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NOS TRILHOS DE VERA CRUZ | EM DIRETO - DIA 8


O CAFÉ DA MANHÃ DA BAIANA

Com uma noite, apesar de curta, mas bem dormida, tomamos o pequeno almoço no hotel e mais uma vez dirigimo-nos ao páteo traseiro, onde está uma espécie de jardim vertical tropical e uma pequena piscina, e onde se pode tomar o "café da manhã".

Se o hotel é bom, o pequeno almoço, é igualmente bom e bonito. Servido à mesa por simpáticos empregados e por uma cozinheira vestida de baiana, num agradável pátio exterior com plantas e decoração colonial, tudo vai surgindo a um ritmo certeiro e com os sabores apurados.

Pãesinhos diversos, queijos e compotas, patés e doces, bolos e frutas, sumos naturais ou ovos, tudo é preparado na hora para cada um dos hóspedes, no entanto, esta preparação é tão eficiente que surpreende e faz com que tudo esteja na mesa no tempo certo, como se este serviço de mesa personalizado se tratasse de uma harmoniosa sinfonia gastronómica.

É um dos melhores pequenos almoços que comemos até agora e faz com que comecemos logo bem o dia.


A SANTA CASA DA BAÍA

Por recomendação do nosso amigo miguel, começamos o dia no Museu da Santa Casa da Baía, para conhecermos melhor a história desta cidade de Salvador.

A poucos minutos a pé do hotel, em pleno centro histórico, está um edifício do século XVII, com igreja e convento, que foi o primeiro hospital de todo o Brasil. É exactamente aqui, na sede colonial da antiga Santa Casa da Misericórida de Salvador que se ficamos a conhecer algumas das mais curiosas histórias da cidade. Dos seus provedores aos benfeitores, das suas missões às doações que foram feitas ao longo dos sécuos, tudo este museu mostra e assim começamos o dia com excepcionais vistas sobre a Baía de Todos os Santos (pois este palácio situa-se mesmo na beira do morro da cidade velha) e uma lição de história sobre Salvador.

Esta é uma visita simples e rápida e que ensina muito sobre Salvador e esta cultura baiana.



O MERCADO DE SÃO JOAQUIM

Depois de visitarmos o Museu da Santa Casa da Baía, apanhámos um Uber e fomos até à zona portuária e descemos no popular Mercado de São Joaquim.

Este mercaco é o mercado abastecedor da população da cidade, em tudo o que ela pode precisar na sua vida quotidiana. Fruta, vegetais, carne e peixe são produtos óbvios, mas este mercado surpreende pois também tem carne seca (o cheiro desta secção sente-se a centenas de metros), marisco vivo, temperos, farinhas (de mandioca, mas não só) e conservas, bebidas e doces, mas também roupa, sapatos, panelas, vassouras, velas, objetos de candomblé e animais vivos (tipo cabras, carneiros, galinhas ou pombos, etc.). O mercado de São Joaquim é imenso, e pelo exotismo, extensão, cor e diversidade de produtos e odores, faz lembrar os bazares árabes.

Neste caso tudo tem uma cor e um visual muito brasileiro e baiano, mas a miríade de produtos é um absoluto encantamento para os sentidos. Mas resistimos e saímos sem comprar nada!



O MÍTICO SENHOR DO BOM FIM

Ao sairmos do Mercado de São Joaquim apanhámos um táxi (pois não há wifi que nos permita chamar um Uber) e vamos até ao nosso próximo destino no programa de hoje: a mítica basílica do Senhor do Bomfim.

Mandada construir por um capitão português para pagar uma promessa que este fez, que dizia que se sobrevivesse a uma tempestade que enfrentou no Atlântico mandava construir uma igreja na primeira terra que aportasse, esta basílica é conhecida pela sua capacidade milagreira e como tal pela sua tradição de pedidos de crentes e devotos.

Nesta igreja (ao contrário das do centro histórico) não se tem de pagar para visitar a igreja ... mas se se quiser visitar o museu e subir à torre, aqui sim já é preciso pagar (e ao contrário das principais do centro, também não aceitam cartão de crédito). Como nos explicou a guia que nos conduziu na visita ao museu da basílica, a própria igreja é fruto de uma promessa, por isso esta basílica ficou para sempre associada a promessas e a pedidos.

Ora é desta tradição de pedidos e devotos que surgem as famosas fitas do Senhor do Bomfim, mas que a tradição manda serem compradas aqui e quando o desejo correspondente se realizar, se ofereça a fita para Iemanjá (a Orichá do Mar).

Este é um exemplo de como a cultura baiana cruza a herança branca portuguesa, com a cultura negra africana. Este cruzamento está presente em tudo e é isso mesmo que vamos provar a seguir ... pois o almoço é a nossa próxima paragem.




A MUQUECA DO LUA CHEIA

A apenas 7 minutos a pé do Senhor do Bomfim (que não são feitos por nenhum bairro perigoso, mas não tem presença policial) está o nosso restaurante de almoço de hoje: o Retiro da Lua Cheia.

Este restaurante é um pequeno jardim com um telheiro enorme e com uma impressionante vista sobre a Baía de Todos os Santos. Dos socalcos deste restaurante jardim, num dia limpo como hoje esteve, vê-se toda a baía, bem como as muitas ilhas que a povoam (que são mais de 300). Este espaço só pela vista de cortar a respiração já vale a pena visitar ... mas há mais encantos a seguir.

