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A ROTA DOS MAHARAJAS | EM DIRETO - DIA 7


10.00 As Burocracias Estaduais da Índia

Depois de uma noite bem dormida ... a primeira das últimas 36 horas ... foi hora de sair e de nos dirigirmos ao centro da cidade de Leh para tratarmos de umas licenças para podermos fazer as visitas de amanhã.

Isto quer dizer que, para se poder ir a um dos nossos destinos de amanhã, temos de ter uma licença especial, passada pelo governo regional, por estarmos a aproximar-nos bastante de uma das fronteiras mais militarizadas do mundo: entre a Índia, o Tibete e a China.

Papéis preenchidos, passaportes mostrados, e muita conversa que não percebemos pelo meio ... e ficamos com a papelada tratada ... mas só nos é entregue ao final do dia ... pois hoje é dia 15 de Agosto - Dia da independência da Índia e o documento terá de ser assinado por oficial mais graduado que está nas comemorações deste dia.


11.00 A Estrada pelo Meio dos Himalaias

Depois dos papéis tratados, seguimos então para a estrada que nos vai levar aos nossos destinos do dia. É uma estrada que atravessa toda a região de Ladack (a região mais a norte da Índia) e que liga Leh a Srinagar.

Esta estrada começa por ir por um conjunto de planaltos no meio dos Himalaias e dá-nos a primeira conclusão do dia: estamos num imenso deserto de grande altitude.

A impressionante escala deste deserto, com macissos rochosos imensos, dunas de areia que se transformam em montanhas altas e o rio Indo num constante serpentear entre as montanhas e a estrada. Mas o mais impressionante é a imensa escala de toda esta paisagem inóspita, com uma estrada que circula por um território que se estende a perder de vista sem um único vestígio de seres humanos.

De vez em quando, surgem uns pequenos oásis em vales verdejantes, onde se situam umas povoações que vão marcando o ritmo desta viagem de quase 4 horas de carro.


12.30 O Encontro dos Dois Rios

A meio do caminho, passamos por um dos pontos que mais curiosidade nos causava: o encontro do rio Zanskar e o rio Indo.

No cruzamento dos dois rios, as águas não se misturam facilmente, pelo que se nota claramente a distinção das águas. Se o rio Indu tem as águas castanhas, o rio Zanskar tem as águas cremes.

Este fenómeno, no meio da espetacular paisagem envolvente, foi o primeiro dos pontos altos do dia.


13.15 O Mosteiro de Lamayuro

Ao fim de várias horas de viagem e de passarmos por um check point policial onde nos tivemos de identificar, chegamos finalmente ao nosso destino deste dia: o Mosteiro de Lamayuro.

Este Mosteiro budista, construído no sec. XI, situa-se no alto de um dos impressionante rochedo que domina todo o cenário da povoação que circunda este monumento.

A sua arquitetura monástica impecavelmente mantida, as inumeras bandeiras que esvoaçam ao vento, o cenário natural envolvente esmagador e os monges que se passeiam pelo mosteiro e o silência que se ouve em todo o recinto (pois somos os únicos turistas no local) é uma sensação avassaladora.

É o nosso primeiro mosteiro desta zona de Ladack, mas se todos são assim, esta é uma zona da Índia muito especial mesmo.

Depois de quase uma hora a explorar o mosteiro, as suas salas, os seus páteos, as suas escadas e os labirintos de caminhos, as vistas sobre a paisagem e os seus carreiros mágicos, decidimos sair para ir comer.

Entramos num restaurante junto à entrada do mosteiro para almoçar e deparamo-nos com o facto de este ser um restaurante gerido pelo próprio mosteiro. Aceitamos o desafio e escolhemos. A refeição que nos foi servida foi surpreendentemente saborosa, não picante e muito bem confeccionada. Não sendo um luxo, este restaurante é uma verdadeira surpresa, num local tão isolado quanto este teto do mundo!


15.30 De Novo na Estrada e as Colunas Militares

Depois de um surpreendente almoço no mosteiro de Lamayuru, voltamos à estrada e voltamos e direção a Leh.

A estrada junto a Leh atravessa um gigantesco planalto desértico ladeado por montanhas imensas, mas no final desse planalto cheamos a uma zona de montanhas e de uma estrada verdadeiramente acidentada. As curvas são impressionantes e a própria estrada serpenteia encosta acima e encosta abaixo, num ritmo bastante vertiginoso.

Com desfiladeiros rochosos de uma altura impressionante e zonas de estrada que se abateram, tornando-a ainda mais estreita (às vezes tão estreita, que os carros optam por passar antes por uma zona de terra, formando-se assim um zona de estrada informal), este caminho tem ainda outro aspecto muito particular: as colunas militares infindáveis.

Tal como percebemos ontem à chegada ao aeroporto, e hoje de manhã com as burocracias que já referimos, esta é uma zona altamente militarizada. A presença dos militares, quer em campos ao longo da estrada, quer em colunas de camiões infindáveis, faz com esta paisagem desértica (que mais nos faz lembrar o que imaginamos de uma paisagem lunar), se torne ainda mais impactante e forte.


16.30 Mosteiro de Alchi

A meio caminho entre Leh e Lamayuru, a pouco mais de 20 km da estrada principal, situa-se o mosteiro de Alchi.

Sendo este o mosteiro mais antigo de todos os mosteiros de Caxemira, a sua forma é bastate diversa. Situado num vale, a sua riqueza está na fragmentação do seu recinto em diversos pequenos templos, todos eles decorados interiormente de forma rica e vibrante.

A visita ao mosteiro de Alchi é totalmente complementar ao mosteiro anterior. Enquanto que um é espectacula pela sua situação cimeira de uma paisagem impressionante, este é-o pela sua discrição, sensibilidade de escala e discrição e simplicidade na arquitetura. A ligação à terra, a vibração dos brancos, a dispersão de templos por um recinto grande, que aparentemente não têm nexo, mas que fazem todo o sentido do ponto de vista do visitante, fazem desta visita um momento de serenidade notável.


17.30 As Compras em Alchi

À saída do mosteiro de Alchi, todo o percurso até ao carro, está ladeado por bancas informais de venda de produtos a turistas ... neste caso nós e mais duas ou três pessoas que encontrámos.

Decidimos então tirar alguns minutos e mergulhar na diversidade irresistível de produtos à venda. Máscaras cerimoniais, produtos de prata trabalhada, pinturas tibetanas, jóias tradicionais cerimoniais, baús e trabalhos de madeira pintada ... tudo nos apelava e tudo quisemos trazer.

Conseguimos resistir a muito ... mas não a tudo ... e assim fizemos mais umas compras neste mercado irresistível!


