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GIRO AL NORTE | EM DIRETO - DIA 8





A FONDAZIONE PRADA

O dia de hoje amanheceu solarengo e nós acordámos cheios de energia, graças a uma noite tão bem passada no nosso excepcional J24 Hotel.

O dia de hoje vai ser bastante diferente do de ontem, pois em vez de andarmos pelos grandes clássicos da cidade de Milão, vamos-nos dedicar às mais recentes fundações de arte contemporânea da cidade. É por isso que quando acabamos de tomar o pequeno almoço no hotel (óptimo, por sinal), vamos para o metro e vamos até ao nosso primeiro destino de hoje: a Fondazione Prada. Chegamos à icónica Fondazione ainda bem pela manhãzinha, e isso permite-nos entrar sem qualquer fila (tal como tem acontecido em quase todos os monumentos e museus que visitámos).

A primeira nota que é necessário dar sobre esta instituição cultural milaneza é que o seu edifício é em si uma obra de arte. Da autoria do arquiteto holandês Rem Koolhas, este conjunto de construções foi totalmente intervencionado desde o seu antigo estado de destilaria, até uma das mais interessantes estruturas museológicas de Milão. Cada um dos vários edifícios foi recriado para os seus objectivos expositivos, tendo a Torre as exposições permanentes e os restantes exposições temporárias.

É neste belo e sublime ambiente arquitetónico que passamos toda a nossa manhã, pois não só gostamos de todas as exposições (umas mais que outras, claro, mas todas são boas), mas também nos deleitamos com a exploração do edifício, dos seus materiais, à sua espacialidade e, principalmente, aos seus detalhes e pormenores construtivos e arquitetónicos.




O ALMOÇO EM TORTONA E A DECEPÇÃO DO DIA

Depois de uma manhã em cheio na Fundazione Prada, voltamos a mudar de zona e vamos até à muito trendy e alternativa zona Tortona.

Nesta parte de Milão a profusão de galerias de arte, espaços de cowork e de cultura alternativa é bem maior do em todo o resto da cidade. E isso nota-se no ambiente urbano, nos cafés, nos restaurantes e em toda atmosfera. É aqui, num destes alternativos, mas muito cosy restaurantes que decidimos almoçar: no Fiore. Este restaurante é uma simples trattoria de bairro, com comida típica deliciosa e um serviço bastante familiar. Foi uma excelente escolha para o nosso almoço, pois incorpora os valores de descontração e modernidade do bairro, mas sem deixar de lado o perfil milanês e italiano.

Mas foi a seguir ao almoço que tivemos a grande decepção do dia: os Silos Armani estavam fechados. Esta estrutura expositiva pertença da muito conhecida marca milanesa, que expõe a coleção de arquivo da da marca, que se situa em pleno coração da zona Tortona, sem anúncio na internet ou razão aparente, estava fechada até ao final do mês de fevereiro. Ora tendo nós beneficiado de entrarmos em todos os monumentos e museus sem as imensas filas que caracterizam o turismo contemporâneo (e muito mais o turismo em Itália), também temos de dizer que vir fazer esta viagem na época baixa tem destes dissabores ... os museus aproveitam para fechar ou reformular as suas exposições e portanto alguns destes locais que queremos visitar, estão fechados.

Em alternativa tínhamos preparado uma visita ao vizinho MUDEC - Museu de Arte Contemporânea, mas este, também tinha a sua exposição permanente fechada, pelo que apenas conseguimos ver uma exposição temporária de fotografia (excepcional por sinal e dedicada à obra do fotógrafo italo americano Elliott Erwitt). Depois da impossibilidade de visitar as galerias Ufizzi em Florença, esta foi a segunda grande decepção da viagem, e tudo por estarmos em época baixa e com ma informação deficiente (pois nada explicavam nos sites das respetivas instituições).



O ESPECTACULAR HANGAR PIRELLI

Mas depois destas duas decepções seguimos caminho e rumamos ao nosso próximo ponto no programa - o Hangar Pirelli. Situado exactamente no lado oposto da cidade, levamos quase uma hora de transportes públicos a lá chegar desde Tortona, mas assim que chegamos percebemos que estamos numa instituição cultural completamente diferente das outras.

O Hangar Pirelli, não é mais do que a transformação da antiga fábrica da icónica marca de pneus, nu espaço de exposições. Mas, graças à dimensão dos edifícios e de estes serem hangares totalmente abertos no seu interior, possibilitam a instalação de obras de arte "site specific", como nenhum outro local que conhecemos no mundo.

Aqui a arte serve-se em escala descomuncal, com uma espectacularidade e uma qualidade igualmente grandes. A forma como vemos este Hangar Pirelli é nada mais nada menos do que passeando dentro das instalações, ou por baixo delas (quando elas estão suspensas no pé direito de mais de 15 m). É incrível e imperdível uma visita a este antigo hangar industrial, que agora se encontra transformado num dos mais avançados espaços culturais do mundo.