Este é um restaurante que só os locais frequentam. Apesar da sua proximidade com um dos locais mais turísticos de Salvador (a Basílica do Senhor do Bomfim), pela sua localização os turistas não vêm até cá. É por isso que este é um dos restaurantes mais espetacularmente autênticos que se pode encontrar em Salvador ... e tudo para comer a famosa Muqueca Baiana.

A Muqueca é um prato que tem raízes africanas trazidas pelos escravos que vieram de Angola no tempo das descobertas (sendo a sua irmã africana a Muamba), mas cuja receita foi mudada e adaptada aos ingredientes locais. Como é o prato especial da casa (aliás é o único na ementa, tem é mais de 10 variações), escolhemos a Muqueca de peixe siri. Contrariamente ao que se possa pensar, uma boa muqueca é saborosa, rica de sabores e leve, pois é na subtileza da sua confeção e do peso dos ingredientes (nomeadamente do óleo de dende) no resultado final, que está a mestria. E aqui, o Lua Cheia é inquestionável!

Deliciámo-nos, regozijámo-nos por esta sugestão que o nosso amigo Miguel nos deu na véspera, e pedimos a conta e chamámos o Uber, porque o dia de visitas ainda não acabou e outra instituição da cultura baiana nos agarda de seguida.




A CASA DO RIO VERMELHO

A Bahia e a sua capital Salvador, por causa de toda a sua herança portuguesa e a mistura desta com a cultura escrava africana, foi sempre berço de grandes intelectuais e artistas. Um dos seus maiores artistas viveu numa casa, em pleno bairro de Rio Vermelho, que decidimos visitar hoje a encerrar as nossas visitas do dia.

Assim sendo cruzamos a cidade do Bomfim até ao chique bairro e chegamos à casa on Jorge Amado e Zélia Gatai viveram. Assim que entramos na bilheteira, percebemos que estamos noutro universo. A casa foi o paraíso onde o prémio nobel da literatura brasileira (e o primeiro lusófono a receber esta honraria) e a sua mulher viveram a maior parte da sua vida e onde receberam toda uma complexa, completa, internacional e incrível corte de amigos que os visitou ao longo dos anos.

Mas o maior interesse desta visita está na forma como a visita à casa é feita. Depois de passar a portaria (cujos bilhetes podem ser pagos por cartão, obviamente, pois estamos num espaço museológico de qualidade internacional) percebemos que vamos visitar um universo intimista, onde convivemos de perto com a televisão do casal, a sua mobília, óculos de ver, frigorífico e fogão, biblioteca e cartas de amigos, ou até as famosas camisas de motivos tropicais que Jorge Amado tanto celebrizou.

É uma visita a uma verdadeira casa, que, graças à forma exímia como está iluminada e organizada a exposição ao longo da casa, nos transporta para um verdadeiro refúgio íntimo e único, belo e sereno, pessoal e intransmissível.

Esta foi a nossa última visita em Salvador, e foi talvez a que mais nos impressionou pela qualidade e pela sua sublime elegância e sofisticação.


A SALVADOR TRADICIONAL E CONTEMPORÂNEA

Depois da visita à Casa do Rio Vermelho, chamamos o Uber graças à simpatia de uma funcionária da casa, que nos disponibiliza a sua aplicação e nos explica que podemos pagar em dinheiro diretamente ao motorista (sim aqui a Uber dá para pagar em dinheiro ao motorista) e voltamos ao centro histórico.

Depois de uma batalha difícil para consegui levantar dinheiro no Banco do Brasil (pois só uma das oito máquinas disponíveis em frente ao nosso hotel, aceitava cartões internacionais ... e não estava sinalizada qual ... o que fez que tivéssemos eternidades para conseguir levantar dinheiro) fomos comprar os bilhetes do Theatro Miguel Santana, e fomos ver o espectáculo da Companhia de Folclore da Bahia, sugerido pelo nosso amigo Mark (o mesmo inglês que nos acompanhou no Pantanal e que coincidentemente também veio ao mesmo tempo para Salvador, e curiosamente ficou no mesmo hotel que nós).

O teatro é muito pequeno e o espectáculo é verdadeiramente autêntico e despretensioso. Para quem não vive na Bahia, é uma forma rápida e prática de ficar a conhecer as principais formas de dança baianas, desde a dança do Candomblé, passando pela Capoeira, e acabando no Samba. A companhia tem ainda o mérito de ter uma banda de música ao vivo e duas cantoras baianas, absolutamente excepcionais.

Melhor ainda foi perceber que o seu corpo de bailarinos é composto por antigos miúdos de rua que foram resgatados das ruas e ensinados a dançar estas coreografias tão tradicionais da sua própria cultura.

Gostámos, aplaudimos e saímos satisfeitos, quer com o espectáculo em si, quer com a oportunidade de testemunhar e apoiar (com a compra dos nossos bilhetes) uma instituição tão interessante como esta que cruza apoio social a jovens desfavorecidos e revitalização da cultura e das tradições locais.


O SALVADOR INTERNACIONAL

Mas para terminar o nosso dia ainda faltava um último momento gourmet, sugerido pelo nosso amigo: um jantar no Pasta em Casa.