18.10 O Mosteiro de Likir

Depois de sairmos de lchi rumámos a toda a velocidade para o último dos mosteiros que queríamos ver hoje: o Mosteiro de Likir.

Com a informação que fechava às 18.00h, decidimos tentar na mesma a entrada neste mosteiro ... e conseguimos. Este mosteiro, também situado no topo de uma encosta conta com uma particularidade única, o facto de ter um buda gigante ao lado do próprio do mosteiro.

Ao subirmos a ruelas e as escadarias que dão acesso ao mosteiro, reparámos que a porta de entrada deste se encontrava ainda aberta ... pelo que entrámos e ainda conseguimos visitar os vários páteos e passagens deste mosteiro.

Foi um final de dia bem interessante e que encerrou em grande este primeiro dia neste deserto dos Himalaias, cheio de jóias da arquitetura budista para visitar.

Rumamos de volta a Leh!


20.00 O Jantar Nepalês

Depois da adaptação à altitude já estar mais estabilizada, decidimos ir até ao restaurante Hilife em Leh e provar as primeiras especialidades da cozinha caxemiri.

Sem saber muito bem o que estamos a pedir, arriscamos em nomes que nos parecem bem ... sem saber o que significam ... e acertamos.

A cozinha de Caxemira pauta-se por ser mais próxima à cozinha nepaleza e chinesa do que à cozinha indiana. Os sabores, os temperos e as texturas são surpreendentemente agradáveis e deliciosas.

Apesar deste restaurante não ser um luxo (até faltou a luz a meio do jantar ... voltando apenas uns minutos depois), a sua cozinha é um ponto forte deste dia!

Sendo que amanhã as nossas vizitas vão levar-nos a acordar por volta das 05.00 da manhã, para sairmos do hotel às 06.00 da manhã, decidimos a seguir ao jantar rumar ao hotel e deitarmo-nos, pois o dia de amanhã vai ser longo e exigente do ponto de vista físico.

A ROTA DOS MAHARAJAS | EM DIRETO - DIA 6


03.00 De Partida Novamente

Ainda ontem chegámos a Delhi e ao surpreendente Bloomrooms Low Cost Hotel e já estamos de partida de novo ... e logo a uma hora da madrugada imprópria para quem esteja de férias. Mas não havendo alternativa, não há como evitar acordar tão cedo de madrugada para continuarmos a nossa Rota dos Maharajas em busta de mais um tipo de Maharajas: os Maharajas Celestiais.

Assim que chegamos ao Novíssimo Terminal 3 do Aeroporto Internacional Indira Gandhi, deparamo-nos com uma multidão de pessoas que vai viajar para todos os cantos da ìndia, também a esta hora.

Demora cerca de 45 minutos a fazer o check in, com tanta gente que vai apanhar os voos internos que partem às 5 e 6 da manhã, mais uma meia hora a passar a segurança e mais outra meia hora para fazer umas compras (nomeadamente de café ... essencial a esta hora do dia) e percorrer os corredores infindáveis de portas de embarque até à porta correcta.

Não levantar cedo e não sair do hotel de madrugada não é uma opção quando se tem um voo tão cedo na Índia!


06.35 O Voo para Leh

Este é um dos voos que mais temos curiosidade. Não pelo avião em si, mas pela população dos passageiros que vai levar, pela paisagem ao longo do caminho e essencialmente pelo destino onde nos levará: Leh, a capital da região de Ladack, do famoso e politicamente conturbado estado de Caxemira.

Quando chegados à porta de embarque satisfazemos a primeira das curiosidades: apesar de irmos voar para uma das regiões mais isoladas do globo, a frequência deste avião é bastante normal. Composta por alguuns turistas ocidentais (essencialmente em modo Backpacking), alguns homens que vão claramente em negócios, alguns militares, mas essencialmente famílias indianas que viajam até à terra ou em turismo interno. Toda a expectativa de exotismo logo à entrada do avião foi totalmente gorada ...

Durante a viagem, pudemos conferir se a nossa expectativa sobre a espectacularidade da paisagem se verificava ... e confirma-se: é um daqueles voos em que vale a pena ir à janela. A paisagem dos Himalaias vista de cima, e a aproximarem-se cada vez mais do próprio do avião, é um cenário verdadeiramente grandioso. À medida que nos aproximamos de Leh, também os Himalaias se aproximam do avião.

Apenas para registo de todos os nossos leitores, aqui fica uma nota: a aterragem no aeroporto de Leh é tão difícil que os aviões têm de entrar num desfiladeiro entre montanhas e descer em direção à pista de aterragem. Esta manobra tem de ser feita manualmente, o que implica pilotos com um mínimo de 20 anos de experiência ... e assim aterramos em Leh!


07.45 Aeroporto do Teto do Mundo

Ainda quando estamos na aproximação à pista somos prevenidos pelo pessoal de bordo que é proíbido tirar fotos durante a aterragem e depois no próprio do aeroporto. Quando aterramos percebemos: estamos num aeroporto militar, numa das zonas de maior sensibilidade politica e militar do mundo.

O pessoal do aeroporto é todo militar, somos recebidos por militares armados com metralhadoras, e encaminham-nos para uns autocarros absolutamente dignos de qualquer filme aopcaliptico, que nos levam a um barracão onde esperamos pelas nossas bagagens ... que chegaram.

Preenchemos o pedido de entrada formal no estado de Caxemira e saímos para o nosso carro que já estava à espera. A paisagem com que nos deparamos é de uma base militar ultra militarizada, no meio de uma paisagem de deserto imponentemente montanhoso e rochoso, com uma dimensão avassaladora e que não deixa ninguém indiferente.


08.50 A Chegada ao Hotel

A caminho do Hotel começamos a perceber que Leh não é uma cidade rica, nem grande, mas também não tem a pobreza que se vê nas grandes cidades indianas .. e tem uma mais valia importante e única: está encaixada num vale entre os picos dos Himalaias, criando um cenário natural bastante forte.

Escolhemos ficar alojados no Thongsal Resort de Leh ... com a noção de que a palavra resort, aqui aplicada, nada tem a ver com a mesma definição que existe nas caraíbas ... mas quando chegámos percebemos que para as baixas expectativas que tínhamos à partida, até nem está mal.

Não se pode dizer que seja um bom hotel, mas dado o local onde estamos, dado o preço bastante acessível, e a extrema simpatia do staff, esta torna-se uma chegada das boas ... até porque nos vai permitir descansar um pouco antes de sairmos.