O FINAL DE DIA CONTEMPORÂNEO

É com a alma cheia deste espetacular dia de arte contemporânea que seguimos para o nosso aperitivo de hoje, e o local que escolhemos é a muito fashion l0 Corso Como.

Esta concept store junta não só moda e decoração como também livraria, espaço expositivo (onde estava uma excelente exposição de ilustração de moda dos anos 1990s) e com um requintado café. É aqui que decidimos tomar o nosso "apero" de hoje e foi um modernizado Spritz que tomámos. Claro que, como também aqui haviam saldos, não resistimos a ver o interior da loja e, claro, tivemos de trazer alguns dos objectos que estavam em grandes promoções.

Mas o final do nosso dia estava marcado para as 21.30h e era o nosso jantar. Se falarmos mundialmente de itália, este país pode ser sinónimo de boa gastronomia, e justificadamente. Como dissemos anteriormente neste travel journal, comer neste país é uma religião. Ora se nesta religião há uma coisa que se chama Chefs e muitos deles, em itália, têm estrelas Michelin no seu restaurante. Por isso decidimos não finalizar esta viagem sem uma refeição italiana preparada por um chef estrelado.

Assim, marcámos mesa num dos mais originais conceitos de restauração que temos visto ultimamente: o Identitá Golose Milano. Este restaurante tem na sua essência a rotatividade semana dos chefs responsáveis pela sua cozinha. Assim, esta semana os chefs responsáveis por deliciarem os sortudos convidados (entre os quais nós) sao a muito conceituada Valeria Piccini (tem duas estrelas michelin no seu restaurante Montemerano, em Grossetto) e o mais jovem Gentian Shehi. E bendita a hora em que fizemos esta marcação, pois foi um jantar absolutamente exímio: a sala e o ambiente é requintado, sem ser pretencioso ou snob, o serviço é exemplar, atento e combina o profissional de excepção com a simpatia e a cordialidade, e a comida, essa era de absuluta perfeição. O menú foi de degustação e teve 5 momentos que não se esquecem facilmente. Da entrada de peixe e alcachofras ao tiramisú desconstruído final, passando pela sinfonia de galinha, tudo estava absolutamente perfeito. Até o pairing com os vinhos foi incrível, pois foi feito com vinhos italianos e percorremos desde o espumante até ao vinho tinto, passando obviamente pelo branco e pelo rosé, e acabando com um cocktail.

Tudo foi estudado ao detalhe e a refeição foi sem dúvida digna das duas estrelas da maestrina convidada desta semana ... menos o preço, pois agradavelmente, neste Identitá Golose Milano é fixo e por toda esta sinfonia de sabores, digna dos melhores restaurantes italianos, o preço foi bastante económico. Claro que não foi um jantar barato, mas se considerarmos que estamos a deleitar-nos com a mestria de um dos melhores chefs de itália e do mundo, então este jantar nao foi de facto nada caro. E é assim que termina este nosso dia dedicado a uma Milão moderna, contemporânea e sofisticada ... na melhor nota gastronómica da viagem.

GIRO AL NORTE | EM DIRETO - DIA 7



O HOTEL E O DOMO - AMBOS ESPETACULARES

Hoje acordámos num excelente hotel em Milão: o J24. Com um design de interiores que mistura o estilo industrial com a sofisticação moderna, este hotel fica fora do centro mas super bem localizado, e tem um serviço e uns quartos absolutamente exemplares. É um hotel de quatro estrelas com muita qualidade e que nos garantiu uma noite espectacularmente alojados e descansadamente dormida.

Mas o nosso dia de hoje tem várias visitas, e assim sendo, saímos do hotel, apanhamos o metro e vamos diretos ao nosso primeiro ponto de visita: o Domo de Milão. Esta é uma catedral com uma dimensão e uma espetacularidade arquitetónica absolutamente incríveis.

Mal saímos da estação de metro do Domo, o sentimento que toma conta de nós é de maravilha perante o edifício que temos à nossa frente. Com um gótico tardio e verdadeiramente flamejante, esta capital e os seus inúmeros pináculos esculpidos e trabalhados é um ícone da cidade ... e merecidamente.

Ora se o exterior é espectacular, o seu interior não é menos. Todo ele desenvolvido em salão, o espaço, todo ele profusamente povoado de impressionantemente altas e elegantes colunas, é imenso. A dimensão exterior é um factor importante, mas é no seu interior que a altura e a profundidade espaciais desta catedral tem o seu expoente máximo. Esta foi uma visita perfeita para iniciar este nosso primeiro dia em Milão.