Este restaurante do bairro do Rio Vermelho é um dos melhores exemplos de como a gastronomia na Bahia é quase uma religião. Este restaurante é um restaurante italiano especializado em massas. Confessamos que estranhámos a sugestão, mas confiámos e apanhámos o Mark, apanhámos um Uber e encontrámo-nos com o Miguel na porta do restaurante.

Quando entramos percebemos que estamos noutra Salvador: a histórica cidade deu lugar a uma antiga casa familiar que dentro encerra espaços de decoração verdadeiramente moderna e contemporânea. O serviço é de qualidade internacional, a comida de uma qualidade incrível e a sofisticação do ambiente dá-nos a conhecer uma nova Bahia, alinhada com os melhores restaurantes internacionais, e com uma qualidade gastronómica de excepção, quer seja na sua tradição, quer seja na cozinha mundial.

Foi um final de visita a Salvador absolutamente perfeito, que nos deixou ma visão completa e moderna, requintada e de grande qualidade da primeira capital do Brasil, a que hoje, orgulhosamente exibe a sua herança e modernidade, em pé de igualdade e com a mesma qualidade.

Segue-se uma noite bem dormida, porque amanhã a alvorada é matutina e mudaremos de cenário ... mas disso falaremos amanhã. Por agora dizemos "Salve Salvador"!

NOS TRILHOS DE VERA CRUZ | EM DIRETO - DIA 7


DESPERTAR PARA A HISTÓRIA

Depois de termos chegado de magrugada, acordamos pela primeira vez num dos hotéis mais charmosos de toda a viagem: o Villa Bahia.

Situado no coração do centro histórico de Salvador, este hotel ocupa dois pequenos prédios, que uniu, e agora são um moderno hotel, decorado com estilo colonial, e com o tema das descobertas portuguesas. Cada quarto tem o nome de um dos destinos onde chegaram os portugueses, os nossos foram o Goa e o Timor.

A beleza da casa, o cuidado com o detalhe na decoração e a eficiência e profissionalismo do serviço, fazem deste o hotel perfeito para esta nossa visita à capital Baiana.


NO CORAÇÃO DA HISTÓRIA

Saídos deste pequeno almoço perfeito, saímos então para o início da nossa visita da cidade de Salvador.

A cor garrida, a riqueza da arquitetura dos edifícios, as inúmeras igrejas e até o empedrado das ruas, fazem deste centro histórico algo muito familiar: estamos no centro de Salvador, que mais parece uma pequena cidade antiga portuguesa, mas com cores fortes e mais verde.

Esta parte da cidade, classificada de património universal pela UNESCO, é uma verdadeira jóia colonial portuguesa. As igrejas, as casas senhoriais, o empedrado das ruas, são verdadeiras obras de uma herança que aqui deixámos, e que orgulhosamente agora os baianos assumem como sua. Foi neste lindíssimo centro histórico contexto que estivemos toda a manhã e que nos deixámos perder e conquistar, pelos encantos da Bahia.




O TERREIRO DE JESUS, A SÉ MODULAR E O LARGO DO PELOURINHO

Foi neste coração português baiano, que visitamos vários dos principais monumentos da cidade, a começar pelo Terreiro de Jesus (a praça central de todo este centro histórico) e a incrível Sé Catedral.

Uma das grandes curiosidades que aqui nos apercebemos é que as igrejas têm formas muito parecidas às de Portugal, mas isto tem uma razão de ser. Nos tempos das descobertas, e da fundação desta que foi a primeira capital do Brasil (e chegou mesmo a ser capital do império, durante as invasões francesas) as igrejas eram fabricadas pedra por pedra em Portugal e transportadas por barco para aqui, onde eram montadas corretamente pelos construtores locais. Isto porque se entendia que a pedra local não era tão boa como a europeia, e assim tudo tem um estilo muito semelhante ao português de Portugal. É o caso da Sé Catedral localizada em pleno Terreiro de Jesus, que foi fabricada em mármore do Alentejo, e assim é muito semelhante à sé de Vila Viçosa (pois foi fabricada pelos mesmos canteiros que esta e na mesma época em que estes estavam a construir a sé local).

No interior as igrejas são incrivelmente ricas. Todas construídas no século XVIII, os altares são todos eles profusamente decorados com uma talha dourada incrivelmente rica e toda a estatuária e pintura tem uma qualidade que impressiona pela riqueza e pela sua qualidade. Mas há outro elemento muito familar nestas igrejas baianas: os painéis de azulejos em estilo português, que estão presentes em todas e que ilustram a chegada os portugueses, a evangelização dos indígenas e a história do santo da ordem religiosa respetiva. Como cada ordem tinha a sua igreja na capital das terras de Vera Cruz, há bastantes igrejas para visitar. Nós escolhemos as mais importantes e maiores: a sé catedral jesuíta, a igreja de Nossa Senhora dos Rosário dos Negros, a Igreja e Mosteiro de São Bento (dos Beneditinos) e a impressionante Igreja de São Francisco (dos Franciscanos).