12.00 O Centro de Leh

Depois de descansarmos um pouco nos quartos, decidimos dirigir-nos ao centro de Leh para começarmos a sentir um pouco a cidade e toda esta nova cultura de caxemira.

O centro da cidade tem uma malha orgânica de estreitas ruas bordejadas de lojas de produtos regionais e restaurantes ... tudo dedicado a turistas, mas com um ar e um ambiente relaxado e em que não se nota a vontade de explorar o estrangeiro.

Mais ainda, a imagem de toda a cidade está marcada por um elemento omnipresente: as montanhas. Sempre as montanhas presentes e dominantes. Decidimos ir almoçar.


13.00 O Difícil Almoço

Tendo feito boas pequisas na internet, conseguimos reconhecer alguns dos nomes dos restaurantes e locais por onde passamos no centro e escolhemos o Gesmo Restaurant .

Situado num colorido avançado de uma pequena casa, sobre uma das principis ruas do centro, este pequeno estabelecimento está especializado em cozinha ocidental e cozinha cachemiri.

Sentamo-nos numa mesa junto a uma janela e pedimos ... e começamos a notar que os efeitos da altitude estão a intensificar-se novamente. Nós que pensámos que os sintomas que tínhamos sentido à chegada fossem devido a uma falta de descanso e de comida, agora começamos a perceber que subestimamos os avisos de cuidado com a Doença da Altitude.

Na realidade todo o almoço foi passado e dominado pelo agravamento das nossas condições físicas. Uns con náuseas, outros com dores de cabeça, outros com tonturas, mas todos tivemos sintomas ... e decidimos voltar ao hotel e tentar controlar estes sintomas ...


15.00 A Adaptação à Altitude

Chegados ao Hotel, decidimos alterar os nossos planos e passar o resto da tarde no hotel, por forma a seguir todas as recomendações (inclusive do dono do hotel que nos recebeu muito simpaticamente à chegada) e assim garantir que a adaptação se dá nos prazos normais: as primeiras 24h.

Assim hoje temos de descansar fisicamente, não beber muita água (mesmo que desidratemos um pouco, mas é preferível pois a água com a pressão da altitude, pode entrar nos pulmões), sair do calor e do sol ... e concentrar todas as atenções e energias do nosso organismo em adaptar-se a estas novas situações. De facto, passar em horas de Delhi com uma altitude normal, uma temperatura de perto de 40º (28º estavam às 3 da manhã) e uma humidade grande, para mais de 3.000 metros de altitude e com uma pressão atosféria altíssima, o organismo, obviamente que demora tempo a readaptar-se.

Toda a tarde foi assim passada nos jardins do Tonghsal Resort a acabar algumas pesquisas de internet (que aqui, obviamente não funciona a grande velocidade) e a preparar os últimos detalhes dos próximos dois dias de visitas. Sempre acompanhados por um simpático grupo de indianos de Delhi que garantiu que a nossa tarde tivesse como banda sonora Bob Dylan, The Doors ou Eddie Veder ... foi uma tarde bem passada!

20.00 O Primeiro Jantar nos Himalaias

Foi já mais recuperados que rumámos até ao Yama Café House para podermos então ter o nosso primeiro jantar em plenos himalaias. Foi uma refeição calma, ainda sem se assumir grandes riscos em termos gastronómicos (pois o picante da cozinha indiana atrasa a adaptação às alturas), mas mais uma vez reforçou esta ideia de que Leh tem uma filosofia de vida muito diferente do resto da Índia, mais calma e menos caótica.

Ainda não estamos totalmente recuperados deos sintomas da "Doença das Alturas", mas tudo já está a recompor-se. Nada que com uma noite de sono não aconteça!

Assim sendo, jantamos, damos uma volta pelas lojas de produtos tradicionais à volta e voltamos para o Hotel ... porque amanhã o dia vai ser longo, com viagens de mais de 7 horas de carro.

A ROTA DOS MAHARAJAS | EM DIRETO - DIA 5


06.00 A Partida de Mumbai

Neste quinto dia acordamos antes da própria cidade de Mumbai acordar, fazemos as malas, tomamos o simpático pequeno-almoço que nos preparam (especificamente para nós, pois oficialmente o pequeno-almoço, no Abode Boutique Hotel Mumbai, apenas começa às 08.00h) e rumamos ao aeroporto.

Percorremos as mesmas ruas que já percorremos anteriormente, mas desta vez sem o caos a que nos habituámos ... e percebemos que a cidade está ainda a acordar. A famosa Marina Drive (que tantas vezes percorremos neste últimos três dias) encontra-se vazia de pessoas e de trânsito ... e despedimo-nos de Mumbai.

Depois de fazer um check-in algo atribulado (pois obviamente os limites de bagagem para os voos internos são menores do que os inter-continentais e portanto temos de pagar os quilos a mais), dirigimo-nos à porta de embarque e apanhamos o primeiro voo da manhã da Indi Go que liga Mumbai a Delhi.

A nossa próxima escala nesta Rota dos Maharajas ...


08.30 Uma Viagem Low Cost na Índia

Depois de embarcarmos no avião, começamos por ter uma certeza: viajar em Low Cost na Índia não é tão assutaor quanto possa parecer à partida.

Com o passar do tempo de voo, apercebemo-nos que as normas de segurança, que os procedimentos a bordo, e que o funcionamento da Indi Go (companhia de aviação Low Cost indiana) cumpre os padrões de qualidade das congéneres europeias e até os ultrapassa ... nomeadamente relativamente o espaço entre lugares, que parece uma companhia regular.

Foi uma viagem muito agradável e que nos levou até ao nosso novo destino da nossa Viagem de Verão 2014: Nova Delhi.


10.00 As Primeiras Impressões Sobre a Capital

À saída do aeroporto de Nova Delhi, notou-se logo duas diferenças relativamente à cidade anterior: o calor é muito mais forte e agressivo e menos húmido; e o trânsito e o estado das estradas é muito mais organizado.

Mas outra das grandes diferenças nota-se quando chegamos mais ao centro da cidade e reparamos em dois aspectos que marcaram o dia: A desigualdade social e urbana em Delhi são muito mais acentuadas. Se Delhi tem ruas com mais espaço, melhor trânsito (menos caótico, pelo menos) e carros melhores nele, também tem muito mais pedintes (que nos batem no vidro dos carros enquanto estamos parados), zonas muito mais degradadas do que as mais degradadas que vimos em Mumbai e uma escala muito mais desumana do que Mumbai (que já de si é gigante).

Esta é a capital de um país que é considerado uma espécie de contineute, e a sua dimensão corresponde a esse mesmo papel.