AS GALERIAS E O ALMOÇO NAS COMPRAS

Ainda conquistados e arrebatados pela beleza do Domo, saímos e rumamos às vizinhas Galerias Vittorio Emanuele. Esta rua interior a um quarteirão da praça do Domo é talvez a galeria comercial mais bela e famosa do mundo e sem qualquer contestação.

A sua arquitetura monumental, a sua dimensão descomunal e as fabulosas e históricas lojas que lá se encontram, fazem desta estrutura urbana e comercial algo muito especial. Ora foi aqui que decidimos que o resto do dia ia ser passado nas famosas compras que só se conseguem fazer em Milão. Há quem diga que que nao há lojas em mais nenhuma cidade do mundo como há em Milão ... e é em honra a esta fama que decidimos: o nosso dia de hoje será passado nas compras ... mas em bom!

Assim é mesmo aqui nas Galerias Vittorio Emanuele que começamos uma das duas missões consumistas desta viagem: uma carteira de senhora. Estamos, obviamente, no local certo, ou não estivéssemos rodeados de lojas de marca como a Prada, a Gucci ou a Armani. Mas depois de as percorrer a todas, percebemos que ainda não é aqui que encontramos o que queremos.

Ora como é hora do almoço, decidimos fazer uma pausa e ir até ao muito próximo Peck Milano. Esta loja gourmet é uma autentica instituição milanesa, na arte do bem comer. Aqui encontram-se talvez os melhores produtos gourmet da cidade ... e tem-se também uma cafetaria e um restaurante (este no primeiro andar). É aqui que decidimos almoçar e deliciar-nos com as iguarias que nos são oferecidas na carta. Claro está que, depois de almoço, não resistimos a dar uma volta pela loja e a perder-nos em compras de massas, pestos e outros produtos com um aspecto e uma promessa de sabor absolutamente irresistíveis. Tão irresistíveis ... que não resistimos!




OS RINASCENTI E O QUADRILÁTERO

Já de sacos na mão, passamos pelo vizinho Starbucks Roastery para vermos este espetacular Starbucks e tomarmos o nosso café. Sim este é um Starbucks que vale a pena vir visitar, pois não só tem lotes de café exclusivos e muito especiais, como todo o espaço é absolutamente espectacular ... ou nao estivesse instalado dentro de um verdadeiro Palazzo milanês.

Mas a paragem aqui foi curta (até porque estava cheio de gente, e nesta viagem nao estamos habituados a grandes multidões, apesar de estarmos num dos maiores destinos turísticos do mundo ... é o que dá virmos nesta época de Inverno ... é uma autêntica maravilha) e rapidamente seguimos para o luxuoso Rinascenti do Domo.

Estes grandes armazéns sao o local perfeito para conhecer (e comprar dizemos nós) peças especiais de marcas muito boas. Das francesas Chanel ou Saint Laurent, às italianas Valentino ou Dolce and Gabanna, passando pelas mais alternativas Vetements ou Off White, todas estão presentes neste espectacular armazém. Mas é preciso prepararem-se, pois se estiver em saldos (como estava hoje), então esta não é uma visita para quem gosta de moda ou de fazer compras ... é que os saldos aqui chegam aos 80% ... e nestas mesmas marcas. Claro está que não resistimos a fazer mais umas compras ... só que ainda não foi aqui que encontrámos a tão procurada carteira de senhora.

Claro que uma boa sessão de compras em Milão, não fica completa sem uma passagem pelo famoso "quadrilátero da moda". Este conjunto de ruas fica próximo do Rinascenti e portanto decidimos ir a pé, e foi assim que chegámos às tão afamadas Via della Spiga e Via Montenapoleone. É nestas duas discretas ruas e nas perpendiculares entre elas que se pode encontrar um impressionante número de lojas de moda. Mais ainda: é neste "quadrilátero" que se situam as lojas mais impressionantes e especiais de todas as marcas de moda em Milão.

Estando já a cair a noite, foi aqui que fizemos o derradeiro esforço de encontrar a carteira de senhora ... e conseguimos. Na mega e espetacular loja da Armani, em plena Via Alessandro Manzoni, depois de um dia de buscas intensivas, conseguimos finalmente encontrar a tão desejada carteira. Melhor que tudo é que nem foi assim tão cara, pois nesta loja existem todas as linhas da famosa marca milanesa e assim consegue-se ver toda a gama de acessórios e de preços que ela tem.





O COCKTAIL DE FINAL DE TARDE E O JANTAR TRADICIONAL

Em Itália existe uma tradição muito própria: tomar um aperitivo antes de jantar num bar. E, com o sentimento de missão cumprida (de termos encontrado a afamada carteira de senhora) fomos até ao bar do luxuoso hotel Príncipe de Sabóia onde provámos alguns dos cocktails disponíveis e picámos algumas iguarias que nos serviram a acompanhá-los. Aqui tudo é luxuoso e de qualidade, até os sofás onde descansámos da nossa maratona de lojas de hoje ... rodeados de sacos e de boa bebida e ainda melhor comida!