Mas como se isto não bastasse para nos sentirmos verdadeiramente em casa, temos também o Largo do Pelourinho (símbolo do poder régio distante). Neste já não se consegue vislumbrar um Pelourinho, mas está ainda um sinal da sua existência: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Negros. É que esta era a única igreja que aceitava sepultar os negros que morriam à luz da justiça régia, e cuja sentença era leve o suficiente para lhes permitir um enterro católico. Assim esta igreja ficou marcada por esta característica.

Mas este Largo do Pelourinho é famoso também por outro motivo: o teledisco da música "They Don't Care About Us" de Michael Jackson. Foi neste espetacular cenário que o lendário músico gravou o seu teledisco e celebrizou os tambores baianos. E se todos nos lembramos do teledisco, quem quer que visite este largo revive esses ritmos e essas imagens, pois as cores dos edifícios e a luz são exactamente as mesmas que aparecem neste famoso videoclip.

Deixamos aqui uma dica: em princípio, todos os locais turísticos que visitámos (igrejas neste caso) têm entrada paga, mas quase todos aceitam cartão de crédito para pagar as entradas. Por isso esta visita é muito facilitada e todo o processo de entrada se faz sem filas.


A INCRÍVEL ARTE E O FASCINANTE ARTESANATO BAIANOS

Mas se a Bahia é conhecida mundialmente por algo é pela sua gastronomia e pela sua arte popular. Assim por todo o centro histórico encontram-se restaurantes, cafés e lojas de artesanato e galerias de arte com trabalhos absolutamente incríveis.

Aqui as habituais lojas de souvenirs para turistas, estão substituídas por autênticas lojas com objetos de artesanato verdadeiramente curioso e original, ou por galerias de arte onde os artistas locais (com os seus mais diversos estilos) ilustram as tradicionais cores e imagens baianas. Desde fotografias de pinturas corporais (absolutamente incríveis), a pinturas em estilo baiano de paisagens da cidade ou de mercados (com umas cores eletrizantes), passando por cerâmica, trabalhos em papel, esculturas em ferro, a diversidade das obras é imensamente rica e absolutamente fascinante. Se noutros tempos eram as cangas ou as chinelas que fascinavam, agora são as bonecas baianas e os orixás os reis da atenção.

No meio de tanta loja e galerias a nossa escolha recai na impressionantemente boa Galeria Apoena (em plena esquina do Terreiro de Jesus, com o Terreiro de São Francisco). Este espaço de dois pisos reúne uma incrível coleção de objetos de arte, cuja qualidade impressiona qualquer um e que, depois de darmos uma volta pelas opções disponíveis, podemos afirmar isto com segurança, são únicos e não se encontram em mais loja nenhuma.

Assim, obviamente que não resistimos e ficamos fascinados com alguns dos objetos que encontramos nesta loja. Resistimos a comprar nesta primeira abordagem, mas como fica na esquina da praça do nosso hotel, foi certo e sabido que voltámos lá ao final do dia e perdemos a cabeça em compras de objetos fabulosos de artesanato e arte baiana.

Se Salvador se intitula (e bem) a primeira capital brasileira, pode também intitular-se a capital do artesanato brasileiro!




OS SABORES DA BAÍA NA CASA DE TEREZA

Mas não é só o artesanato que fascina, mas também a riqueza gastronómica da Bahia. Assim é corrente por todo o centro histórico os locais que servem boas muquecas, excelentes acarajés, e outras iguarias.

Uma dessas iguarias (e que nos refrescou a manhã) foi os gelados absolutamente deliciosos da Geladaria Cubana. Situada mesmo no coração da zona histórica, esta antiga casa de gelados tem nos seus sabores tropicais e na forma como trata a sua fruta fresca diariamente, a sua receita do sucesso. De facto estes gelados são uma verdadeira delícia, e são um ponto alto da gastronomia do centro histórico e que não convém mesmo perder ... e nós não perdemos. No entanto, para almoçar, nós preferimos sair do centro e ir até à mais chique zona do Rio Vermelho e à conceituada Casa de Tereza.

Sendo quarta-feira (dia nacional da feijoada) e estando nós na Bahia, e ainda por cima tendo escolhido um dos seus templos gastronómicos para esta primeira refeição, decidimo-nos por pedir uma feijoada baiana para este primeiro almoço em Salvador.

Mas antes de falarmos desta feijoada, convém dedicar um parágrafo ao restaurante Casa de Tereza. Dirigido pela simpática Tereza Paim, este espaço é um encontro entre cultura baiana tradicional, com artistas contemporâneos locais. Assim as obras de arte que povoam este cuidado e requintado espaço, são uma verdadeira galeria de arte, diversa e de grande qualidade, característica e cheia de personalidade baiana.

Mas se o espaço é muito bom, a comida, essa é fantástica. A riqueza da gastronomia baiana aqui adquire um novo patamar de excelência. Os ingredientes são puros e de grande qualidade, as receitas dos pratos servidos são sofisticadas e misturam tradição de sabor com a sofisticação de serviço e de apresentação e os sabores que sentimos ao degustar tais iguarias são inesquecíveis e em sintonia com toda a perfeição que sentimos em tudo neste restaurante. Desde a decoração exímia, ao sorriso aberto do empregado, passando pela palavra simpática da própria chef, que vem à mesa saber se está tudo do agrado dos seus convidados (como nos chama), à perfeição da feijoada servida.