12.00 O Hotel da Capital

Situado em pleno coração do degradado, mas muito vernáculo, bairro de Paharganj, está o nosso hotel de Delhi - o Bloomrooms @ New Delhi Railway St.

Este hotel, no meio de todo o caos que o rodeia, assume-se como uma ilha de design e bom gosto. Com uma arquitetura moderna bem conseguida, uns tons brancos e amarelos bastante modernos, e uma simpatia de serviço irrepreensível, revelou-se logo à partida uma boa aposta para esta cidade. Melhor escolha ainda quando percebemos pelas voltas deste dia, que estamos situados mesmo junto ao centro nevrálgico de tudo o que queremos ver.

O Bloomrooms @ New Delhi Railway St um verdadeiro Design Hotel Low Cost ... mesmo a condizer com a companhia aérea que nos trouxe até aqui. Afinal a escolha low cost é possivel fazer na Índia sem perder qualidade ... nós arriscámos ... e temos a prova de que é possível!


14.00 O TLR by Emma

Chegados a Delhi, queremos começar a nossa visita à capital indiana com uma refeição digna de uma capital do mundo moderno: com cozinha ocidental.

Passaram já quatro dias que chegámos e respeitámos a nossa intenção de provarmos várias gastronomias indianas e fazermos também desta uma experiência de degustação de uma das gastronomias mais ricas do mundo. Mas por hoje ao almoço, e estando nós numa das capitais do novo mundo contemporâneo, quisemos testar um restaurante de cozinha internacional clássica ... e dirigimo-nos ao muito alternativo e desconhecido TRL by Ema em Houz Khas Village.

Este café, situado no segundo andar de um prédio deste característico bairro de Delhi, tem um ambiente caseiro, trendy e muito vintage. Mobilado com antigas peças de mobiliário indiano (de inspiração Europeia), com uma carta de gastronomia belga (exímiamente confeccionada), e uma frequência descontraída, despretenciosa, mas intelectual (e composta quase na sua totalidade por locais), o TRL Café by Emma foi o local ideal para fugir aos quase 40º que se faziam sentir lá fora e que nos receberam nesta cidade.


16.00 O Bairro de Hauz Khas

Composto por apenas algumas ruas sinuosas, este colorido bairro da cidade de Delhi, era uma antiga povoação cuja construção remonta ao século XIII, mas que pela evolução da cidade e pelo seu crescimento exponencial do último século, foi absorvida pela malha urbana da cidade nos idos anos de 1980's.

Este pequeno núcleo urbano, conserva no entanto uma atmosfera muito própria, com as suas conhecidas e famosas galerias de arte, os seus restaurantes boémios e as suas lojas alternativas.

É uma visita que vale a pena fazer, pois descobre-se uma delhi muito mais humana e perto do espírito de uma pequena cidade de província ...


17.00 O Templo de Lotus

Depois da cidade de Delhi parecer uma pequena cidade de província, afinal descobrimos que é uma metrópole de 27 milhões de habitantes ... e que parece que decidiram todos fazer o mesmo caminho que nós, pois as ruas até aqui relativamente organizadas (dentro de padrões indianos, claro) tornam-se uma verdadeira selva!

Como percebemos que o trânsito não nos permitia chegar a horas ao nosso destino seguinte que tínhamos programado, alteramos os planos e vamos então em direcção ao famoso e icónico Lotus Temple ... que encerra às 17.00. Com o transito que enfrentámos pelo caminho, conseguimos chegar mesmo no bate das 17.00 e ser umas das últimas pessoas a entrar neste imenso e espectacular recinto religioso.

Pertencente à seita Baha'i, este templo defende que todos os seres humanos são iguais (independentemente das suas crenças) e portanto tdos são convidados a rezar em conjunto neste espaço. É o segundo templo que visitamos nesta Rota dos Maharajas, que nos temos de descalçar (depois da mesquita de Haji Ali, em Mumbai), mas esta obra de arquitetura concebida pela imaginação do arquiteto iraniano Fariburz Sahba, vale a pena pela sua sublime beleza (e diz quem acredita), a sua impressionante energia positiva.

Crendo ou não crendo, há algo universal: a sua beleza é inquestionável e o seu papel de símbolo de uma cidade moderna é inegável!


18.30 Connaught Place

Construído pelos ingleses em 1931, exactamente para constrastar com o caos e a informalidade do típico e caótico bazar indiano, este complexo de edifícios comerciais são um excelente programa para depois de encerrarem todos os monumentos e ainda faltar tempo para o jantar: estamos a falar de Conaught Place.

Com um conjunto de difícios, este complexo comercial tem uma estética vitoriana irrepreensível e contrastante com toda a restante cidade indiana. A sua cor branca, a sua tentativa de mimetismo com os famosos armazéns londrinos, e a sua mais recente apropriação pelos indianos, transformando-o numa "espécie de Bazar" (subvertendo por completo a filosofia da sua construção, colocam este local, como um dos grandes espaços paradigmáticos da presença britânica na Índia.

O sol põe-se e nós dirigimo-nos para o Jantar de encerramento de um dia que já vai longo ... e que antecede um outro dia bastante longo (basta referir que, amanhã, temos um aviã para apanhar às 06.00h da manhã).


20.30 Um Jantar no Meio de Ladrões

Depois de mais um percurso no meio de um trânsito cada vez mais caótico (o que só prova que as primeiras impressões às vezes enganam), dirigimo-nos para o curioso restaurante de hoje: o mítico Chor Bizzarre de Delhi.

Este restaurante é um dos clássicos da restauração da capital indiana mais bem guardados. Tendo sido o primeiro restaurante indiano a garantir as normas de qualidade ISO 9002, o Chor Bizzarre é conhecido apenas por locais e pelos populares, mas tem uma decoração bastante interessante e única.

A filosofia do espaço é criar uma espécie de "gruta do Ali Bábá", em versão indiana, dando assim a impressão que se está a entrar numa sala com um conjunto de objectos aparentemente desconexos, mas que todos têm um aspecto em comum: serem valiosos e cobiçados por muitos ladrões. Mas melhor que tudo é a simpatida dos empregados (castiços e muito contentes de terem clientes estrangeiros, pois eramos os únicos na sala, sendo o resto indianos) e eles servirem uma cozinha indiana de excelência - podemos garantir que os três pratos que o menu refere serem sucessos há mais de 20 anos, são-no de mérito próprio, pois são muito bem feitos mesmo!

Foi um momento ideal para encerrarmos este longo dia ... e regressarmos ao hotel para nos prepararmos para mais uma outra viagem amanhã ... até aos Maharajas dos Céus.