Mas o nosso dia ainda não estava completo, pois ainda nos faltava jantar. Assim passámos pelo nosso hotel, deixámos as compras do dia, arranjámos-nos e voltámos a sair para irmos até à muito tradicional Trattoria Masuelli San Marco.

Este é um restaurante tradicional de Milão, bastante concorrida e muito popular entre os locais. Assim não admira que quando chegámos déssemos conta que éramos os únicos turistas no local. É que este é um restaurante que não serve alta cozinha, mas antes uma deliciosa cozinha tradicional. Foi aqui que jantámos neste dia em que foi a Milão tradiconal que dominou ... e o jantar foi também bastante clássico. De entrada tivemos uma Velutatta de Grão e Tomates assados, depois veio um Ossebuco com Risotto de Açafrão e por fim um exemplar Tiramisú ... tudo absolutamente delicioso e primorosamente feito.

GIRO AL NORTE | EM DIRETO - DIA 6


A BASÍLICA DE SAN MARCO E O ÚLTIMO CAFÉ VENEZIANO

Esta nossa manhã, a última aqui na cidade de Veneza foi ocupada a refazer as malas, a tomar o pequeno almoço, fazer o check out do nosso excelente e barato hotel San Moisé e a visitarmos talvez o último dos monumentos venezianos que nos faltava: a monumental Basílica de San Marco.

Esta incrível igreja católica, de estilo romano bizantino, pela qual passámos todos os dias a várias horas do dia e da noite, tem uma arquitetura muito própria e única. Mas é no seu interior que tem o seu maior tesouro: um impressionante conjunto de mosaicos e obras religiosas de estilo bizantino, que combinam exotismo com riqueza, equilíbrio com simplicidade, subtileza com luxo. É uma visita muito particular e que não poderíamos deixar de fazer nesta nossa passagem pela cidade flutuante.



Ora estávamos nós a sair da visita da belíssima basílica, quando um telefonema de um amigo português (preocupado connosco) nos alerta para um desastre de comboio que houve à chegada a Milão (o nosso destino final de hoje), alertando-nos também para que há perturbações nos horários dos comboios com destino a esta cidade. Como esta tarde vamos apanhar um comboio com destino a esta cidade, decidimos ir mais cedo para a estação de Veneza Santa Lucia para ver se há problemas com o nosso comboio e se precisamos de ter um plano B para esta viagem.

Mas antes de nos metermos a caminho, fazemos uma última paragem num dos locais míticos da cidade: o Café Florian. Esta instituição dos cafés venezianos, situado em plena Praça de San Marco, tem nas suas salas umas das mais bonitas salas de café do mundo. É aqui que nos despedimos da Veneza turista e rumamos então para o hotel a apanhar as nossas malas (que lá tinham ficado na recepção logo de manhã) e vamos apanhar o último vaporeto desta viagem.



O ALMOÇO POPULAR E A VIAGEM TRANQUILA

Mal chegamos à estação dirigimo-nos às informações, que nos esclarecem que as perturbações que existem é noutra linha de acesso a Milão e não na nossa, pelo que o nosso comboio partirá a horas e sem problemas.

Ora como temos algum tempo até à hora de partida do comboio (cerca de 2h30m), uma longa viagem pela frente e hoje o jantar programado é bastante tarde, decidimos ir almoçar rapidamente a um dos locais mesmo ao pé da estação de comboios: a Dalla Marisa.


Aqui chegados percebemos que estamos noutra Veneza que ainda não tínhamos conhecido: a popular. O restaurante tem apenas 13 mesas, está totalmente apinhado de italianos das mais diversas profissões e idades e o barulho que reina é de um autêntico local familiar e de bairro, onde quase todos se conhecem, mas todos se sentem em casa. Depois de 10 minutos de espera no exterior (pois era impossível esperar no interior, de tal forma estava cheio o restaurante) chamam-nos para nos sentarmos numa mesa que repartimos com dois jovens estudantes da universidade que fica mesmo ao virar da esquina. Não há carta, os pratos são-nos ditos pela empregada assim que nos sentamos na mesa e a nossa escolha foi pasta com molho de tomate e basílico e parmesão. Este é um clássico e muito popular prato, que decidimos provar num dos mais populares locais que estaremos nesta nossa viagem (temos a certeza, pois nada será mais popular do que isto) e estava divinalmente feito e excepcionalmente bem servido. Quando saímos da estação de comboios tínhamos 1h.20 minutos para almoçar, pois os 10 minutos de caminho para cada um dos sentidos, os 10 minutos de espera e o tempo da nossa refeição (a mais barata até ao momento nesta viagem, e uma das mais saborosas) não ocuparam todo esse tempo.

