dos famosos cozidos das furnas.

O cozido das furnas é totalmente diferente diferente do cozido à portuguesa, pois não só tem ingredientes diferentes (como é o caso do inhame ou da batata doce), como também há enchidos e outros ingredientes que desaparecem (como a farinheira, o chouriço de sangue, o feijão ou o nabo), os chouriços e carnes que se mantêm são muito menos gordas, e desfazem-se graças à sua qualidade mas essencialmente é na técnica de várias horas (as panelas são postas nas furnas às 6h da manhã, e retiradas às 12:30h) a cozer num calor extremo, numa panela selada com todos os ingredientes juntos, e exposta a uma atmosfera saturada de enxofre.

Este é um cozido muito especial, absolutamente delicioso, e sem comparação com outro cozido que tenhamos provado. Mais importante ainda é prová-lo num local de qualidade, como é o caso do Tony's, por isso deixamos aqui a dica - reservem mesa e reservem cozido, pois é um dos locais mais requisitado pelos locais e as filas podem ser gigantes e o cozido pode desaparecer antes de se conseguirem sentar. Nós reservámos e tivemos direito a um repasto delicioso!

16:00 AS FURNAS

A pouco mais de 10 minutos de caminho encontram-se as conhecidas Furnas de São Miguel e é um território digno de uma visita.

Mais do que impressionante, é o contexto de entorno de todo este território que cria um espectáculo visual digno de nota. É que o espectável território inóspito e cheio de fumarolas, que exalam os vapores que inundam o ar de enxofre, estão localizadas numa caldeira de vulcão, alta, com uma vegetação abundante e repleta de árvores centenárias, formando assim um contexto de contraste muito impressionante.

Esta é uma visita breve e muito curiosa,que é uma boa sequência ao cozido do nosso almoço.

18:30 A PRAIA DA RIBEIRA QUENTE

Ora das furnas seguimos para mais um fenómeno vulcânico desta ilha de São Miguel, mas muito menos conhecido: a Praia da Ribeira Quente.

Nesta pequena praia da parte sul da ilha, existe uma praia bastante curiosa: é que tem nascentes de água quente subaquáticas na beira mar, que aquecem a água do oceano e a tornam na praia dos Açores com a água mais quente.

Foi aqui que, apesar do tempo nublado, decidimos passar a nossa tarde, pois esta não estava muito cheia, a água era de facto mais quente do que o habitual e a temperatura estava bastante amena e agradável,




23:00 O JANTAR DECIDIDO PELO RESTAURANTE

Depois de uma manhã de banhos termais e de uma tarde de praia, decidimos voltar a casa, e preparar-nos para um jantar muito especial: no Cantinho do Cais.

Já nos tinham avisado que este restaurante era especial, e ao chegarmos percebemos exactamente isso: sentamos-nos numa mesa na esplanada (que dá para a rua, mas como a noite estava muito agradável, assim decidimos), desinfectam as mesas, trazem-nos os menus e vem o dono ter connosco dar-nos as boas vindas e explicar que aquele é um restaurante com especialidade de Peixe e explicar o que vamos comer. Sim apesar de nos trazer os menus, quem escolhe o que comemos é o simpático e castiço dono que nos traz uma sucessão de pratos de peixe, absolutamente sublime. Toda a decisão do repasto foi dele, começando por uma primorosa sopa de peixe, seguida por um requintado atum grelhado, seguindo-se uns incríveis chicharrinhos fritos e terminando com um Caldo de Peixe (uma espécie de Caldeirada) absolutamente perfeito. Tudo termina com um sorriso de satisfação do dono por nos ver elogiar tanto a sua comida e nos oferece umas queijadas feitas na casa para o nosso pequeno-almoço do dia seguinte.

É o final de noite perfeito, com uma experiência gastronómica de excepção e um tom familiar bastante grande, tal como a casa para onde nos retiramos e onde vamos descansar depois deste dia repleto de momentos muito bons!

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 6

11:00 ADEUS PORTO PIM BAY

Foi uma manhã mais descansada a de hoje, pois foi dia de fazer o check out dos nossos muito favoritos apartamentos do Porto Pim Bay.