A ROTA DOS MAHARAJAS| EM DIRETO - DIA 4


09.00 O Despertar

Acordar no Abode Boutique Hotel é como acordar em casa ... com a regalia de haver quem nos prepare o pequeno-almoço e de ter mais companheiros de casa que não conhecemos.

Os quartos têm dimensões generosas, a casa de banho é moderna e funcional e por todo o espaço temos fotografias antigas de uma família indiana e de Mumbai. Estamos num ambiente que cruza o tipo dos bons hotéis de charme, com a modernidade e a coolness que só está reservada a quem sabe ser e fazer.

O sorriso do pessoal, a pergunta se passámos bem a noite, o que temos reservado para este dia, fazem desta estadia uma agradável surpresa e do Abode Mumbai um oásis da hotelaria nesta mega metrópole indiana.


11.00 As últimas compras em Mumbai

Começamos o nosso dia com uma nova visita ao mercado de Colaba, para fazermos as últimas compras e por forma a fazer tempo para podermos embarcarmos na primeira visita do dia.

Desta vez, em vez de nos concentrarmos nas bancas de rua, vamos diretos a uma das lojas mais surpreendentes e interessantes de toda a cidade: a Good Earth.

Esta loja, aposta naquilo que por aqui se chama: o estilo "Nova Índia".

Com uma abordagem contemporânea, os objetos tradicionais da cultura indiana são reinventados e reinterpretados, à luz de um gosto e de uma cultura contemporânea. Sem deixar as ligações aos seus símbolos tradicionais, este conceito de estilo "Nova Índia", reinterpreta esses mesmos símbolos com um sentido estético bastante requintado mas em consonância com novas tendências de mercado e de moda. Saris, porcelanas, almofadas, vidros, perfumes ou jóias, são apenas alguns dos produtos aqui vendidos.

Este é mais um "oásis" de sofisticação que nos conduz ao nosso tema do dia "Bollywood"


13.00 O India Gate

Mesmo antes de embarcarmos naquela que vai ser uma das maiores aventuras desta viagem, dirigimo-nos para a famosa e icónica India Gate, compramos o bilhete de barco para a Ilha da Elephanta e entramos no recinto exclusivo a portadores de bilhetes.

Este imenso arco do triunfo é um dos monumentos coloniais mais impressionantes de toda a cidade. Sendo um dos ícones incontornáveis desta visita, o India Gate vale a pena não só pelo seu significado de Porta de entrada num novo território (significado pelo qual foi construído pelos ingleses durante a sua ocupação), mas essencialmente pela sua impressionante imponência.

É o momento de algumas fotografias icónicas e de muitas imagens dignas de bilhete postal.


13.30 A Viagem de Barco até à Ilha da Elephanta

Mesmo antes da hora de almoço começamos então a viagem de barco até à Ilha da Elephanta, mas como imaginavamos que não fosse num barco muito estável e cheio de condições, decidimos embarcar sem almoçar por causa do problema dos enjoos ... e fizemos bem!

O barco, tinha um formato e um aspecto que lhe dava uma imagem muito tipica ... e também muito frágil, prenunciando uma viagem dura e acidentada ... e foi! Esta é uma viagem que não é própria para cardíacos, pessoas que enjoem de barco em mar acidentado ou pessoas que tenham medo de experiências mais radicais. As condições de segurança do barco são inexistentes segundo os padrões europeus: desde a baia da zona de entrada nem existir, a não haver sequer coletes salva vidas ... é só pensar no que poderia faltar ... e falta!

O mar estava agitado (mais à vinda do que à ida), por ser época das monções (de Julho a Setembro), mas isso garante imediatamente que a água castanha do Mar Arábico entra pelo deck dentro em ondas mais altas e nas mais baixas salpica pelos lados do barco ... pelo que o resultado é sempre uma valente molha.

A água ao entrar cria uma agitação em todo o barco, pois todos a bordo (na sua quase totalidade indianos) fogem dela para não ficarem totalmente encharcados ... e depois gozam com quem levou com a onda em cima. Foi uma viagem de uma hora, cuja diversão e entretém são uma constante e garantidos.


14.00 A Ilha de Elephanta

Quando chegamos à ilha a deixam-nos num imenso pontão que temos de percorrer até à ilha, num percurso que nos dá tempo de nos habituarmos à temperatura abrazadoura, à alta humidade e à ideia de que estamos a chegar a uma ilha tropical repleta de selva.

Depois de percorrer todo o pontão chegamos à base de uma escadaria ladeada por bancas de vendedores de produtos para turista e inundada por macacos, cabras, cães e gatos. Os letreiros avisam-nos para termos cuidados com os macacos, pois roubam-nos o que puderem. Subimos 125 degraus irregulares e selva a dntro e chegamos à porta do local arqueológico das grutas sagradas de Elephanta, classificadas como Património Universal da Humanidade pela Unesco.

Estas cinco grutas foram construídas por volta do sec. VI e têm no seu interior salas de culto dedicadas à deusa Shiva. A primeira de todas as grutas é a mais espectacular de todas e tem o ex-libris de todo este recinto: a deusa Shiva de três cabeças.

Sombrias, humidas, suportadas por pilares esculpidos, sempre elevadas do plano da entrada (acedendo-se sempre pos escadas de pedra centrais), estas grutas são um must see de Mumbai. Mais do que espectaculares, estas são uma experiência. Segundo percebemos, ir durante as monções (de Julho/Setembro) tem a vantagem de estas grutas terem pouco cheiro (durante a época fora das monções o calor da selva e a falta de chuva garante uma experiência olfativa bastante forte) ... como desvantagem tem-se uma viagem de barco bastante mais acidentada durante as monções.

Depois de visitarmos as grutas, voltamos a descer a imensa escadaria, percorremos o pontão (um verdadeiro percurso mágico este o do pontão, pois transporta-nos para a ilha tropical e à saída funciona também como elemento psicológico de saída desta e de volta à Mumbai confusa e cosmopolita) e voltamos para mais uma hora de viagem de barco humida e acidentada ... ou como diriam alguns: "com emoção"!


16.30  Finalmente Bollywood

Depois de voltarmos ao hotel, tomar um duche rápido e mudarmos de roupa, vamos então ao ponto alto do dia que nos leva ao tema do dia de hoje - Bollywood.

Se no primeiro dia orientámos a nossa visita para ficar com uma noção da dimensão e diversidade da cidade, se no segundo dia nos dedicámos mais à Mumbai Colonial, neste terceiro e último dia vamos dedicar-nos ao famoso e mítico Bollywood.