A Casa de Tereza é um espaço lindo e único em toda a cidade de Salvador, que recomendamos vivamente e se torna imprescindível visitar em qualquer passagem pela Bahia de qualquer amante da arte de bem comer.



O MERCADO MODELO E O ELEVADOR DO LACERDA

Depois de uma refeição tardia, mas incrível, e de uma boa conversa com a simpática Chef Tereza Paim, rumamos de novo à zona histórica de Salvador, mas desta vez junto à parte baixa e ao popular Mercado Modelo.

Este mercado oitocentista, foi construído sobre o antigo mercado de escravos de Salvador. Assim este local junto à baía de todos os Santos (que banha a cidade de Salvador, e onde aportavam as caravelas dos descobrimentos) é não só cheio de história, mas tem ainda mais interesse, pois é um dos mercados mais antigos do mundo ainda em funcionamento (tendo começado por ser mercado das mercadorias vindas de Portugal e de escravos que vinham de África, mas actualmente estando dedicado a todo o artesanato e produtos da cultura baiana. Mas aqui os produtos que se encontram são mais populares dos que os encontrados na zona alta. Assim perdemo-nos nos dois andares deste imenso mercado e regateamos, falamos, ficamos a conhecer alguns dos vendedores pelo nome.

Como é o exemplo da simpática e muito afável Aura, que tem umas mantas e umas toalhas de fio e linha únicas no mercado. Como ela diz, ela está ali por causa dos portugueses, pois foi um português que a acolheu em menina, a tratou como uma filha e lhe deu o seu primeiro trabalho no seu restaurante daquele mesmo mercado. E depois foi subindo no restaurante do Sr. Manuel (hoje já com perto de 90 anos e obviamente retirado, mas ainda vivo e que visita regularmente) até conseguir abrir a sua pequena loja que ainda hoje tem. É uma das veteranas do mercado e é uma das que tem melhores produtos de longe. É com ela que passamos mais tempo a conversar, a regatear, a rir e a fazer negócios. Mas foi um prazer mútuo, pois nós ficamos contentes com as compras e ela fica contente com os clientes (e dá-nos um presente final para nos recordarmos dela e daquelas risadas que demos juntos!

Este é o espírito deste Mercado Modelo, que é modelo de boas compras e de pessoas simpáticas, que querem vender, mas que têm grandes histórias para contar e se dão com um sorriso afável e simpático ao turista que por lá passa. Mas seguimos e vamos até ao maior ex-libris da cidade de Salvador: o Elevador do Lacerda.

Este elevador dos anos 1950 liga a cidade velha à zona do antigo porto e, portanto, do Mercado Modelo. A entrada é obviamente paga, e a viagem é muito rápida e prática e essencial, pois por este elevador o caminho entre o porto e o centro histórico é seguro, mas quem for dar a volta para poupar dinheiro e subir a pé, vai passar por uma das maiores armadilhas que o turista pode cair aqui. É que é nas ruas que ligam o antigo porto ao centro histórico que se dão os maiores assaltos a turistas, pois aí os miúdos de rua estão à espera dos turistas para os assaltar e a polícia só está em cima e em baixo da rua (que não é longe, mas é a distância suficiente para os assaltos se darem). Por isso aceitem a nossa recomendação e subam pelo elevador, pois é mais prático e seguro, e a vista que se tem na praça lá em cima do elevador e da baía de todos os santos é absolutamente incrível. Nós tivemos a sorte de conseguirmos estar aqui exactamente em pleno pôr do sol, o que tornou ainda mais mágico todo o cenário.

A propósito desta segurança, aqui em Salvador, a presença da policia militar e da policia turística é constante em todos os locais mais turísticos. Sempre que há uma atração turística perto há polícia militar visível e em grande quantidade. Assim, se esta é uma cidade com alguns problemas de criminalidade, é também certo que nos pontos turísticos, a polícia é garante de segurança. Claro que alguns cuidados são essenciais, como não ir por ruas que parecem mais desertas ou mal iluminadas (principalmente à noite, como nos simpaticamente avisaram uns preocupados transeuntes no caminho a pé entre o elevador e o nosso hotel, quando perceberam que estaríamos a dirigir-nos a ruas menos seguras), ou não andar com grandes valores à mostra (câmaras fotográficas ou jóias ou relógios são os principais problemas), fechar sempre as malas e mochilas e não aceitar presentes dos meninos de rua (nomeadamente as populares fitas de Senhor do Bomfim, pois várias delas estão marcadas para assinalar os turistas mais incautos - os que aceitam os presentes - como os principais alvos a assaltar).

Enfim, tudo isto são truques pequenos e com os quais se convive bem, não tendo nós tido qualquer problema de segurança em Salvador, nem tendo tido qualquer questão ou sensação de insegurança.


NO CUCO COM O MIGUEL

A diáspora portuguesa para o Brasil é grande e então, também aqui em Salvador temos um amigo a viver que nos acompanhou no jantar de hoje - o Miguel.

Português, aqui a trabalhar há já alguns anos, vem ter connosco ao nosso hotel e leva-nos a um dos seus restaurantes favoritos: o Bristrô do Cuco. Situa-se no quarteirão ao lado do nosso hotel e um dos melhores Bóbós de Peixe e Camarão da cidade.