É assim que embarcamos no confortável e muito tranquilo e pontual comboio que nos leva até Milão, onde esta noite nos aguarda um dos pontos mais aguardados desta viagem: uma ida à Ópera no único Scala de Milão!



A ÓPERA NO SCALA DE MILÃO

Foi a horas que o comboio chegou à Stazionne Centralle de Milão e foi a horas que chegámos ao nosso hotel (excelente por sinal, mas dele falaremos melhor amanhã), mesmo a tempo de nos vestirmos e prepararmos para o programa que se seguiu: Il Trovatore no Scala de Milão.

Duas horas e meia de pura ópera, com uma encenação polémica e com uma abordagem nova a esta obra prima de Giuseppe Verdi. Boas vozes femininas (pena que as masculinas não estivessem perfeitas desde o início) a magia de um teatro centenário e mítico da ópera mundial, e um serviço de acompanhamento pelo staff do teatro absolutamente irrepreensível. Esta foi uma noite digna de ficar na memória de todos nós e foi um dos pontos altos desta viagem!



Mas claro, a seguir à Ópera, tínhamos de jantar e portanto rumámos até ao Anche e plena Via Oxilia e deliciámos-nos com uma verdadeira Pizza milaneza, diferente, substancial, mas verdadeiramente deliciosa. Não poderíamos vir a Itália e não comer pizza e este restaurante foi a perfeita abordagem a este prato tradicional italiano, pois estava muitíssimo bem feita, e tinha um twist moderno e diferente.

Gostámos muito ... e reconfortados com esta noite de luxo, viemos para o hotel para descansar e preparar-nos para um dia cheio de locais incríveis que nos espera amanhã!

GIRO AL NORTE | EM DIRETO - DIA 5




ACORDAR NUM PALAZZO VENEZIANO

Foi a nossa primeira noite dormida no nosso hotel em Veneza e foi um luxo tão grande quanto o é o nosso modesto hotel. Situado num Palazzo em plena zona de San Marco, este hotel San Moisé, apesar de ter apenas 3 estrelas, é um verdadeiro luxo. Mais do que o serviço (que é correcto e disponível), este hotel tem no seu pátio de entrada, nos seus quartos e nos corredores o seu principal atractivo.

Como seria de esperar, a quantidade de lustres de vidro de Murano impressiona, os tectos e paredes trabalhadas com estuques e madeiras, as pinturas e o mobiliário antigo fazem o resto do charme de toda a atmosfera deste hotel.

Foi uma noite muito descansada, e passada num hotel cheio de charme!



A ILHA DE MURANO

O nosso dia aqui em Veneza começa com uma ida até à muito icónica ilha de Murano. A ajudar a este passeio esteve (durante toda a nossa estadia em Veneza, diga-se) um céu azul, absolutamente mágico, o que deixou que o passeio de quase uma hora de vaporetto desde San Marco até Murano Museo fosse um verdadeiro prazer.

Nesta ilha, de atmosfera bem mais calma do que as ilhas centrais da cidade, respira-se um ambiente calmo, sem pressa, como se estivéssemos numa outra cidade, mais pequena e relaxada. As casas são mais baixas, as suas fachadas menos trabalhadas e tem cores mais diversas. Se não soubéssemos que esta ilha também faz parte da famosa cidade, acreditávamos que estávamos noutra cidade, bem mais pequena e sem turistas.



Claro que, com um ambiente bem mais calmo, o nosso ritmo de viagem também abrandou, pelo que passeámos pelas ruas, sentámo-nos relaxadamente num café e só depois nos dirigimos ao incontornável Museu do Vidro de Murano. Aqui chegados encontramos uma exposição que nos explica, as origens, o desenvolvimento, as várias crises e renascençimentos desta arte e a sua contemporaneidade. É uma exposição muito bem feita, bastante didáctica e que explica tudo de forma clara simples e inteligível para qualquer leigo na matéria, isto sem deixar de fora peças icónicas ou a explicação técnica das várias tecnologias utilizadas ao longo dos tempos.

Satisfeitos com esta visita, voltamos às ruas da ilha, e dedicamos-nos a explorar algumas lojas das redondezas, e percebemos o luxo que ainda hoje reina na indústria do vidro de Murano. Mas de facto há lojas para todos os gostos, pois há lojas com peças absolutamente banais, mas também há lojas com peças absolutamente deslumbrantes ... quer clássicas, quer modernas. Mas claro está, as boas peças são caríssimas, de acordo com a peça única e feita à mão que se está a comprar.