É preciso referir que Bollywood não é como Hollywood: Bollywood não existe fisicamente. Bollywood é apenas uma expressão que foi criada e que cruza Bombay (antigo nome de Mumbai) com Hollywood, e que se refere à famosa indústria cinematográfica que aqui tem a sua sede. No entanto a maior parte dos filmes ou séries de televisão já não são filmados aqui, mas um pouco por toda a Índia e por todo o Mundo. Mas conforme referimos na apresentação do Conceito da nossa Rota dos Maharajas, viemos a Mumbai à procura do Maharaja dos nossos tempos: o Actor de Cinema de Bollywood.

Assim entrámos no nosso carro e o motorista levou-nos durante uma hora até à zona de Film City e para o Imperial Palace Hotel. Por gentileza do Abode Hotel, conseguimos entrar num local de filmagem de um dos famosos filmes de Bollywood!

Assim que chemos aos portões do recinto do hotel, percebemos que estamos perante uma verdadeira grande produção: a quantidade de camiões, as centenas de pessoas que circulam entre eles levando cabos, ou holofotes ou a segurança na entrada do hotel (que verifica todos os que entram) que nos impede de entrar sem termos identificação (por mais que o nosso motorista argumente ... não tendo a correcta identificação não entramos mesmo) para tal dá-nos logo uma ideia do que nos espera.

Ao final de cerca de várias argumentações do nosso motorista com os seguranças, de mover o carro três vezes para deixar passar camiões que chegam e partem e de quase uma dezena de telefonemas, chega ao portão um sorridente, e jovem assistente de produção que autoriza a nossa entrada ... e assim entramos em Bollywood.

De nome Ahmad, vai-nos pedidndo desculpa por ter demorado a ir buscar-nos, mas que estava ocupado, pois estava-se a filmar uma cena que não podia sair de onde estava ... com o entusiasmo que estamos por termos conseguido entrar numas filmagens de Bollywood, dizemos-lhe que, obviamente não tem problema. Segue o caminho entre os camiões e pergunta-nos se queremos beber ou comer algo, ao que explicamos que ainda não almoçámos ... e leva-nos ao Catering da produção onde nos servem simpaticamente um almoço ... como o simpático Ahmad ainda não tinha almoçado também, convidamo-lo a sentar-se conosco e comer também. Enquanto comemos (numa tenda de produção onde está montado um refeitório) explica-nos que este filme vai estrear em Outubro e tem à frente duas das maiores estrelas de Bollywood do momento. A história é um remake de um filme do Hollywood "Night and Day" ... mas que aqui se vai chamar Bang Bang. É uma super produção, com espiões, muitos efeitos especiais, duplos e tudo o que uma grande produção tem direito ... afinal estamos em Bollywood, a maior indústria cinematográfica do Mundo!

Quando acabamos de comer dirigimo-nos então para o edifício (que estava obviamente todo reservado exclusivamente para as filmagens) para irmos ver ao vivo a máquina de Bollywood em acção. O hotel é um imponente edifício de príncipio do século XX, com arquitetura colonial, que tem interiores de estilo neoclássico, ultra trabalhados, e verdadeiramente espectaculares ... agora transformados em Casino Europeu. As centenas pessoas de figurantes (europeus na sua maior parte, mas também africanos, orientais e indianos), as centenas de assistentes técnicos, a dimensão de todo o set de filmagens, e as desenas de cabos, holofotes, tubos de ventilação, e toda uma parafernália de câmaras e mesas técnicas assegura-nos uma coisa: estamos verdadeiramente perante uma produção com um orçamento gigantesco!

Tinhamos sido avisados à partida que não poderíamos tirar fotografias de nada que revele o conteúdo do filme ... o segredo sobre este filme é grande, bem como o cuidado dos seguranças que nos observam a dodo o momento para ver se respeitamos o pedido ... respeitamos!

Ao fim de uma hora de estarmos a assistir ao vivo e a cores às filmagens de um filme de Bollywood, de vermos como os Atores aqui são tratados verdadeiramente como deuses - ninguém lhes dirige a palavra a não ser o assistente de cada um deles e o realizador ... e eles passam por todos, inculsivé por nós, com um ar nem de altivez, nem de simpatia ... mas de apatia total e completa perante as centenas (se não milhares) de pessoas que os rodeiam - agradecemos ao Ahmad a simpatia de nos ter recebido e de nos dar a hipótese de termos tido esta experiência ... e saímos de cena!


19.30 No Topo de Mumbai

Se a experiência que tínhamos acabado de ter nos deixou incrivelmente entusiasmados e irremediavelmente rendidos a Bollywood, não quisemos deixar esta Mumbai Bollywoodesca e continuámos nesse mood.

Assim já de regresso à cidade dirigimo-nos ao Topo do Four Seasons Hotel e ao seu muito conhecido e mágico Aer Loung. A vista deste local é impressionante, pois abarca toda a imensa metrópole numa panorâmica de 360º. As luzes que se acendem, as torres a perder de vista no horizonte, e o imenso tráfego das ruas que se movimenta incessantemente lá em baixo fazem deste sofisticado e moderníssimo bar o local perfeito para continuar este espírito Bollywoodesco por esta última noite de Mumbai.

Ficamos aqui, ao som de uma música Chill Out muito Jazzy, com uma conversa animada (já de novo com a nossa amiga Ayesha e com a sua muito simpática amiga Priscilla, que acabamos de conhecer) a contar o que acabámos de presenciar, e as horas passam sem darmos por isso ... bem como os deliciosos cocktails que aqui fazem (os Appletinis são um "must taste" ... acreditem).


22.00 A Grande Despedida de Mumbai

Depois de alguns cocktails, a conversa continua em ritmo animado no carro e dirigimo-nos à zona industrial de Lower Parel, e entramos nos portões de um complexo industrial que agora se encontra convertida em zona de bares e restaurantes e lojas chiques - o Laxmi Industrial Mills.

O ambiente que aqui se vive é o equivalente indiano de um complexo industrial do princípio do século XX, que agora foi totalmente ocupado e reconvertido em zona chique de restaurantes, bares, discotecas, lojas de roupa e de decoração ... e que aqui, tem a exclusividade se dirigir apenas a uma elite muito pequena dos 20.000.000 de habitantes desta metrópole.

O nosso destino é o Café Zoe, para um grande jantar de encerramento desta nossa passagem por Mumbai, organizado pelas nossas duas anfitriãs de serviço. O carro pára, saímos, e guidados pelas nossas simpáticas amigas locais, entramos numa porta pequena ao fundo de uma passagem estreita e deparamo-nos com um enorme hangar industrial, repleto de pessoas bonitas, cheio de boa música e inundado de cheiros de comida apelativos e deliciosos. Perguntam-nos onde queremos a mesa e escolhemos a mezaninne para melhor poder controlar todo o recinto.