Mas também tem uma das melhores esplanadas do centro, pois está situado entre a catedral e a imponente Igreja de São Francisco, no Terreiro de São Francisco.

Com a noite espetacular que estava, a banda que tocava na praça, as excepcionais iguarias que degustámos, a animada e interessante conversa que tivemos, esta foi uma noite perfeita, que durou bastante e só acabou a altas horas da madrugada.

Foi difícil ir dormir, mas teve de ser, pois o dia seguinte tinha mais um programa apertado e recheado de bons e promissores momentos tipicamente baianos.

NOS TRILHOS DE VERA CRUZ | EM DIRETO - DIA 6




O ACORDAR DO PANTANAL

Se ontem começámos o nosso dia com a percepção do acordar de uma fazenda pantaneira, hoje levantámo-nos ainda a fazenda dormia. Acordados e preparados, às 05 da manhã partimos para a nossa primeira aventura do dia: uma caminhada pelo Pantanal até à torre mais alta da fazenda, para aí assistir ao Nascer do sol.

Liberados pelo nosso simpático e sempre animado guia Tadeu, lá fomos passadeiras de madeira fora, em direção ao mato. Desta vez a caminhada foi toda sobre água (e algumas vezes com água por cima do tornozelo) e por isso todo o percurso foi feito por passadeiras de madeira elevadas. No entanto, e porque estamos no Pantanal, todo o cuidado foi pouco e assim foi com algum cuidado e muita adrenalina que passamos a poucos centímetros de jacarés (que estavam na água ao nível dos nossos pés (de vagar e sem fazer barulho, com indicações precisas e cuidadosas do nosso cicerone). Foi uma caminhada pelo escuro absoluto, onde apenas se ouvia os nossos passos e pouco mais.

Ao fim de uma caminhada de pouco mais de 25 min chegamos à torre (desta vez de metal e moderna) e subimos os seus lances de degraus íngremes até à plataforma do topo. Assim que chegamos percebemos que estamos muito alto, bem acima de qualquer copa de árvore e que o espectáculo do nascer do sol estava prestes a começar.

Em silêncio esperamos pela alvorada, e assim que os primeiros raios de sol se vêem, começa uma sinfonia de cânticos, ruídos e sons, que nos indicam que o Pantanal está a despertar. Ficamos nesta torre pouco mais de meia hora, e neste pequeno tempo o sol nasce e todos os sons da selva despertam e tornam-se fortes e impressionantes.

A vista é deslumbrante, a beleza estonteante e o momento perfeito!







A CAVALGADA NO PANTANAL

Depois de descermos da torre, de voltarmos para a fazenda e de tomarmos um excepcional pequeno almoço (que hoje tinha pastel de carne e tarte de legumes, e sumo de tangerina absolutamente deliciosos), vamos a pé até ao local onde vamos começar a nossa próxima aventura: o Passeio a Cavalgada no Pantanal.

Depois das apresentações feitas, entre nós e o peão Paulo, depois das regras explicadas (o cavalo que vai sempre à frente é o do Paulo e em terra mais seca podemos andar lado a lado, mas em terra mais húmida, convém ir um cavalo atrás do outro por causa das cobras e dos jacarés que existem nas águas ... umas regras que nos dão bem a noção da aventura que estamos a começar) lá saímos da zona dos estábulos e vamos todos em direção ao Pantanal.

O que se seguiu nas próximas três foi absolutamente mágico. A cavalo pelo pantanal dentro as paisagens ganham outro impacto e a adrenalina começa a subir. Primeiro estamos em terreno seco, mas depois começamos a entrar na água. Das primeiras vezes que entramos na água a sensação de maravilha com toda a situação, cenário e vivência é arrebatadora, mas mais à frente, quando o cavalo fica mergulhado em água até à sua cabeça e nós até à nossa cintura, torna-se verdadeiramente uma cena de um filme, que estamos a viver ao vivo e sem qualquer subterfúgio ou artificialismo.

Esta cavalgada pelo Pantanal foi absolutamente indescritível, pois teve momentos de grande adrenalina, nomeadamente quando todos rodeamos com os cavalos um Papa Formigas (um dos maiores animais do Pantanal, e extremamente difícil de ver, mas que tivemos a sorte de o encontrarmos e de ele se deixar ver), teve momentos de absoluta surpresa, como quando o Paulo chama os bois com uns sons que nos parecem estranhos, e logo de seguida começamos a ouvir o som de animais a andar na água e minutos depois surgem dezenas de bois que vêm até nós, mas também momentos de absoluta maravilha, como quando cavalgámos nos vastos pântanos da região, apenas acompanhados por árvores, flores e pássaros.

Foi uma das mais incríveis sensações que tivemos na vida, e que, seguramente nunca esqueceremos. O verdadeiro Pantanal só se consegue ver e viver de uma maneira: em cima de um cavalo pantaneiro!




O ÚLTIMO ALMOÇO E A PARTIDA

Foi encharcados da cintura para baixo, com as nossas botas de borracha cheias de água, mas absolutamente em êxtase que regressamos à Pousada e nos preparamos para o último almoço antes de partirmos.

Este almoço teve uma novidade: um bolo de Coco e Doce de Leite com chocolate, que nos deixou rendidos e simplesmente conquistados com esta gastronomia simples, mas muito deliciosa.