Assim hoje é o dia em que deixamos esta ilha, e portanto foi dia também de nos despedirmos deste paraíso secreto de design e  boa arquitetura contemporânea açoriana, e deixarmos para trás um dos melhores alojamentos desta ilha. Para terminar em bem, a dona dos apartamentos veio mais uma vez ter connosco e pedir desculpas pelo contratempo da eletricidade, demonstrando toda a sua atenção, simpatia e serviço exemplar que tem e oferece aos seus hóspedes.

Mas antes de nos dirigirmos para o aeroporto para mudarmos de ilha, ainda tínhamos alguns pontos na agenda do dia.



12:00 A ESPECTACULAR CALDEIRA

Deixámos as malas na recepção dos apartamentos, e pegamos no carro e subimos ao topo da ilha do Faial. É aqui, que com um céu azul e uma vista deslumbrante por todo o caminho, que nos damos conta de uma das melhores vistas da ilha: a montanha do Pico.

Nos últimos dois dias tinha estado totalmente escondida pela tempestade que se abateu sobre estas ilhas do grupo central, mas hoje, com o céu radiante que está, ela surge em todo o seu esplendor, escala e dimensão. Mas o espectáculo visual da ilha do Pico acompanha-nos ao longo dos 25 min que demora a percorrer a incrível estrada bordejada por Hortênsias que nos leva ao primeiro ponto de visita do dia: a Caldeira Central.

Ao chegarmos ao miradouro da Caldeira do Cabeço Gordo deparamos-nos com um espectáculo visual absolutamente digno de um filme de ficção cientifica: Esta caldeira, vista deste ponto, é autenticamente um território imenso, com uma lagoa e vários penhascos, e uma floresta densa e exuberante, que observamos de cima, qual observador distante de um objecto belo e único... só que não é um objeto ou uma filmagem ou fotografia aérea, mas sim realidade está mesmo diante dos nossos olhos. A quem pense que como já vai ver as caldeiras de São Miguel, escusa de subir o Faial para ver esta desengane-se, pois esta também ela é espectacular e incrivelmente bela.




14:00 A TABERNA DO PIM

Quando saímos dos apartamentos Porto Pim Bay esta manhã, cruzámos-nos com um senhor que parecia ser o dono de uma esplanada, e reforçámos a reserva que tínhamos feito já há semanas antes de virmos. Ele ficou a conhecer quem é que queria tanto almoçar no seu restaurante (pois afinal era o dono) e simpaticamente disse-nos que nos reservaria a melhor mesa da esplanada, mesmo por baixo de uns toldos de velas brancas incríveis e com vista para toda a baía do Porto Pim.

Foi aqui que nos dirigimos depois de descer da Caldeira do Cabeço Gordo, e foi aqui que tivemos aquela que foi classificada unanimemente como a melhor refeição desde que chegámos à ilha. Desde um creme de marisco absolutamente divino, até ao melhor arroz de polvo que alguma vez comemos, passando pela carne de vaca em pote de barro incrivelmente temperada e macia, e acabando na fresquíssima e docíssima meloa do Faial e na sublime mousse de lima com raspas da mesma e lascas de chocolate açoriano, tudo foi perfeito. Não há um detalhe que possamos apontar, nem À comida, nem ao exemplar serviço que despretensiosamente criou uma experiência bela, muito boa e com um ritmo de serviço relaxado, mas não desleixado.

Tudo foi perfeito, desde a lindíssima vista da esplanada do restaurante, passando pelo sol espetacular que estava, acabando no serviço e na comida, e ainda mais no preço, pois foi de um equilíbrio muito louvável e acessível para o produto que serve e a localização que tem.

16:00 DESISTIR DAS BALEIAS LEVOU-NOS DE VOLTA AO GIN

Depois de um almoço irrepreensível, fomos caminhando até à famosa marina do Faial para fazermos a última actividade do dia: a observação de baleias. Ao chegarmos fomos informados que o passeio de hoje iria levar um pouco mais de tempo, pois as baleias estavam muito mais longe da ilha do que era habitual, por isso, e porque estávamos pressionados pelo horário do voo de hoje, decidimos desistir de ir ver os famosos cetáceos. Exemplarmente a funcionária do Norberto Diver (a empresa que contratámos o passeio), ofereceu-se logo para fazer o extorno do valor da actividade, uma vez que não a iríamos realizar. E assim se faz um bom negócio, pois mantém-se os clientes contentes. Se formos ver baleias mais alguma vez aqui nos Açores, escolheremos seguramente esta empresa.