Sem perder o toque indiano, este restaurante é o local perfeito para podermos trazer a esta nossa viagem uma Mumbai ultra sofisticada, cosmopolita, com um estilo próprio, mas enquadrado nas correntes internacionais. O ambiente mistura pessoas com estilo internacional, com outras que repensam os padrões e a cultura mais tradicional indiana, o bom aspeto de todo o staff garante a selecção criteriosa deste e a decoração cuidada ao mais ínfimo detalhe fazem deste um espaço irrepreensível e muito trendy ... quer em Mumbai, quer em qualquer parte do mundo.

Sentamo-nos e escolhemos cada um o seu prato e o que nos surge é uma surpreendente fusão entre a cozinha europeia e o exotismo indiano ... indescritivelmente perfeita. O balanço dos temperos, a perfeição dos tempos de cozedura e de confeção dos alimentos (quer seja carne, massa, arroz, batata ou legumes), a excelência dos produtos e a simpatia e coolness do serviço fizeram deste jantar o momento memorável e perfeito para encerrarmos esta nossa estadia em Mumbai ... e assim o fazemos!

A aventura da viagem de barco até ao património universal da Unesco; assistir a umas filmagens de Bollywood; o copo de sunset no espectacular Aer Loung; o este incrível jantar no Zoe Café ... Este foi um dia em grande!

A ROTA DOS MAHARAJAS | EM DIRETO - DIA 3


09.00 O Pequeno-Almoço

Depois de uma noite bem dormida num quarto onde todo o bulico das ruas, não chega, veio um dos momentos que mais gostamos qundo viajamos: o pequeno-Almoço dos hoteis.

No Abode Hotel, tudo é consequente e bem pensado. Se estamos em Mumbai, numa versão sofisticada e cool, então o pequeno-almoço também o teria de ser ... e foi!

Fruta descascada e partida na hora (com mangas docíssimas e goiabas deliciosas), um sumo de melancia hiper fresco e uns ovos mexidos feitos no momento, foram as estrelas deste momento inicial do dia.

A nossa primeira ideia do Abode Mumbai Boutique Hotel, confirmou-se: é mesmo um dos locais de referência nesta cidade sofisticada e que reflete uma nova Índia!


10.30 O Bairro de Kala Ghoda

Saídos do hotel dirigimo-nos para o nosso primeiro destino do dia: o Bairro de Kala Ghoda.

Com o objectivo de hoje nos dedicarmos à Mumbai colonial, rumámos a este simpático e característico Bairro do centro histórico desta cidade.

Com ruas estreitas, edifícios coloridos de estilo colonial (como a principal sinagoga da cidade) e um frenesim nas ruas, que já nos indicava que a cidade de hoje seria totalmente diferente e muitas vezes mais frenética do que a de ontem (que foi dia de folga na Índia, pois os indianos trabalham seis dias por semana, folgando ao Domingo), fomos deambulando pelas ruas e observando todo o movimento caótico e imparável das mesmas.

Carros, pessoas, vacas, camionetas, carreadores de mercadorias, bicicletas, motas ... tudo convive num único espaço: as faixas de rodagem ... pois os passeios são estreitos e estão normalmente ocupados por vendedores amulantes.


12.15 Victoria Station

Foi pelo meio de ruas com um movimento caótico e depois de uma forte chuvada tropical, que chegámos ao nosso ponto seguinte do dia: a famosa Victoria Station de Mumbai.

Esta magestática e monumental estação de combóios, é o principal ponto de partida e de chegada ferrovário de Mumbai. Por aqui passam em média cerca de 4.000.000 de pessoas por dia, numa confusão constante de movimento coordenadamente caótico.

O ruído desta massa de pessoas, dos combóios dos frenéticos e estridentes avisos sonoros, os anúncios publicitários dos ecrãs é único e quase tão impressionante quanto a dimensão desta gigantesca estação de combóios.

Segundo soubemos, nesta imensa estação dos maiores caminhos de ferro do mundo (os indianos, claro) chegam a nascer, viver e morrer pessoas, sem nunca de cá sairem. Esta imagem é tão impressionante quanto a própria arquitetura da estação em si e a sua dimensão arquitetónica, estética, populacional e sonora!


13.45 O Nosso Primeiro Taxi

Depois de nos impressionarmos com uma estação de combóios de uma dimensão de pessoas e espacial como nunca vimos anteriormente, decidimos apanhar o nosso primeiro táxi desta viagem, mesmo à porta desta estação. A ideia era tão divertida quanto desafiadora ...

No meio de uma multidão desordenada para apanhar taxi, que se espalha do passeio para as faixas de rodagem, lutamos por um taxi ... mas com a dificuldade de não falarmos Hindi e portanto não nos ser fácil explicarmos para onde queremos ir.

Lá entramos num taxi e a experiência de ser conduzidos, a uma velocidade alta, no meio do tráfego caótico da cidade começa. As distâncias entre carros são alucinantemente pequenas, em cada três faixas de rodagem circulam mais do que três carros e algumas motas (sem contar com pessoas ou bicicletas) e durante todo o caminho temos a noção de que se não nos encolhermos dentro do carro, nós não vamos caber no espaço que o condutor enfia o táxi.

Foi uma experiência única que aconcelhamos vivamente a todos!


14.00 A Mesquita no meio do Mar

A nossa viagem de taxi levou-nos a um dos locais sagrados de Mumbai mais populares: à Mesquita de Haji Ali.

Situada na baía de Mumbai, está uma das mesquitas mais sagradas da Índia e um dos destinos turísticos (para os muçulmanos que visitam a cidade) mais concorridos. É neste pequeno templo que se encontram os restos mortais de um antigo rico mercador que doou a sua fortuna, após uma viagem a Meca.

Mas tivemos um contratempo: estando esta mesquita construína numa pequena ilha no meio da baía, o seu acesso é feito atravez de um passeio, que só se encontra acessível quando está maré baixa ... e àquela hora ainda a maré estava alta demais para se passar.

Sendo a hora do almoço (e tendo sido informados que só se poderia aceder depois das 15.00h, decidimos então is almoçar e depois voltar para a visita tão desejada, deste local tão sagrado.


14:30 O Almoço Indiano

Debaixo de um calor abrazador, e de uma humidade altíssima percorremos, em direção a Norte, toda a avenida que bordeja esta parte da baía e dirigimo-nos para o muito comentado (por aqui, pelo menos) Copper Chiminey.