Depois de darmos alívio ao saldo dos nossos cartões de crédito, seguimos então para o nosso almoço aqui nesta ilha: na Acquastanca Osteria. Este pequeno restaurante é discreto, arredado do centro turístico da ilha (se é que existe) e serve uma comida absolutamente típica da região de Veneza. Massas e carnes excepcionais, com sabores únicos e primorosamente feitos ao momento. Obviamente que, sendo um lugar tão selecto e exclusivo (mas com um ambiente super descontraído e familiar), o preço não foi dos mais módicos da viagem ... mas valeu a pena, pois tudo estava na medida certa e na qualidade como nós gostamos: irrepreensível.



MUSEU PEGGY GUGGENHEIM

Depois de um excelente almoço em Murano, voltamos então ao centro da cidade e ao seu grandioso Canal Grande, para irmos até ao discreto, mas conhecido museu Guggenheim de Veneza: o Peggy Guggenheim Collection.

Situado num dos Palazzos deste canal, mesmo junto à Academia de Belas Artes, este museu oferece uma visão da colecção desta famosa colecção de arte muito própria: a colecção de obras aqui exposta foi escolhida com um critério pessoal e muito próprio, de acordo com o gosto da conhecida coleccionadora de arte americana.

Aliás, o próprio edifício do museu é a sua antiga casa nesta cidade que Peggy Guggenheim tanto gostava. Assim é num ambiente de antiga familiar (mas já transformada em estrutura expositiva) que se podem apreciar obras de períodos menos conhecidos de artistas tao diversos como Picasso, Kandinsky, Jackson Pollock ou Marc Chagal. É uma colecção pequena, bem exposta e que tem no gosto da sua fundadora, a linha condutora de toda a história que nos conta. Percebemos os seus gostos, os seus favoritos, e conseguimos ver peças de períodos estranhos ou iniciais das carreiras destes monstros das artes plásticas mundiais.


UM JANTAR QUE DEVIA TER SIDO MAS NÃO FOI

Se o final de tarde foi marcado por uma excelente exposição de arte moderna, a noite deveria ser marcada por um excelente e moderno jantar num bom restaurante em Veneza ... mas assim não foi.

Depois de passarmos pelo hotel par descansar e nos arranjarmos, saímos e rumamos até ao restaurante Café Centrale. Tendo uma decoração moderna e cheia de design o problema começa logo na atitude altiva e menos sorridente dos empregados. As expectativas ficaram bastante altas, tal era a pretensão que o local transmitia, mas infelizmente foi tudo ao contrário. Desde uma carta de vinhos com apenas um Proseco para escolher, até ao empregado esquecer-se de servir um de nós deste mesmo vinho italiano e quando chamado a atenção que se tinha esquecido de servir quem fez a prova, dizer que tinha sido de propósito para o vinho no copo não aquecer, explicando de forma séria e altiva que Proseco se bebe fresco (como se não o soubéssemos) ... único problema é que não havia quase vinho para aquecer, passando por trazer um prato ao mesmo tempo das entradas (aqui já tínhamos desistido de exigir algo de bom) e acabando por explicar que vários ingredientes que estavam no menú (incluindo nos de degustação) tinham sido substituídos por outros que nada tinham que ver (como os cogumelos serem substituídos por abóbora) mas que não tinham substituído as ementas, pois os pratos ficamos muito parecidos e bons também.

Mas podia-se dizer que o problema era do serviço, mas não, pois a cozinha correspondeu aos mesmos fracos standards, neste caso mais grave, pois tratava-se do nosso jantar (e ainda por cima não barato e super pretensioso). Sendo que quem nos conhece sabe que gostamos de boa comida, para nós é grave trazerem-nos pratos como um pato hiper passado com um molho tão forte (neste caso doce) que era impossível sentir outro sabor que não o açúcar, ou um coelho com um molho cheio de farinha (ou outro espessante qualquer, que o tornou numa pasta melosa e sem sabor), que tornava impossível sentir o sabor do molho ou a textura dos vegetais que acompanhavam... salvou-se um filete de linguado com algas japonesas e alcachofras em caldo de peixe, que esse sim estava bom. Já no final, ao vermos as sobremesas, decidimos ir diretos à conta e não pedirmos mais nada, dada a pobreza das propostas da carta apresentada. Foi pena que, depois de um jantar excelente como o da véspera, ou de um almoço tão especial como o de hoje, este jantar tenha tido uma qualidade tão baixa ... até porque estamos em Itália onde comer é uma religião!

Mas para acabar a nossa noite com nota positiva, decidimos passear pela bela e deserta cidade, e assim vermos (por fora) o mítico Teatro de La Fenice ou a incontornável Ponte de Rialto. A vantagem deste passeio nocturno, ainda por cima nesta época do ano, foi que estes monumentos foram só para nós, pois não havia um turista à vista. Sentimos-nos parte da cidade e apreciámos a sua beleza e mística como se fossemos locais. Depois do desastroso jantar que tivemos, este final de noite foi perfeito e mágico!