Ora com algum tempo vago em mãos, decidimos que estava na hora de irmos dar uma volta à famosa marina da Horta e ver um dos seus símbolos maiores: os seus molhes pintados com pinturas de lembrança de vários dos barcos que por lá já passaram. Os muros, bancos e pavimentos dos molhes e dos passeios à volta da marina tornam-se assim um testemunho vivo de toda a história deste porto, e da sua situação única no mundo: no centro do Oceano Atlântico Norte, sendo assim ponto de paragem quase obrigatório para todos os velejadores que se aventuram na sua travessia.

Mas como ainda tínhamos uma hora livre, decidimos voltar a um dos nossos locais favoritos na ilha: o Peter Café Sport. Desta vez, com o sol que estava, instalámos-nos na esplanada e antes de nos dirigirmos para o aeroporto, tomámos um último gin tónico e despedimos-nos deste grupo central de ilhas, que desta esplanada quase todas se viam, de tão limpo que estava o céu (pois víamos parte da marina da Horta, a ilha do Pico e a ilha de São Jorge, faltavam só a Terceira e a Graciosa, mas estas não se vêem desta ilha, por mais limpo que esteja o céu).



20:15 A CHEGADA A PONTA DELGADA

Depois de irmos para um aeroporto absolutamente vazio (apenas com uma mão cheia de funcionários, sem exageros), termos esperado pela hora do nosso avião de ligação entre ilhas e termos tido um voo de 45min sereno e num avião meio cheio chegamos à última ilha deste arquipelago que vamos visitar nesta nossa viagem: a Ilha de São Miguel.

Aqui somos recebidos logo à saída do aeroporto pelo nosso amigo Henrique Câmara, que nos abraça como quem já não nos vê há muitos anos ... o que de facto é verdade. É o primeiro momento em que percebemos que há uma diferença de comportamento de quem vive no continente e tem as preocupações sociais do COVID19 e quem vive numa ilha em que existem 17 casos activos. Claro que os cuidados com as máscaras, o álcool gel ou a higienizarão dos locais está presente em tudo o que visitamos, mas a descontracção interpessoal aqui nos Açores é verdadeiramente maior do que no continente.

Ora depois da calorosa recepção rumamos até à capital do arquipélago - a cidade de Ponta Delgada. Aqui chegados, e porque temos bastante tempo até à hora de jantar, estacionamos o carro e decide o Henrique fazer-nos uma breve e rápida, mas repleta de informação volta pelo centro da cidade. Desde as icónicas Portas da Cidade, à vizinha Igreja Matriz, passando pelo Clube Micaelense, passamos a seguinte hora e meia a conhecer um pouco melhor as histórias e a História desta cidade e desta região tão especial de Portugal.


23:00 DO JANTAR NA TASCA CHIC À CASA TRADICIONAL MICAELENSE

Mesmo no centro da cidade de Ponta Delgada, está um dos mais trendy e tradicionais restaurantes da cidade: a Tasca.

Com um formato e um ambiente típico de uma tasca, este restaurante tem tudo de qualidade. Desde um serviço atento e cuidadoso, a uma cozinha correcta e cheia de bons pratos (das típicas Lapas, Grelhadas, mas que aqui sãp negras, indicando que estas são selvagens, ao Pudin de feijão, passando por um fresquíssimo atum braseado, tudo foi excelente), a uma carta de vinhos recheada de boas referências, há um pouco de tudo ... e em bom.