Este restaurante, verdadeiramente popular entre a classe média alta de Mumbai, tinha as suas mesas quase todas cheias de famílias indianas a comerem a comida típica da do estado de Maharashtra, mas executada por um dos melhores chefs tradicionais desta gastronomia.

Receberam-nos de forma irrepreensível e nós decidimos provar várias das especialidades da casa que estavam disponíveis na carta e no buffet. O resultado foi uma explosão de sabores e sensações impressionantemente fortes. Não só o picante era em doses agradáveis para nós (existia, obviamente, mas não era avassalador, como é costume por aqui, pois tivemos o cuidado de não escolher nada com o símbolo "Spicy"), mas a diversidade de especiarias, a mestria da sua utilização, a qualidade dos alimentos e a cozedura destes eram perfeitas!

Foi, sem qualquer dúvida, um repasto digno de nota.


16:00 A Visita à Mesquita de Haji Ali

Fazendo então o caminho de volta, vimos que o passeio que outrora se encontrava submerso, estava finalmente aberto e cheio de pessoas em romaria à Mesquita de Haji Ali ... e assim lá nos dirigimos.

Ao longo do caminho, sentimo-nos a mergulhar num universo mistico e religioso muito próprio, que não compreendemos totalmente, mas que se nos impõe de forma suave e cativante. Todo o paredão estava assim cheio de pessoas, umas indo para e outras voltando da Mesquita, o cheiro nauseabundo das margens do paredão, com o lixo deixado pela descida da maré era forte e dos lados deste percurso, potuavam verdadeiros mendigos e pedintes indianos.

Alguns rezavam alto, outros pediam dinheiro, em troca de uma oportunidade de uma pessoa se pesar numa balança que tinham ao seu lado, outros, apenas mendigavam, em nome da sua fome ou de uma deficiência que rapidamente e ostensivamente exibiam. O cenário é impactante, impressionante e pouco recomendável a pessoas que prefiram experiências menos duras do ponto de vista sensorial.

Chegados ao fim, entramos então numa pequena mesquita, onde está uma multidão de pessoas, todas elas a circular entre as fontes das abulações, e o templo de orações e o mausuléu central.

Esta visita e o seu percurso foram um dos pontos altos da nossa estadia em Mumbai até ao momento ... e seguramente um dos pontos altos de toda a viagem.


17:30 O Mercado de Crawford

Saídos da mesquita apanhamos um segundo táxi e dirigimo-nos ao ponto seguinte da nossa visita desta Mumbai colonoal: o muito concorrido Mercado de Crawford.

Este imenso edifício de estilo vitoriano, alberga um dos maiores mercados de frutas, especiarias, produtos de higiene, aves, cestarias e outros produtos de casa, conservas, doces ... enfim ... todos os produtos de consumo diário do quotidiano desta população de 20.000.000 de habitantes desta cidade.

Sendo uma babel impressionante, não nos é simples entrarmos. Pela entrada principal somos abordados por homens que nos querem cobrar uma taza por nos acompanharem na visita ao mercado, alegando que é obrigatório o seu acompanhamento. Recusamos e saímos ... e dirigimo-nos a uma das entradas laterais ... e aí descobrimos que não há qualquer problema de estarmos sozinhos ... pois somos apenas mais uns entre a multidão de milhares de pessoas que circulam no mercado neste final de tarde.

Perdemo-nos, reorientamo-nos, e voltamo-nos a perder ... mas a visita traz-nos pela segunda vez neste dia uma experiência olfativa forte e dificil de controlar os seus efeitos. Os aromas fortes das especiarias misturam-se com os das aves, os das frutas com os das carnes (apenas frango e borrego) e toda a babel de pessoas, cores, texturas e sons (dos pregões, dos negociantes a fazerem negócio, ou dos transportadores de mercadorias), se transforma também numa babel de cheiros e sensasões.


19:00 As Primeiras Compras

Sendo Mumbai o maior entreposto comercial de toda a Índia, e estando toda a cidade dominada por pequenos mercados, decidimos dedicar um pequeno tempo que nos resta até ao jantar de hoje, às primeiras compras ... e saindo do Mercado de Crawford, apanhamos de novo um Táxi (tão alucinante como o primeiro ou o segundo) e dirigimo-nos de novo ao Mercado de Colaba Road, onde estivemos ontem.

Aqui, já junto ao nosso hotel, começamos a rever alguns dos produtos típicos que vimos no dia anterior e que quisemos saber preços ... e logo percebemos que saber preços não é situação que se faça de ânimo leve. Todos (incluindo a Ayesha) nos tiham dito que o regateio era uma prática levada bastante a sério na Índia ... mas não a imaginavamos tão difícil de escapar.

Assim surgiram compulsivamente as primeiras compras desta viagem ... e rapidamente se esgotou o tempo que tínhamos antes de jantar.

Regressámos ao Hotel para deixar as poucas compras que fizemos e preparámo-nos para um jantar que já prenunciava o dia seguinte.


21:00 O Café Cala Ghoda

Já trazíamos a indicação das nossas pesquisas de preparação da viagem, mas na manhã de hoje passámos à porta, para confirmar o local e se as indicações de qualidade que tínhamos estavam correctas ... e estavam. Decidimos jantar no muito pequeno, mas chic Café Cala Ghoda.

Situado em pleno coração do bairro com o mesmo nome, este pequeno café recuperou de forma contemporânea, um tradicional casa deste bairro, para um pequeno e sofisticado café e restaurante.

A decoração mistura inteligentemente o estilo internacional com a herança arquitetónica do edifício pré-existente, conseguindo um espaço intimista, mas moderno, simples, mas com a decoração corretamente presente.

A cozinha é moderna e conquistou-nos pelo toque indiano que deram à cozinha internacional. Deixamos aqui o nosso destaque para um extraordinário Bolo de Cenoura de estilo ocidental, ao qual foi acrescentado o cravinho e a cenora em raspas (em vez de ser em puré como se faz no ocidente). É um must taste de Mumbai ... assim o diziam as informações que tínhamos ... e assim o dizemos nós.

Aqui ficámos neste café até ao final da noite ... deliciados com o bom ambiente, a excelente música de Jazz Indiano que passavam e uma gastronomia internacional, mas com um toque indiano muito presente ... o que a torna exoticamente conhecida e próxima.

Depois de sairmos e depois de uma excelente refeiçã, decidimos dar por encerrado o dia e dirigir-nos a pé para o hotel, num agradável passeio noturno por entre esta Mumbai Colonial que hoje marcou o nosso dia.

Amanhã o tema será diferente ... e muitas e extraordinárias experiências nos esperam ... por isso não percam ... que nós também não vamos perder!