GIRO AL NORTE | EM DIRETO - DIA 4



A SÁBIA BOLOGNA

Desepertámos nium quarto bom, num hotel que correspondeu totalmente às nossas expectativas (e tem uma excelente relaçao preço qualidade) e que, essencialmente, tem um serviço muito atento e muito simpático. Mas só no dia seguinte a chegarmos (ou seja hoje de manhã) descobrimos a sua grande vantagem: está situado em pleno centro histórico da cidade de Bologna.

Esta cidade, de origens medievais tem nas suas intrincadas ruas e nos seus muito antigos edifícios monumentais, o seu principal trunfo. é uma cidade onde se sente a história, o peso da longevidade da sua cultura e essencialmente, a sabedoria da sua universidade. Para quem não saiba, a Universidade de Bologna (ou Alma Mater, como lhe  chamam por aqui) é a mais antiga da Europa e do Mundo, tendo sido fundada no início do século XI.


Mas há outra xaracterística desta medieval metrópole contemporâ - as suas torres. Por todo o centro histórico existem torres altíssimas que marcam o skyline da cidade medieval. São impressionantemente altas, elegantemente esguias, e misteriosamente soberbas, mas dão a esta cidade (já ela própria cheia de torrs sineiras pela multiplicidade de igrejas que tem, como acontece em qualquer cidade italiana) uma nota de exotismo ou de mistério adicional, que lhe fica verdadeiramente bem!

No nosso passeio matinal fizemos a Via Maggiore (onde ficava o nosso hotel), a Piazza Maggiore onde entrámos na Basílica de San Petronio, visitámos a catedral, entrámos no Palazzo de Regione (antiga sede da Universidade de Bologna) e na sua muito conhecida Biblioteca da Salaborsa, visitámos o Mercato in Mezzo (onde vimos as famosas bancas de pasta fresca e as maravilhosas bancas de beixe fresco e passeámo-nos pelas ruas deste centro magnífico até à hora de almoço, aproveitando o sol matinal que, pela primeira vez nesta viagem, limpou o céu de núvens e faz com que este dia em Bologna tenha sido absolutamente perfeito.


O CLÁSSICO DONATELLO

Mas não podíamos deixar a cidade sem entrar numa das suas instituições gastronómicas. A nossa escolhida (por recomendação do nosso amigo e guia da véspera) recaiu no muito charmoso e famoso Donatello.

Situado entre o Teatro de Ópera e o Teatro Nacional, este restaurante é conhecido por ter sido e ainda ser o local de paragem de muitos dos artistas que passaram pelos principais palcos da cidade (como atestam as centenas de fotos nas altas paredes). Mas é também conhecido por ter um serviço excepcional e uma cozinha clássica de Bologna muito boa. E nós provámos, atestamos e recomendamos.

No menú não há grandes invenções modernas, mas estão lá todos os clássicos e foi a esses que nos dedicámos, pois foi por eles que viemos. Assim, claro que veio uma Lasagna Bolognese, uns Raviolis em Caldo (dois na realidade, pois somos quatro nesta viagem) e um Filetto Bolognese ... tudo terminado com um Tiramisú do melhor que se pode provar na vida. A regar a refeição tivemos o clássico da região de Bologna San Giovese tinto, que aqui neste país tão rico em vinho, cada cidade/zona tem o seu vinho especial. É assim que terminamos a nossa curta, mas intensa e excepcional estadia em Bologna. Estava na hora de voltar à estrada e seguir para o nosso próximo destino.

VENEZA A MAGNÍFICA

Ao fim de pouco mais de duas horas de caminho deixámos o nosso carro alugado na rent a car (que não ficava no aeroporto Marco Polo, mas perto e preparamos-nos para próxima etapa da viagem, toda ela sem carro. Graças à simpatia do rapaz do transfer da rent a car, que nos devia levar ao aeroporto, e graças ao nosso italiano (que apesar de macarrónico, já se começa a entender), ele ao perceber que vamos para a cidade de Veneza e não apanhar um voo, recomenda-nos ficar na paragem de autocarro ali mesmo na estrada e seguirmos na carreira normal (é mais rápido e mais barato, pois o preço do bilhete até Veneza é de 1 e não de 8 euros por pessoa). E assim fazemos, ficamos na berma de uma estrada à espera da carreira, que em menos de três chega, pagamos os bilhetes e seguimos até Veneza como qualquer veneziano. Só que as nossas caras maravilhadas com a aproximação à cidade pela moderna ponte que a liga ao continente, e obviamente as nossas malas, denunciam-nos.