Esta foi uma sugestão do nosso amigo micaelense, e foi excelente, pois não só conseguimos provar uma excelente cozinha, como ainda tivemos a tranquilidade e as condições necessárias para matar saudades e pôr a cnversa e as novidades em dia. foram longas horas de conversa as que se seguiram ... e que só terminaram quando chegámos à casa de família onde amavelmente o Henrique nos acedeu a hosedar, no meio de tantas memórias de família e preciosidades da sua história e da sua infância. Foi um final de dia excelente, como só os bons amigos de longa data conseguem proporcionar. Por hoje pernoitamos nesta tradicional casa micaelense, para amanhã sairmos cheios de energia para explorar a ilha e irmos conhecer algumas das suas maravilhas!

2 ILHAS E 1 IMPÉRIO | EM DIRETO - DIA 5

10:00 MAIS UM BARCO, MAIS UMA ILHA

Foi logo pela manhã que saímos de casa (sim gostamos tanto destes apartamentos do Porto Pim Bay que já lhe chamamos casa) e fomos até ao terminal de ferries da Horta (apesar de um pouco mais tarde do que ontem, graças a um atraso do primeiro barco, que nos foi comunicado via sms pela companhia de ferries, o que foi bastante eficiente) par apanhar um novo ferry para uma nova ilha - a ilha do Pico.

Localizada mesmo em frente à ilha do Faial, esta ilha tem na sua montanha o seu maior ex libris, mas hoje ela está escondida sobe uma nuvem baixa que não a deixa revelar-se.

É neste contexto de chuva, nuvens baixas e ventos fortes (não tão fortes quanto na véspera, em são Jorge, mas fortes q.b.) que chegamos a mais esta nova ilha.


12:00 O MUSEU DOS BALEEIROS

A pouco mais de meia hora de caminho entre a Madalena (onde chega o ferry do Faial) encontramos a pequena povoação das Lages do Pico. É aqui que se situa o nosso primeiro destino de visita na ilha: o Museu dos Baleeiros.

Este edifício, vizinho ao posto de turismo da povoação, esta localizado em velhos armazéns de barcos baleeiros junto ao mar, que foram delicada e exemplarmente recuperados pela mestria de um arquiteto local com muito bom gosto.

Mas tão ou mais interessante do que o edifício em si, é a forma como numa exposição simples e com um filme documentário antigo, a arte da caça da baleia, que era tradicional nestas paragens, nos é explicada e muito poeticamente evocada. Este é um exemplo de como um pequeno museu pode ser algo bastante interessante.

14:00 AS TRÊS DECEPÇÕES

Depois de uma visita que nos encheu as medidas, vieram três pequenas desilusões seguidas: o Centro de Artes do Mar estava fechado (supostamente por causa do COVID19, e desde 1 de Março e ainda não abriu); o restaurante Magma recusou reservar uma mesa, apesar de a ter, mas preferiu dá-la a quem apareceu; depois, porque perceberam o que fizeram, reencaminharam-nos para outro restaurante a poucos kms de distância, que era na melhor das hipóteses mediano, apesar da pretensão a ser de topo (o qual não nomeamos, pois não merece nem a publicidade de ser aqui referido pelo nome).

Referirmos aqui estas três pequenas decepções tem um factor essencialmente informativo para os nossos leitores. A primeira é o espelho do que sentimos ao longo de todo o arquipélago: um medo surreal de um vírus que não existe em nenhuma ilha do arquipélago, com excepção da Terceira e de São Miguel. A quantidade de lojas, espaços culturais, ou equipamentos e actividades que estão encerrados por causa do COVID19, é alucinante e sem uma presença do vírus na sociedade e na comunidade ... e mais alucinante ainda é perceber que esta atitude é motivada por uma premissa falsa: que não há vírus por causa de haver todas essas actividades económicas e culturais suspensas!?!?!?

Segunda decepção e terceira são outro sintoma do que encontramos aqui: quem tem um produto sofisticado e de qualidade tem serviço ao público descuidado, e quem não tem um bom produto/serviço, torna-se irritante e injustificadamente pretensioso. Nestas paragens o melhor de tudo é o autêntico, pois a qualidade está na tradição e na cultura autóctone, e nas pessoas simples e humildes, que têm brio profissional no que fazem e se empenham em perpetuar essa arte portuguesa (e portanto, também ela açoreana) de receber bem a quem vem à nossa terra para nos conhecer melhor e nos vazlorizar naquilo e que somos melhores. Esta é uma característica que está infelizmente, arredada dos bons espaços que existem em todas as ilhas que visitámos até ao momento.