Esta foi uma curta estadia na Fazenda Araras, marcada por paisagens incríveis, um pôr do Sol e um nascer do Sol, deslumbrantes, um passeio de canoa belo e uma cavalgada inesquecível.

Mais do que tudo há que ressaltar a excepcional simpatia e disponibilidade de todo o staff da pousada, mas especialmente do nosso guia Tadeu. Foi graças a ele que vimos muitos dos animais (alguns verdadeiramente raros), foi graças a ele que toda a nossa estadia teve actividades organizadas num crescendo de emoção e foi graças a ele que ficámos a conhecer o espírito desta região brasileira, ainda bastante virgem, mas sem dúvida com uma beleza rara, única e absolutamente marcante.

Como disse o nosso motorista de regresso ao aeroporto de Cuiabá "vocês tiveram muita sorte, pois o Tadeu é um dos melhores guias que vocês poderiam ter!"

Mas se a nossa estadia na Pousada Araras foi especial graças à simpatia de todos, os nossos percursos entre Cuiabá e a Fazenda Araras e de regresso, não foi menos ... tudo graças ao simpático, simples e muito conversador Claudemil.

Ele é um apaixonado confesso do Pantanal, ao ponto de quando tem férias, apesar de trabalhar diariamente com turistas no Pantanal, prefere ir passear com a sua mulher para esta região do Mato Grosso. A sua beleza é algo que o fascina e sabe todas as histórias sobre a região, os seus animais e os seus costumes. Explica-nos tudo sobre as cidades que passamos, bem como a importância do Garimpo de Ouro na região (explicando que, apesar de já não ser tão poluente como era no início dos tempos de quando veio do Pará há mais de 15 anos atrás, continua sem gostar de ver esta actividade a existir no seu amado Pantanal ... "porque se há tanta terra amontoada, tem de vir de um buraco igualmente grande! É ou não é?" explica-nos na sua simplicidade apaixonante.

É graças a ele que as mais de duas horas de estrada picada se transformam num prazer, e é graças a ele, à sua simplicidade e à sua simpatia que, logo assim que chegamos ao aeroporto, já temos saudades deste Brasil, incrível, profundo, autêntico e muito hospitaleiro.

Mas novos Trilhos de Vera Cruz nos espera, e assim sendo, despedimo-nos com um abraço do nosso incrível Claudemil e entramos no aeroporto de Cuiabáe para rumar até ao próximo destino.



CHEGAMOS À CIDADE HISTÓRICA DE SALVADOR

Dois voos depois (um dos quais da GOL, mas desta vez sem incidentes de maior), uma apressada e atribulada escala em São Paulo - Guarulhos 8pois como voamos em duas companhias diferentes temos de, em apenas duas horas recolher as bagagens, dar a volta das chegadas para as partidas, fazer o check in no novo voo e voltar a despachar as bagagens para o novo voo da Lam), chegamos às duas da manhã à capital do estado da Bahia: a histórica cidade de Salvador.

Como já é bastante tarde, a nossa prioridade é chegar ao hotel (o que não foi tarefa fácil, pois o acesso de carro à zona histórica é bastante complicado e limitado), descansar e preparar-nos par mais um destino único e especial neste Brasil contemporâneo.

Depois da grande e moderna metrópole de São Paulo, e depois do território virgem do Pantanal, chegamos à histórica Salvador e ao incrível hotel Vila Bahia.

Situado em pleno centro histórico da cidade, este hotel é uma autêntica casa senhorial antiga, agora transformada em hotel de charme, que nos deslumbra por uma decoração bem cuidada e nos conquista logo à chegada por um serviço atento e simpático.

Chegámos à cidade histórica de Salvador!

NOS TRILHOS DE VERA CRUZ | EM DIRETO - DIA 5


O DESPERTAR DE UMA FAZENDA

A vida numa fazenda começa com o nascer do Sol. Assim foi com poucas horas de sono que acordámos no Pantanal.

O sol tinha acabado de se levantar, ainda a temperatura estava amena (uns 30º C) e os pássaros davam os primeiros sons da manhã, quando deixámos o nosso imenso quarto e nos dirigimos para um telheiro para tomar o primeiro "café da manhã" pantaneiro.

Pão de frango, sucos de fruta e pão de queijo, são apenas algumas das iguarias que se podem degustar logo às primeiras horas da manhã. O despertar na Fazenda é algo tranquilo, rodeado por uma natureza absolutamente luxuriante e que conta com uma arara de estimação da fazenda.

Tranquilo e absolutamente sereno foi o sentimento dos nossos primeiros momentos no Pantanal.


A SUBIDA DO RIO

Logo a seguir ao pequeno almoço, o nosso guia, o Tadeu, apresentou-se e levou-nos de pick up para o nosso primeiro programa do dia: subir o rio em canoa.

Após um curto passeio chegamos ao sitio dos caseiros onde estão já as canoas à nossa espera. Coletes vestidos e saltamos lá para dentro ... e começamos a remar rui acima. A sensação de tranquilidade é então maior do que nunca. À medida que nos afastamos do sítio, a natureza começa a ser mais luxuriante, mais presente e a vida selvagem começa a ser ainda mais presente.