O autocarro deixa-nos em plena Porta Roma e daqui decidimos comprar um passe de 48h para todos os vaporettos (que são os autocarros cá da cidade, mas só que são obviamente barcos) da cidade para podermos ter liberdade de movimentos sem pensar no preço (já que cada viagem de Vaporetto são 7,5 euros, e o passe de 48h fica a 30 euros, sai bastante mais barato). Daqui fazemos então todo o Gran Canal até à icónica Piazza de San Marco.

Este é um passeio maravilhoso e a melhor forma de entrar na cidade, pois percebe-se de facto o quão magnífica, especial, mágica e delicada é esta cidade. A cada edifício que vemos temos um momento de deleite visual indescritível. A cada vista que temos só nos apetece tirar tantas fotografias, que ficamos com a sensação que "o  rolo da máquina fotográfica não vai aguentar esta cidade" (piada que fazemos bastantes vezes nesta primeira viagem de vaporetto). A cada momento desta travessia de ponta a ponta do Gran Canal (o mais largo e espetacular da cidade de Veneza) sentimo-nos dentro de um filme de época digno de um romance de Casanova ou do uma cena do Mercador de Veneza. Esta é uma cidade magnífica, que ao se desenbarcar na Piazza de San Marco, se torna avassaladoramente bonita!


O NOSSO PALAZZO E O DOS DOGES

Assim que desembarcamos e nos habituamos à magnificência que está perante os nossos olhos, dirigimo-nos ao nosso Hotel San Moisé. Situado a pouco mais de 5 min a pé da Piazza di San Marco, este pequeno hotel fica num antigo Palazzo do sec XIX, onde abundam tetos altos e os restetivos lustres e arte e mobiliário antigo. É um verdadeiro Palazzo veneziano, digno dos melhores roteiros turisticos da cidade, mas só que é uma jóia do low cost ainda não descoberta pelas multidões, e que aqui deixamos como uma das nossas grandes descobertas nesta viagem.

Fazemos o Check in, deixamos as malas no quarto (deslumbrante por sinal) e voltamos rapidamente a sair, pois já são 17.20h e temos que ir visitar o grande monumento da cidade: o Palácio dos Doges. Este é o grande edifício da cidade e o seu principal monumento, e visitámo-lo (graças a estarmos em época baixa) sem fila alguma e praticamente sozinhos no palácio. Isto é um Luxo!

Mas luxo verdadeiro é este palácio. Se o seu exterior já impressiona pela riqueza do  trabalhado de mármore das suas imensas fachadas, os seus interiores são absolutamente de cortar a respiração. A cada sala surge um novo tecto trabalhado, ainda mais impressionante que o anterior, a cada sala surge um espaço ainda maior do que o anterior e a cada sala as pinturas de paredes e teto são ainda mais incríveis do que a anterior. Aqui percebe-se a riqueza que a república de Veneza teve, e a sua influência no mundo das artes e do imaginário colectivo de todos. É que aqui tudo era em bom ... aliás em Muito Grande e em Muito Bom!

É esmagador visitar este palácio sozinhos e é uma visita digna de ser classificada entre os melhores e mais faustosos espaços do mundo, pelo que (com filas e multidões, ou sozinhos e à vontade) é absolutamente a não perder!




O JANTAR NA HOSTERIA E OS COCKTAILS DE VENEZA

Saímos do Palazzo Ducal e já estavamos na hora de jantar, pelo que seguimos até ao nosso restaurante eleito de hoje: a Hosteria Osottoosopra.

Este restaurante encontra-se fora do principal circuito turístico da cidade, e o seu acesso só é possível ou acompanhado por um local, ou pelo google maps ... no nosso caso foi o segundo.

É um local pequeno, discreto, sem brilhos ou chamarizes, mas com um serviço tão simpático e descontraído e com uma cozinha tipicamente veneziana e tão sofisticada, quanto a própria cidade merece. De Cicchetti de Bacalhau, de Polvo e de Sardinha a Sépia Nera com Polenta, passando pelo óbvio Prosseco, o jantar foi absolutamente perfeito. Mais ainda, quando a conta acompanhou a perfeição do repasto exemplarmente veneziano.

Ora para rematar a noite, e já um pouco ébrios (como bons casanovas contemporaneos, ou não estivéssemos em Veneza) das duas garrafas de prosseco que bebebos ao jantar, vamos até ao clássico bar da cidade beber a sua bebida oficial: o Harry's e os seus Bellinis. Foi uma chegada a Veneza em grande, com tudo o que temos direito e que nos deixa bastante inspirados para o dia que se segue ... porque nestas altas horas da noite, só nos resta vaguear pelas ruas apertadas da cidade até ao nosso hotel palazzo e dormir num quarto com um lustre de murano e tetos trabalhados ... como o fazemos!