16:00 MAIS UM MUSEU EXEMPLAR

Depois das três situações que decorreram durante o período de almoço, fomos até à povoação de São Roque, encontrámos mais um local digno de nota de tão bom que é: o Museu da Indústria Baleeira.

Localizado numa antiga fábrica de processamento de baleias, aqui percebemos o quanto pesada era esta indústria, e todas as suas diversas vertentes. Mas esta outra pequena estrutura museológica, volta a ter um projeto de arquitetura muito delicado e inteligente e volta a respeitar a sua pré-existência arquitetónica, tudo complementando um bom projecto expositivo e assente nas antigas máquinas da fábrica.

Foi mais uma visita que nos deixou cheios, e muito satisfeitos com a qualidade deste pequeno museu desta ilha açoriana.


18:00 OS VINHOS DO PICO

Mas se há elemento cultural da ilha que é icónico e bem conhecido é a cultura do vinho. Por isso o nosso destino seguinte foi uma das mais independentes mas mais interessantes adegas deste vinho tão especial.

Ao chegarmos ao local de provas da Azores Wine Company, demo-nos conta do especial que este local é. Localizado numa pequena, mas muito bem desenhada casa branca, a sala de provas está no meio de uma impressionante e dramática paisagem negra de currais com vinhas que se perdem até onde o olhar alcança e que se estende até à falésia que dá para o mar.

A paisagem é absolutamente única e de uma beleza sublime e os vinhos que nos dão a provar (quem nos faz a prova é o simpático João, a quem agradecemos todo o calor e a simpatia no acolhimento excepcional, bem como todas as explicações que nos deu), são especiais e de uma qualidade que surpreende pela positiva e pela diferença, pelo equilíbrio e pela simplicidade, pela diversidade e pela profundidade de sabor. É mais um momento incrível que vivemos nesta ilha e num local de uma simplicidade incrível e cuja autenticidade que aplaudimos e que foi essencial para que toda a experiência fosse perfeita.


20:00 O MELHOR BAR DA ILHA (E UM DOS MELHORES DE PORTUGAL)

Depois da prova de vinhos excepcional que tivemos na Azores Wine Company, vamos até outro local de culto na ilha: o Cella Bar.

Conhecido mundialmente pela qualidade da sua arquitetura contemporânea, este bar é muito mais do que isso. A simpatia do dono, a subtileza, eficiência e afabilidade do serviço, e a espetacularidade do espaço e a calma e serenidade do seu ambiente são pontos essenciais nesta experiência que se vive neste bar.

Porque tínhamos jantar marcado noutro local, não podemos atestar que a qualidade que se tem no bar, se vive também no restaurante, mas tudo indica que sim, pois todos os ingredientes que fazem a qualidade da experiência estão lá.


23:00 O JANTAR NO PRAYA

Depois de um final de tarde com outro copo de vinho do pico de qualidade excepcional e num dos bares mais incríveis que estivemos na vida, voltámos para os ferries e regressámos à ilha do Faial.

Aqui chegados dirigimos-nos sem demoras ao nosso destino final do dia: o restaurante Praya. A arquitetura do espaço é incrível, a simpatia e disponibilidade do serviço é admirável, mas as falhas no mesmo não estão em consonância com a experiência que se pretende viver. Desde comida servida no ponto errado, até acompanhamentos trocados, passando por descrições de pratos no menu que afinal não correspondem ao servido, há pequenas falhas um pouco por toda a refeição, desde as entradas à saída.

Este foi mais um potencial excelente restaurante açoriano, que infelizmente tem tudo para ser, mas não o é, por descuido, soberba, arrogância ou falta de conhecimento, este local veio confirmar a nossa teoria que afirmámos mais acima. Mas como o espaço era extraordinário e o serviço muito disponível e simpático (e o vinho mais uma edição limitada monocasta de absoluta excepção), foi um bom final de dia, que nos mostrou que os Açores são muito mais do que paisagem e que a sua cultura moderna ou ancestral são dignas de se explorarem e conhecerem!