Milhares de pássaros, de dezenas de espécies são a presença mais constante, mas claro que não faltam os macacos e os jacarés. Mas é o silêncio absoluto que se apodera do ambiente que é mais impressionante. O calor começa a apertar, a humidade a subir e ninguém fala. O peso da paisagem, das cores de verde e azul da vegetação e do céu e as cores vivas dos milhares de pássaros apoderam-se dos nossos sentidos.

É uma sensação única e muito impressionante a que se vive na subida deste rio da Fazenda Araras. Ficamos absolutamente rendidos à natureza poderosa do Pantanal.



A PESCARIA EM CASA DA SANDRA

Depois de mais de duas horas a subir e a descer o rio, voltamos ao ponto de partida e é aqui que conhecemos a dona da casa grande: a Sandra.

É ela que nos dá as canas (verdadeiramente canas naturais) com que passaremos a próxima hora. Numa ponte de madeira próxima instalamo-nos e com as canas em riste e carne de búfalo no anzol, esperamos tempos infindáveis por que um peixe morda o isco. E ao fim de mais de uma hora, é isso mesmo que acontece: um pequeno peixe dragão morde o anzol e toda a serenidade e calma que reinaram até aí se transformam em excitação e alegria.

O peixe é desprendido do anzol e devolvido ao rio ... e enquanto os restantes continuam a tentar a sua sorte, eu volto em direção à casa e entro na cozinha da Sandra, onde ela prepara o almoço dos Peões: um entrecosto de búfalo feito em forno de lenha. Começo a falar com ela e ela explica que esse forno é muito potente, por isso é que a carne fica muito tostada por fora e tenra e suculenta por dentro. Peço para provar e prontamente pega numa faca e dá-me uma lasca dessa carne.

Tenra, rica em sabor e meio salgada (usa sal refinado, explica ela), mas muito suculenta e ainda melhor quando abre uma lima e espreme o sumo para cima do segundo pedaço que me dá a provar. Não podia haver melhor momento pré almoço ... foi tudo absolutamente perfeito!



O ALMOÇO E A HORA DA SESTA

Depois de ter provado o entrecosto de búfalo (criação da fazenda) voltamos todos para a pousada da fazenda e temos já tudo preparado para um almoço com iguarias da região.

Pergunto aos empregados qual escolheriam, e indicam-me carne de vaca estufada com banana pão acompanhado com aboborinha assada e arroz. Tudo regado com uma cerveja de cuiabá aromatizada com coentros. É absolutamente perfeito e é o início da tarde.

Mas antes de qualquer programa, porque o calor é muito, regressamos aos nossos quartos e temos tempo para uma sesta. Há quem prefira as redes espalhadas pela pousada ... enfim, é tempo de relaxar e deixar o tempo passar a um ritmo próprio e lanzeiro. É tempo de descansar antes do programa do final de tarde.





A CAMINHADA PELO MEIO DO PANTANAL

Acordados, tomamos um café servido no meio das árvores, calçamos umas borracha  e partimos a pé para o meio do Pantanal.

Esta caminhada, para quem gosta de mergulhar no meio da selva pantaneira, é perfeita: os trilhos são isso mesmo, pequenos caminhos no meio de uma vegetação frondosa e que tudo invade e muda, atravessamos zonas de água rasteira e caminhamos pelo meio do mato. Ao longo do caminho conseguimos ver alguns animais, como capivaras, veados, javalis, macacos, tatus, muitos pássaros, uma rara tartaruga pantaneira e claro muito gado e cavalos pantaneiros.

Mas são as libelinhas, borboletas, frutos e ninhos de térmitas (gigantes por sinal) que nos acompanham de forma mais constante. São umas horas a andar pelo meio do mato, que culminam na subida a uma torre de observação, que nos leva até acima da copa das árvores e nos permite ter uma visão 360º sobre a mata frondosa que nos rodeia.

No final está guardado o melhor momento: no retorno para a fazenda, passamos por uma zona de pântano larga que nos permite ver um pôr do Sol incrível e absolutamente deslumbrante: é o ponto alto do dia, unanimente classificado como um momento poético e inesquecível.



A FOCAGEM NOCTURNA

Depois de voltar para  fazenda, segue-se mais um momento de pausa, antes de um jantar com pratos da região. O nosso destaque vai para o peixe frito pescado no rio que subimos, e para a vaca estufada ambos acompanhados com um delicioso jiló assado. A rematar uma mousse de lima e doce de leite, absolutamente deliciosa.

Mas logo a seguir ao jantar subimos num camião e vamos fazer a última actividade do dia: uma focagem nocturna para ver os animais nocturnos. Aqui o passeio é mais misterioso e não fora o olhar de "jaguar" do nosso guia Tadeu e não tínhamos visto um Osselote à caça ou uma Tarantula gigante. Foi um passeio pautado pelos barulhos nocturnos do Pantanal e encerrou o dia com a emoção de ver estes dois raros animais. Assim terminou o nosso dia de descoberta do Pantanal, uma das regiões mais virgens de todo o Brasil e que, nem de propósito é feita no dia em que se comemora a chegada de Pedro Álvares de Cabral ao Brasil: a 22 de Abril de 1500 Pedro Alvares de Cabral descobre oficialmente o Brasil, e a 22 de Abril de 2019, nós descobrimos os Trilhos Pantaneiros!